17/03/2026
Comissão da Câmara frota própria para o transporte coletivo de Concórdia
Relatório aponta dificuldades no sistema atual e defende renovação da frota com gestão compartilhada entre poder público e iniciativa privada
A Comissão Especial do Transporte Coletivo Urbano de Concórdia, formada na Câmara de Vereadores, apresentou uma proposta que pode redefinir o futuro do serviço no município. O relatório, com seis páginas e datado de 12 de março de 2026, reúne diagnóstico, diretrizes e recomendações para a reestruturação do sistema.
O documento é assinado pelos vereadores Honestino Malacarne Júnior, Cezar Luiz Pichetti Filho, Margarete Poletto Dalla Costa, Fernanda Dilda, André Holdefer e Evandro Pegoraro, além do presidente da Câmara, Closmar Zagonel. A proposta foi encaminhada ao grupo de trabalho que trata do assunto na Prefeitura Municipal.
Diagnóstico
A análise da Comissão aponta que o transporte coletivo urbano de Concórdia enfrenta desafios estruturais importantes. Entre os principais problemas identificados estão a baixa demanda de passageiros, o elevado custo operacional e dificuldades relacionadas à sustentabilidade financeira do sistema.
Com base em estudo técnico e nas discussões realizadas ao longo dos trabalhos, os vereadores concluíram que o modelo atual precisa passar por uma “profunda reestruturação” para garantir sua viabilidade no médio e longo prazo.
R$ 21,9 milhões em nova frota
Um dos pilares da proposta é a renovação completa da frota de veículos. Para isso, a Comissão sugere o uso de recursos de um convênio firmado entre a Prefeitura de Concórdia e o Governo do Estado de Santa Catarina.
O investimento total previsto é de R$ 21,9 milhões, sendo:
• R$ 17,5 milhões repassados pelo Estado
• R$ 4,4 milhões de contrapartida do município
Com esses recursos, a proposta prevê a aquisição de:
• 15 ônibus urbanos
• 12 micro-ônibus urbanos
Ao todo, seriam 27 veículos novos, destinados à modernização do sistema de transporte coletivo.
Segundo o relatório, a renovação da frota é estratégica para reduzir custos operacionais, melhorar a eficiência do serviço e elevar a qualidade do atendimento à população.
Novo modelo
Além da troca dos veículos, a Comissão propõe uma mudança no modelo de gestão do transporte coletivo.
A ideia é que os ônibus passem a ser de propriedade do município, enquanto a operação do sistema — incluindo manutenção e gestão operacional — seja realizada por uma empresa especializada, contratada por meio de licitação.
O relatório sugere que esse processo ocorra, preferencialmente, por meio de concessão ou permissão.
De acordo com os vereadores, esse formato combina controle público com eficiência operacional, permitindo:
• maior previsibilidade financeira
• redução de custos
• melhoria na prestação do serviço
• fiscalização mais efetiva por parte do poder público
Modernização
A Comissão reforça que a modernização do sistema não é apenas uma opção, mas uma necessidade.
O documento destaca que, sem mudanças estruturais, o transporte coletivo tende a manter ou até ampliar seus problemas atuais, especialmente em relação ao equilíbrio financeiro e à capacidade de atender a população com qualidade.
A proposta apresentada busca justamente criar um modelo mais sustentável, capaz de equilibrar custos, demanda e eficiência.
Próximos passos
Com a conclusão do relatório, a proposta agora segui para avaliação do Poder Executivo municipal, que deverá analisar as recomendações e decidir sobre a implementação do novo modelo. O tema é considerado estratégico para a mobilidade urbana de Concórdia e deve ganhar espaço no debate público nos próximos meses.