Técnicos em Reabilitação de Dependentes Químicos de Rondonópolis

Técnicos em Reabilitação de Dependentes Químicos de Rondonópolis A dependência pode ser vencida, basta você acreditar que isso é possível e aceitar ajuda profissional.

O que é Dependência química?

É uma condição física e psicológica causada pelo consumo constante de substâncias psicoativas. Devido a constante utilização desses tipos de dr**as, o corpo humano torna-se cada vez mais dependente dos mesmo, tendo como consequência sintomas que afetam o sistema nervoso. Quando o indivíduo deixa de consumir, tem a sensação de ressaca, considerado um dos principais mot

ivos que impedem o abandono das dr**as por parte dos dependentes. A dependência varia consoante o vício e a frequência de consumo do individuo. Uma das áreas mais afetadas de um dependente químico é a psicológica, alterando bruscamente a sua maneira de viver e a sua interação com a sociedade. A dependência química é considerada uma doença crônica, que é causada pela necessidade psicológica da pessoa de buscar o prazer e evitar sensações desagradáveis, causadas pela abstinência. O crack é uma substância química que causa muita dependência, porque tem um efeito mais imediato que outras dr**as, e por isso o seu consumo tem aumentado bastante nos últimos anos. O consumo de crack e de outras dr**as pode levar à insanidade, prisão, morte ou ao tratamento. Sintomas

É possível identif**ar se a pessoa é ou não dependente química. No caso, para ser considerado um dependente, isso signif**a que o individuo não consegue passar muito tempo sem consumir a droga em questão, sob a consequência de acusar a abstinência. Todavia é importante salientar que o consumo de dr**as normalmente segue um padrão que no fim leva muito rapidamente para a dependência química. Um dos sinais que podem ajudar a identif**ar, é que o indivíduo sente a necessidade de aumentar a dose da droga para que esta continue a fazer efeito, o consumo torna-se cada vez mais constante apesar de desejar consumir menos, e o sinal mais explícito no que diz respeito a um dependente químico é a abstinência. Abstinência:

Quando o sujeito deixa de usar a droga depois de muito tempo de consumo, o seu corpo vai acusar abstinência ou ressaca. Os principais sintomas de quem acusa abstinência são: irritação, insônia, confusão mental, alucinações, convulsões, desejo muito forte de consumir a droga, desespero, afastamento social, descuido consigo mesmo e com a sua aparência, entre outros. Quando uma pessoa consome uma droga para relaxar, e esse efeito passa, há um aumento da ansiedade e por isso os efeitos de abstinência são imediatos, causando a necessidade de voltar a consumir a droga para obter relaxamento. Tratamento:

A dependência química é bastante difícil de ser tratada, porque existe um elevado índice de reincidência, muito por culpa da ressaca. Por mais que o sujeito queira parar de consumir, o seu corpo vai necessitar das substâncias causando um grande desconforto, por isso para se recuperar o sujeito vai necessitar de muita força de vontade, sendo muito importante uma estimulação constante para a continuação do tratamento. O tratamento em si passa por fazer que o individuo deixe de usar as dr**as sendo preparado para enfrentar os sinais de abstinência. Na maioria dos casos a dependência é tão forte que o sujeito não pode deixar totalmente o uso das dr**as tendo então que reduzir o consumo regularmente até que este chegue a zero. O dependente será tratado de acordo com a droga que consumia e com o grau de dependência em que se encontrava. O dependente deve sempre ter um acompanhamento especial de um psicólogo e dificilmente se pode afirmar que esteja totalmente curado, porque as recaídas podem acontecer de um momento para o outro, ou devido a alguma situação menos feliz. Outros tipos de medicamentos podem ser utilizado para o tratamento, mas sempre com acompanhamento médico porque também podem causar dependência. Para a reabilitação de um dependente químico, é essencial ajudá-lo a encontrar atividades que substituam o prazer proporcionado pela droga. Existem várias clínicas especializadas que têm como objetivo ajudar o paciente a construir um novo estilo de vida.

ao menos eles tem coragem pra ir la e protestar, enquanto outros falam mal deles e nao movem nem o cabelo do bigode para...
26/04/2017

ao menos eles tem coragem pra ir la e protestar, enquanto outros falam mal deles e nao movem nem o cabelo do bigode para cobrar. https://t.co/EiUauazrSQ

“Um protesto de índios terminou em confronto com a Polícia Militar em Brasília. Quatro pessoas foram detidas. https://t.co/lyTqQj1dOc”

30/05/2016

Desintoxicar o dependente é apenas parte do tratamento. Vontade de mudar de vida, higiene e até relações sociais e laços afetivos mudam td.

