Foi em 1968 que o comerciante se estabeleceu na barraca em frente ao Edifício Acaiaca, onde permanece até os dias de hoje. Ao longo das décadas, viu a praia mudar, embora não com a velocidade que gostaria. Vivência que trouxe experiência e uma coleção de histórias. Assistiu à passagem de tempo com uma memória de dar inveja: Zezinho tem gravado na mente as datas exatas dos acontecimentos que marcar
am sua vida. Ele relembra precisamente às 20h30 daquele 13 de março quando chegou à praia. Na época, o calçadão chegava até ao número 5.000 da avenida. “A avenida era as mesmas 4 faixas de hoje, na época o trânsito era pouco”, descreve. Zezinho fixou-se no local com uma caixa feita de tábuas na faixa de areia. Ele veio direto de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, a convite do então sócio, com “500 cocos, uns canudos e roupa para dormir na beira da praia”. “Mas não trouxe a faca. Uma pessoa que trabalhava na mesma casa que meu sócio, uma empregada doméstica chamada Caetana, chegou na mesma hora que eu cheguei, foi arrumar a faca pra mim, e eu fiquei esperando”, conta. Enquanto aguardava, lhe veio o pensamento que deu origem à alcunha que leva hoje. Ele tinha 12 anos quando começou a ser chamado de Zezinho. Nas casas e endereços por onde passou, foi Zezinho de Laura, de Irene, de Manuel e de Antônio. “Eu pensei: quem é que eu vou ser agora? Olhei para o céu, na praia de Boa Viagem, onde ainda não vendia coco, era deserto. Ele lá de cima mandou: Zezinho do Coco”, fala. Hoje, ele é um dos mais antigos comerciantes da orla. Dos sete filhos que teve - Flávia, Aline, Fábio, Ana Paula, Rogério e Tomé -, quatro seguiram o ofício do pai. A profissão também foi passada para o irmão, a ex-mulher, uma nora e uma ex-cunhada, além de um falecido sobrinho. Todos têm ou tiveram o próprio quiosque. “Eu fui o mentor porque Deus determinou tudo isso. Ele é o único que determina”, pontua. Prestes a celebrar 72 anos, em 15 de setembro, Zezinho se prepara para uma nova edição da vida. “Vou estudar. Vou investir na minha história”, afirma com convicção.