23/08/2026
A decisão da Gerdau de reduzir investimentos no Brasil merece uma análise que vá além da política ou do patriotismo.
Quem vive a indústria sabe: capital não tem apego. Capital procura produtividade, previsibilidade e retorno.
E é exatamente aí que está uma das grandes discussões sobre competitividade industrial no Brasil.
Não basta uma empresa ser eficiente da porta da fábrica para dentro.
Podemos implantar Lean, reduzir desperdícios, aumentar OEE, melhorar qualidade, desenvolver pessoas, automatizar processos e buscar excelência operacional.
Mas existe uma parte da competitividade que não está sob controle da fábrica.
Carga tributária, custo de energia, infraestrutura, juros, burocracia, insegurança jurídica e concorrência internacional também entram na composição do custo de produzir.
E quando produzir em outro país passa a oferecer uma relação melhor entre risco, produtividade e retorno, o investimento naturalmente começa a migrar.
A discussão, portanto, não deveria ser:
“Por que uma empresa brasileira está deixando de investir no Brasil?”
A pergunta mais importante é:
“O que precisamos fazer para que investir e produzir no Brasil volte a ser competitivo?”
Depois de anos trabalhando com indústria, manutenção, produção, melhoria contínua e transformação de operações, uma coisa ficou muito clara para mim:
Excelência operacional dentro da fábrica é obrigação. Competitividade industrial, porém, é construída dentro e fora dos seus muros.
E talvez esse seja um dos maiores desafios da indústria brasileira para os próximos anos.
Na sua visão, qual é hoje o maior obstáculo para a indústria brasileira competir globalmente?
Competitividade Estratégia Liderança