14/04/2016

Entendendo um pouco mais além, do que só TRATAMENTO da Adicção.

Infelizmente, hoje contamos com uma boa parde da sociedade vivendo e amando as pessoas de uma forma individualista. O que precisamos entender é que para vencermos a drogadicção e a desigualdade social, nós, meros seres humanos precisamos nos AMAR mais, aceitar que somos pequenos e frágeis sem a FÉ, sem JESUS cristo nos guiando, e parar de nos trancar em nosso MUNDINHO e em nossas casas, com muros enormes e trancafiados, desconfiando de vizinhos e outros mais, sei que existe violência e assaltos, etc, mas não podemos deixar isso nos abalar e desistir da vida e do próximo. Temos um só pai que é DEUS, o restante são irmãos na obra do senhor. Precisamos participar mais de FÓRUNS, SEMINÁRIOS, DISCUSSÕES, DEBATES, ENCONTROS, dentre outros, mostrando nossas opiniões sobre o assunto e descontentamento da situação atual. TRATAR UM ADICTO não é só trancar-lo ou manter-lo dentro de uma instituição, mas sim, tentar devolver a ele um pouco de sua dignidade, auto-estima, respeito, honra, ter gosto por leituras, estudar, FÉ, limites, normas da vida, LEIS, DIREITOS e DEVERES. Ele precisa vencer as diferenças sociais. Ele precisa compreender que andar a pé, de biclicleta ou de ônibus, não é ser inferior comparado com quem anda de carro, mostrando suas conquistas financeiras juntamente com um pouco de egoismo e luxuria, isso não pode mudar sua personalidade e seu caráter, ele precisa aceitar que ERROU na vida, optou por caminhos errados e que o fruto disso é uma DOENÇA chamada ADICÇÃO, será um doente pra toda a vida, uma doença incurável, porem controlável, irá depender de cada um, é só procurar caminhos corretos daqui em diante. O grande problema é que quando usuário ele adquire algumas sequelas irreversíveis, doenças que se somam com a adicção. NÓS BRASILEIROS precisamos entender que o dependente químico não pode assumir a culpa SOZINHO nessa batalha, temos que compreender que na maioria das vezes a família erra junto, a sociedade é culpada por aquele dependente estar na situação que está. Ou ocorreu uma separação dos pais quando ele muito criança, violências entre famílias, LARES conflituosos, miséria, familiares problemáticas, falta de AMOR nos lares, falta de uma religião na família, POLITICAS PUBLICAS ultrapassadas e desiguais, alem de muitas outras coisas mais.
Isso é só um pouco do complexo mundo de um adicto, não é só culpar-lo ou abandoná-lo, temos que lembrar que por trás dessa pessoa doente tem uma VIDA, um espirito SOFRIDO que precisa de ajuda. NÃO É FÁCIL, mas também não é IMPOSSÍVEL.

07/01/2016

Esse mês entrou em vigor a lei que obriga motoristas a fazer exame toxicológico para a renovação da carteira de habilitação. Saiba mais

06/06/2015

Incrivel como as pessoas continuam negando a contrução do CAPS III, quanto HIPOCRISIA.

