04/09/2012
Análise de Negócios – Uma visão conceitual
Várias são as discussões existentes nas redes sociais e meios de comunicação sobre o que seria a Análise de Negócios. Tais discussões envolvem experiências próprias de cada profissional, entendimentos de métodos, técnicas e até modelos implementados em organizações. Abordam também questões sobre se é um papel da área de TI ou não, se foca em requisitos ou soluções, enfim, ainda estava difícil explicar em poucas palavras quem é este profissional. O que ele faz? Ele usa de atividades e técnicas para entender stakeholders e propor soluções? É isto? Liga partes interessadas para alcançar metas?
Em uma tentativa de me desligar destas visões, busquei uma análise comparativa entre o Babok 2.0 e um draft do Babok 3.0 que, apesar de ainda estar “no forno”, podendo vir a ser alterado, não acredito que deva sofrer mudanças em sua essência principal, a definição do que é a Análise de Negócios. Sendo assim, vamos entender estas diferenças:
O Babok 2.0 conceitua a analise de negócios como:
“Conjunto de atividades e técnicas utilizadas para servir como ligação entre as partes interessadas no intuito de compreender a estrutura, políticas e operações de uma organização e para recomendar soluções que permitam que a organização alcance suas metas.”
Já o Babok 3.0 (em seu draft) conceitua a análise de negócios como:
“A prática de promover mudanças no contexto organizacional através da definição de necessidades e recomendação de soluções que entregam valor às partes interessadas.”
Analisando as duas definições, podemos perceber, de início, a troca de um termo que gerava dificuldades: “Conjunto de atividades e técnicas” para uma “Prática”. Atribuir um corpo de conhecimento tão importante como “atividades e técnicas” era desconcertante. Já uma “prática” nos conduz para um ambiente mais estável, formal, característico de um corpo de conhecimento e não um agregado de técnicas.
Na versão 3.0, o conceito de “promover mudanças” leva a Análise de Negócios para o local perfeito, um corpo de conhecimento para Gestão de Mudanças (Change Management). De fato, apesar de não estar presente na versão 2.0, entender as partes interessadas, gerenciar requisitos, propor e implementar soluções é uma “gestão de mudanças”, não explícita.
A palavra “Contexto” também tem certa diferença, pois a análise de negócios pode ser efetuada em um contexto amplo, como a organização inteira, ou em uma área/departamento específica. Esta abordagem altera tanto a necessidade de utilização de ferramentas como o perfil do analista de negócios, mais estratégico ou não.
Outra significativa diferença está ao final das duas definições: “Alcançar metas” x “Entregar valor”. Alcançar as metas, para o Babok 2.0, subentende-se que estas devem entregar valor, mas pode deixar esta “preocupação” para outros corpos de conhecimento anteriores, tais como o planejamento estratégico. Na versão 3.0, a entrega de valor passa a ser uma obrigação do analista de negócios, que precisa, portanto, compreender o que seria Valor para a organização, seus stakeholders e até avaliar, medir e priorizar o que deve ser mudado.
Torna-se mais fácil, com esta visão, entender a grandiosidade da mudança proposta, que facilita o entendimento do que é a Análise de Negócios: Uma prática que promove mudanças, a ação principal. Todas as técnicas, ferramentas, atividades presentes no Babok 2.0, bem como fazer elicitação, gerenciar requisitos, buscar soluções, são agora práticas para gerenciar as mudanças e entregar valor.
Aguardemos a finalização do Babok 3.0 para concretizar estes novos conceitos e, assim, potencializar este corpo de conhecimento, facilitando seu entendimento, não apenas no meio acadêmico, mas principalmente pelas organizações que precisam profissionalizar e dar o devido valor à análise de negócios e, porque não dizer, à gestão de mudanças, afinal, conforme já dizia Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C.), se “a única constante é a mudança”, quem na organização tem a mudança como foco principal de atenção? Este é um campo vasto e carente que a Análise de Negócios pode profissionalizar, contribuindo para a evolução das organizações.
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Por: Sérgio Viegas
Novva Consulting – consultoria em Análise de Negócios, gestão e tecnologia da informação.