12/10/2025
Existem partos que transformam vidas.
E o da Valentina transformou a minha.
Naquela época eu já era fotógrava, mas estava presa à CLT — entre rotinas, horários e uma vontade que não me deixava em paz: viver exclusivamente de partos.
Eu já tinha fotografado alguns partos cobrando somente os custos pra saber se era isso mesmo que eu queria, e era. Já havia feito dois cursos de fotografia de partos, estudado técnica, luz, narrativa… mas ainda faltava o mais difícil: coragem pra me jogar nesse mundo.
A primeira visita
Foi em Campinas.
Fui até a casa da Mari e do Gio pra conversar sobre o ensaio de parto.
Lembro da casa, da simpatia deles, das risadas leves, e de como, por dentro, eu tentava esconder o nervosismo.
Quando chegou o momento de falar sobre o valor, minha voz saiu um pouco trêmula. Era a primeira vez que eu cobrava por um parto.
Eu disse meu preço com o coração acelerado, esperando a reação deles.
Eles sorriram, agradeceram e disseram que me dariam uma resposta em breve.
E assim começou uma espera que parecia não acabar nunca.
Foram alguns dias de expectativa, revisando mentalmente cada palavra que eu tinha dito. “Será que falei certo? Será que fui clara? Será que cobrei demais?”
E, no fundo, aquele medo clássico: e se não der certo?
A resposta que mudou tudo
Até que um dia chegou a mensagem:
“Queremos fechar com você.”
Lembro de ler e reler aquelas palavras várias vezes.
Foi como se um portal tivesse se aberto. Eu comemorei sozinha, em silêncio, tentando conter as lágrimas.
A partir dali, tudo mudaria — mesmo que eu ainda não soubesse o quanto.
A espera da Valentina
Com o contrato assinado, comecei o plantão.
A cada notificação no celular, meu coração disparava.
Eu sabia que em algum momento ela viria — e com ela, talvez, o início da minha nova vida.
Numa noite, recebi a mensagem da Mari:
“A bolsa rompeu, mas tá tudo bem. Ainda estou em casa, no chuveiro. A doula está aqui. Tá tranquilo, não precisa vir agora.”
Acho que ela esperava passar a noite toda ali. Mas, pouco tempo depois, veio outra mensagem:
“Mi, as contrações estão vindo mais fortes. Estamos indo pro hospital.”
Eu peguei a bolsa, a câmera, e saí correndo.
Ela não imaginava mesmo que seria tão rápido… e eu também não.
A chegada à Maternidade
Chegamos juntos à Maternidade de Campinas. O silêncio dizia mais que qualquer palavra.
No centro cirúrgico, Mari respirava fundo, o corpo entregue ao ritmo do nascimento.
O Gio, atrás dela, sustentava com os braços e com o olhar — um apoio inteiro, silencioso, cheio de amor.
A cada contração, o ambiente parecia pulsar junto.
As mãos entrelaçadas, a massagem nas costas, o beijo na testa.
Tudo era conexão.
Força e vulnerabilidade coexistindo no mesmo instante.
A equipe acompanhava com calma e respeito.
Movimentos suaves, olhares atentos, palavras que acolhiam.
E eu, com a câmera nas mãos, tentava apenas não interromper o milagre.
Em cada clique, eu via mais do que dor e esforço — via nascimento em todas as formas possíveis.
Da Valentina. Da mãe. Do pai.
E, de alguma forma, o meu também.
O nascimento da Valentina
O silêncio da sala era quase sagrado. A Mari se apoiava no Gio, o corpo curvado, o rosto entregue.
Teve um momento que ele beijou sua testa com ternura, um gesto simples, mas tão cheio de amor que não precisava dizer com palavras, mas significava "estou aqui, com você".
As mãos das profissionais estavam atentas, acolhedoras, prontas.
E, entre respirações e a força da natureza, o tempo passava madrugada adentro.
Um suspiro profundo.
Um último empurrar.
E então ela veio.
Valentina.
O choro dela preencheu o espaço como uma melodia viva.
O Gio parou por uns segundos... acho que demorou pra cair a ficha, olhou pra filha... e o choro veio, emocionando todo mundo e roubando a cena! Simplesmente desabou, como podem ver nas fotos, completamente tomado pela emoção.
A Mari a acolheu no peito, ainda trêmula, o corpo ainda quente do esforço, o coração transbordando.
Os dois se abraçaram em volta da filha, um laço que nenhuma lente no mundo conseguiria traduzir por completo.
Fotografei em silêncio.
Com as mãos firmes e o coração acelerado.
Porque eu sabia que ali, diante dos meus olhos, estava acontecendo algo maior do que um nascimento.
Era o início de tudo.
Voltei pra casa com o sol nascendo (tirei a foto do retrovisor do meu carro, o dia amanhecendo), e não consegui dormir. Ocitocinada, selecionei as fotos e mandei a prévia logo em seguida.
O áudio que o Gio me mandou depois é digno de ter guardado numa caixinha de memórias, mas não guardei, infelizmente. Que emoção receber um feedback desses!
Ali eu entendi que isso é o que eu amo fazer.
Esse parto foi em 2014.
Hoje a Valentina tem 11 anos e está quase do meu tamanho. A Mari já teve a segunda filha, a Antonella, em um parto domiciliar, que eu também registrei.
Cada parto que fotografo me lembra por que escolhi esse caminho — porque ao longo dos anos e dos inúmeros partos que fotografei, vi inúmeros primeiros encontros, aquele instante em que o mundo inteiro se resume ao primeiro abraço, ao primeiro contato. Um toque que acalma, aquece começa para sempre o vínculo entre mãe e filho. É ali que tudo faz sentido. Não é maravilhoso?
Se você está vivendo a espera do seu bebê e deseja guardar esse momento com a mesma verdade e sensibilidade, vai ser uma honra contar a sua história.
Atendo partos em Campinas e região, com o mesmo cuidado e emoção que transformaram o nascimento da Valentina em um marco na minha própria jornada.
Entre em contato e vamos eternizar o dia em que o seu amor vai nascer — do seu jeito, no seu tempo, com toda a beleza que esse instante carrega.