O município esta desesperado para construir tão logo quanto a unidade para não perder essa preciosa verba, porque se não construir a verba volta mesmo pros cofres da união se não for usado.
Agora sobre nós moradores de Rondonopolitanos eu digo o seguinte, que o Mundo, o Brasil e porque não a população de Rondonópolis, que se nega a ter uma CASA DE RECUPERAÇÃO totalmente gratuito no seu bairro, um local que se é visto como uma esperança por muitos, estes estão voltando no tempo ao invés de seguir em frente com esse pensamento arcaico.
Mas é incrível né como as pessoas querem se livrar dos problemas, no caso os (dependentes químicos) assim como se livra de um animalzinho que não querem mais, uma televisão, um sofá, dentre outros.
Poxa gente, Isto é um defeito social que temos dentro de nós, mas pensar diferente e melhor se torna uma obrigação de todos nós, sei que não é fácil mas temos que tentar, pois enquanto eu compro meu Iphone de ultima geração pra mostrar pros amigos, carro zero, casa confortável, internet, roupas, comida boa, bom emprego, dentre outros, pessoas estão sendo humilhadas e menosprezadas pela nossa sociedade e pelo mundo.
A questão de usar dr**as vai além do contexto social, riqueza, se trata de um VAZIO QUE TEMOS DENTRO DE NÓS, uns experimentam pela primeira vez por curiosidade, outros por rebeldia, refugio dos problemas, falta de dinheiro, desemprego, momentos de desespero, ausência da FÉ, DEPRESSAO, SOLIDÃO, covardia de enfrentar a vida, status, conquistar um grupo de amigos e companheiro (a), etc., quero dizer que todos nós, digo novamente todos nós independente de criação ou cultura familiar estamos expostos a esse mal – NÃO É CERCA ELÉTRICA, MURO e SEGURANÇA PARTICULAR que vai nos proteger, mas SIM temos que enfrentar este problema, porem antes de tudo precisamos QUERER ENFRENTAR e ter coragem para isso, entender, estudar, compreender como tudo funciona, ai sim você irá compreender o porque que o município de Rondonópolis se encontra nesse desespero para construir o CAPS III.
Cidadão Rondonopolitano não negue um CAPS perto de sua casa, pare de pensar apenas em seu imóvel, em sua segurança, em seus bens, em sua família, em sua caixinha de fosforo e comece a pensar na família de JESUS, em outras pessoas além só de você mesmo, deixe de lado o egoísmo, pois quando você e sua familia sair de sua caixinha de fosforo para passear, ir as comprar, se divertirem, trabalhar, dentre outros, você estará EXPOSTO a este problema social, afinal você vai se invernar dentro de sua casa e pensar que assim tudo estará resolvido?

PENSE NISSO. CAPS não é manicômio, não é PRESIDIO, não é CASA DE LOUCOS, não é casa de DROGADOS, nem tão pouco é uma FABRICA DE DOIDOS, mas sim o CAPS é um novo modelo de recuperação e de contexto social, muito lindo pra começar, então antes de falar vamos analisar primeiro os fatos. Seja mais humano e social na sua vida e você será recompensado por isso. AMEM.

21/04/2015

SOS Vida

O impacto das dr**as na sociedade brasileira – busca de soluções.

Ao longo dos últimos anos o Brasil sofreu um grande aumento do consumo de dr**as. Infelizmente não houve uma mudança correspondente no vigor das políticas públicas que pudesse minimamente atenuar o impacto.

O objetivo desse documento é fazer um diagnóstico dessa situação e propor as melhores alternativas para o próximo governo.

Qual é a dimensão do problema das dr**as no Brasil?

a) Álcool

O álcool é o responsável pelo maior problema das dr**as no Brasil. A própria Organização Mundial da Saúde já apontou que nosso país, e na maioria dos países da América Latina, o consumo de bebidas alcoólicas é responsável por cerca de 8% de todas as doenças existentes. Esse custo social é 100% maior do que os países desenvolvidos como EUA, Canadá, e da maioria dos países europeus.

No primeiro estudo brasileiro, feito pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) em 2006, que avaliou o padrão de consumo do álcool na população, mostrou que 11% dos homens e 4% das mulheres adultas eram dependentes do álcool. Essa alta prevalência tem um impacto enorme na sociedade brasileira, pois podemos dizer que cerca de 1 em cada 7 famílias tem alguém com problemas signif**ativos em relação ao álcool. O impacto nas crianças também é grande, pois 1 em cada 5 crianças já presenciou violência por alguém intoxicado pelo álcool em casa.

O álcool contribui especialmente para o aumento da violência no Brasil. Na violência entre casais o álcool está presente em mais de 45% dos casos. Cerca de 50.000 mortes ocorrem no trânsito todos os anos no Brasil e pelo menos metade dessas mortes são devidos ao consumo de álcool. Mesmo com a introdução da chamada “lei seca” que alterou para zero a concentração de álcool permitida para dirigir, convivemos com 25% dos motoristas alcoolizados dirigindo nos finais de semana. Nenhum outro país desenvolvido ou em desenvolvimento apresenta números como os brasileiros. Somos muito atípicos no cenário internacional ao tolerarmos esse nível de pessoas intoxicadas dirigindo veículos.

