31/07/2026
Sobre o caso da Unitel, acho que há uma coisa que muitos de nós precisamos de aprender: nem toda notícia deve ser consumida sem questionamento.
A Unitel informou que sofreu um ataque cibernético. Se foi exatamente isso, as autoridades vão investigar e o tempo vai esclarecer os factos. Mas, como investidor, a minha preocupação vai além da notícia.
No mercado financeiro existe uma regra: o preço reage à informação, mas também reage às emoções das pessoas. É aqui onde muita gente perde dinheiro.
Quando sai uma notícia negativa, o cidadão comum entra logo em pânico. Uns vendem, outros deixam de comprar. Mas a pergunta que quase ninguém faz é: quem está do outro lado a comprar?
Wyckoff ensinava que o mercado funciona com base na oferta e na procura. Se muita gente está a vender por medo, alguém está a comprar. E normalmente quem compra nesses momentos não é quem acordou hoje para investir. São investidores preparados, com capital, estratégia e paciência.
Não estou a dizer que o caso da Unitel foi manipulado. Não tenho provas para afirmar isso. O que estou a dizer é que o mercado tem leis próprias. E quem investe precisa de aprender essas leis, senão vai viver sempre a correr atrás das notícias.
Em Angola ainda temos muito essa cultura de aceitar tudo o que aparece nos títulos, sem perguntar: esta notícia muda mesmo o valor da empresa ou apenas mexeu com o sentimento das pessoas?
É essa diferença que separa quem investe com conhecimento de quem investe por emoção.
Por isso, antes de tomar qualquer decisão, estuda. Analisa o comportamento do preço, observa o volume, procura entender a estrutura do mercado. Não deixes que a televisão, o Facebook ou o WhatsApp pensem por ti.
No mercado financeiro, quem reage primeiro à notícia raramente ganha. Quem entende como o mercado funciona é que, muitas vezes, encontra as melhores oportunidades.
Questionar não é negar os factos. Questionar é procurar entender o que realmente está por detrás dos movimentos do mercado.