Entre os adolescentes o álcool é a principal droga de abuso, com 1 em cada 7 adolescentes (16%) tendo episódios regulares de excesso de consumo. O padrão de consumo dos adolescentes brasileiros é de ingerir grandes quantidades em episódios nos finais de semana, expondo-os a uma série de riscos como: acidentes, gravidez não planejada, e também risco de consumir outras dr**as ilícitas. Apesar de termos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que proíbe a venda de bebidas para esse grupo, essa lei não é fiscalizada e está tornando o álcool a principal droga de entrada para um grupo substancial de jovens. Vale a pena destacar que embora o álcool seja uma droga lícita o uso pelos adolescentes é uma forma de uso ilícito de uma droga lícita.

Consenso Internacional sobre a Política do Álcool: No mês de maio de 2010 a Organização Mundial da Saúde passou uma resolução, apoiada pela grande maioria dos países, que busca a criação de uma política mundial sobre o álcool. À semelhança do que ocorreu com o cigarro a OMS criará as bases para implementar políticas baseadas em evidências em cada país. Essas políticas são: progressivamente aumentar o preço das bebidas alcoólicas, diminuir a disponibilidade social do álcool, proteger as crianças e os adolescentes da venda ilícita de bebidas, restringir a propaganda do álcool, reduzir o número de motoristas alcoolizados.

b) Maconha

A maconha é a principal droga ilícita utilizada no Brasil, com cerca de 10% dos adolescentes fazendo uso regular. Apesar do aumento regular do consumo dessa droga, fruto de uma percepção cada vez maior de que seja uma droga sem nenhum problema para a saúde, as evidências científ**as cada vez mais apontam para uma série de problemas, como perda do rendimento acadêmico, acidentes de carro e aumento de uma série de doenças psiquiátricas como psicose e depressão. Estima-se que 1 milhão de usuários de maconha façam uso diário dessa substância, que são os dependentes.

Consenso Internacional sobre a Política da Maconha: Infelizmente pouco consenso existe sobre o que se deve fazer em relação à maconha. A maioria dos países está tentando buscar alternativas, mas até agora o consumo tende a aumentar universalmente. Com uma política mais liberal no Brasil estamos assistindo a um aumento de consumo maior do que a maioria dos países. Vários setores defendem ainda uma maior liberação em relação a essa droga, apesar dessa tendência de que cada vez mais jovens estejam consumindo maconha. Parece que estamos adotando uma política cada vez mais liberal, mesmo com resultados cada vez mais preucupantes. No mínimo o governo federal deveria ter uma posição mais clara sobre os riscos do consumo de maconha. Ao termos ministros de estado abertamente defendendo a legalização da maconha e até mesmo insinuando a defesa do uso torna o consumo dessa droga mais aceitável e a percepção dos riscos do seu uso mais leve.

c) Cocaína/Crack

O Brasil ficou livre da co***na até meados dos anos 80, quando o preço de um grama dessa dr**as estava ao redor de U$ 100, e a distribuição era somente para uma elite nas grandes cidades. Nesses últimos 30 anos a situação mudou dramaticamente. A partir dos anos 80 tivemos uma explosão do consumo de co***na na forma em pó, fruto de uma dramática queda do preço, com um grama custando menos de U$ 2, e uma expansão enorme da rede de distribuição.

A partir de meados dos anos 90 o crack surgiu na cidade de São Paulo, de uma forma lenta, mas estável, expandiu-se para o interior do estado e mais recentemente nos últimos 10 anos expandiu-se para todo o país. O crack nada mais é do que a co***na que pode ser fumada, tornando-a muito mais poderosa na criação de dependência e de uma série de problemas, em especial a violência. Todas as cidades onde o crack apareceu relatam um aumento de vários tipos de crimes. A primeira vítima da violência relacionada ao crack é a própria família do usuário. Pois é muito comum que comecem a roubar objetos diversos de suas próprias casas, como aparelhos de som, televisões, botijões de gás, etc para venderem e sustentarem o consumo. Esgotada essa fonte partem para crimes aquisitivos como roubo de carros, assaltos, etc.

Cerca de 1% da população brasileira faz algum consumo de co***na, e aparentemente metade desse consumo é na forma de crack. As estimativas do próprio Ministério da Saúde de que temos 600 mil usuários de crack no Brasil é uma boa aproximação da realidade. O grande problema dos usuários do crack é que o volume de problemas de saúde, familiares e sociais que desenvolvem em paralelo ao consumo é muito grande. Essa é uma droga cuja dependência é muito grave e dificilmente o usuário consegue interromper o uso sem uma rede de tratamento muito bem organizada.

Estudo da UNIFESP que acompanha há 15 anos os primeiros 131 usuários de crack identif**ados no começo dos anos 90 na cidade de São Paulo, mostrou que cerca de 30% deles morreram nos primeiros cinco anos. A maior parte das mortes foi por homicídio. Esse estudo mostrou também as grandes dificuldades que os familiares tiveram em achar algum tipo de tratamento para os usuários. Se esse estudo puder servir para avaliar o que acontece no Brasil como um tudo, teremos a morte de pelo menos 180 mil usuários de crack nos próximos anos.

Consenso Internacional sobre a Política da Cocaína/Crack: As Nações Unidas num relatório recente mostrou que o Brasil é um dos poucos países no mundo onde o consumo de co***na e crack está aumentando. A explicação deve ser por razões regionais. Nesse sentido a maior produção de co***na por países como a Bolívia deve fazer parte da maior oferta e distribuição da co***na e do crack em praticamente todos os estados do Brasil. Como não somos um país produtor de co***na, estamos sujeitos a essas forças externas do tráfico internacional. Portanto deveríamos adotar políticas vigorosas para diminuir o fluxo de co***na no Brasil. Já foi apontado também que toda essa co***na não seria produzida se não houvesse uma rede sofisticada de produtos químicos para ajudar nesse processo. O único país da região com condições de fornecer esses produtos é o Brasil. Portanto esforços vigorosos deveriam ser feitos para identif**ar as empresas que estão fornecendo esses produtos e fecharmos esse fluxo de exportação clandestina.

No entanto temos mais de 600.000 usuários de crack em atividade, e para essa população vamos precisar de uma rede de tratamento mais organizada e que possa fazer uma diferença na evolução dessa doença. Devemos ter o compromisso de oferecer o tratamento necessário para essa população, pois o consumo de crack tem uma mortalidade maior do que a maioria das doenças cancerígenas.

Qual são as opções de prevenção ao problema das dr**as no Brasil?
Praticamente não temos programas de prevenção às dr**as no Brasil financiado pelo governo federal. O que existe é uma série de iniciativas, a maioria por indivíduos ou algumas organizações, que tentam vários de tipos de ações, mas sem nenhuma direção clara e sem evidência de que aquilo que é feito tenha um impacto na diminuição do consumo. O que precisamos é de um modelo mais definido de prevenção, recursos para o tamanho da tarefa, e um sistema de avaliação sistemático para monitorar esse comportamento nas nossas crianças.

Por exemplo, os EUA anualmente fazem vários levantamentos em escolas e nas comunidades para monitorar o uso de substâncias pelas crianças americanas. Um dos estudos inclusive chama-se “Monitorar o Futuro” e tem como objetivo claro avaliar quais as políticas preventivas que estão funcionando. Vale a pena ressaltar que o consumo de várias dr**as está diminuindo nos EUA. Vários fatores contribuíram para o sucesso parcial da estratégia americana: escolher a criança e o adolescente como o foco da prevenção, estratégias universais onde toda criança americana deveria receber um mínimo de informações sobre as dr**as e o financiamento de centenas de projetos comunitários que são mais específicos e adaptados para um tipo de população.

Portanto o que devemos fazer no Brasil é algo parecido:

1 – Prevenção Universal: Deveríamos ter como objetivo que as informações sobre os diferentes tipos de dr**as façam parte do currículo de todas as escolas públicas e privadas, desde a mais tenra infância. É claro que esse tipo de programa necessita de toda uma adaptação sobre a forma como falar sobre esse assunto com crianças muito pequenas. Por exemplo, nas fases iniciais pode-se fazer prevenção estimulando o aprendizado de saúde e de formas básicas de cuidar de vários aspectos do corpo, como higiene dentária, entender as escolhas alimentares, etc.

2 – Programas de Prevenção Comunitários: Deveríamos ter uma fonte de financiamento de programas preventivos comunitários, onde os municípios pudessem, através dos seus Conselhos Municipais Antidr**as (esses conselhos já existem num número substancial de municípios) criar projetos estratégicos, com especial atenção aos adolescentes com maior risco de usarem dr**as. Vale a pena ressaltar que os adolescentes são muito desassistidos em termos de políticas sociais. A própria Organização Mundial da Saúde já reconheceu isso e existe um movimento mundial de transformar os adolescentes como um grupo de risco, à semelhança do que ocorrem com as crianças, idosos e mulheres. Não resta dúvida de que essa faixa etária deveria receber um grande destaque numa política de prevenção. As evidências mostram que se um jovem não usou dr**as até os 21 anos dificilmente usará. Portanto todos os esforços deveriam ir nessa direção. Além disso somente as comunidades locais, ou os municípios têm condições de identif**ar o problema e propor soluções. O que muitas vezes os municipios não sabem fazer é como desenvolver esses programas preventivos com consistência técnica. Deveria ser função do governo federal fornecer a capacitação técnica geral dessas ações comunitárias, e formas de avaliação do impacto dos programas preventivos.

3 – Programas de Orientação Familiar: Existe uma grande desinformação das famílias em como ajudar essa nova geração de brasileiros a f**arem longe das dr**as. As famílias recebem uma grande carga de informações fragmentadas da mídia, que acaba informando, mas também gerando medo e insegurança nos pais, sem necessariamente fornecer os meios para a prevenção. Existe um enorme oportunidade de criarmos formas comunitárias de amparar as famílias com informações de qualidade para fazer a prevenção e a eventual identif**ação precoce do uso.

Qual são as opções de tratamento ao problema das dr**as no Brasil?

Os milhares de brasileiros que desenvolvem a dependência química acabam não recebendo a devida assistência causando um enorme problema para as suas famílias e para as comunidades como um todo. Devemos propor uma mudança substancial na forma como a assistência a essas pessoas é feita, garantindo que cada brasileiro possa receber o melhor tratamento possível. A proposta é baseada em 2 princípios:

1 - Mudança do financiamento e do controle da assistência ao
Dependente Químico
Atualmente o Ministério da Saúde cuida da política assistencial de todo o Brasil. Infelizmente tem sido uma política muito ideologizada. A principal ideologia é que todos os pacientes deveriam ser tratados somente nos chamados CAPS-AD (Centro de Atenção Psico Social para Álcool e Dr**as). Infelizmente uma parte substancial dos dependentes químicos não adere a esse tipo de tratamento. Por exemplo, a maioria dos usuários de crack necessita de um tratamento bem mais estruturado, com internações em clínicas especializadas. Devido a essa ideologia o governo tem se afastado de uma solução satisfatória para o tratamento dessa população. É impossível fazer uma única política para um país tão diferente como o Brasil. Assim como não se trata uma doença tão complexa como a dependência do crack somente em um único lugar como os CAPS-AD. Na prática deixamos um grande número de usuários de crack e suas famílias completamente desassistidos.

Cada Estado da União deve assumir a política mais ajustada para enfrentar esta epidemia e para isto, gerenciar o financiamento da implantação e avaliação de sua rede de serviços. A Federação, através do SUS deve fornecer os recursos necessários e com orçamento específico para o tratamento da Dependência Química.

Os projetos de cada estado devem buscar formas assistenciais que sejam baseados em evidências científ**as. Deveríamos ter projetos para populações específ**as como: usuários de crack, dependentes do álcool, etc. De acordo com as necessidades e prioridades de cada estado. Criar instituições/especialistas responsáveis, estrategicamente escolhidos, para acompanhar a implantação e avaliação do desenho da rede, integrando recursos, fiscalizado pelo Conselho Estadual sobre Dr**as (CONED). Todos os estados brasileiros têm um CONED, que infelizmente f**a inoperante em relação à prevenção e ao tratamento da dependência química. Poderia ser uma política muito boa ao valorizarmos esses conselhos, através de financiamentos específicos.

2 – Busca de Metas Objetivas

As principais metas devem ser:

a) Mapear os recursos existentes em cada estado, e criar o seu “mapa de assistência” baseados em dois formatos: 1) os recursos formais que atendam ou possa atender pacientes com dependência química (Unidade Básica de Saúde, Prontos Socorros, Centro de Atenção Psicosocial (CAPS), Hospital Dia, Hospital Geral, Hospitais Psiquiátricos, Comunidades Terapêuticas, Moradias Assistidas, etc) e 2) os recursos informais comunitários (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Grupos de Amor Exigente, grupos religiosos, etc);

b) O sistema formal de tratamento deve trabalhar em sintonia com o setor informal. Todos os CAPS deve oferecer as suas instalações para grupos comunitários de AA, NA e Amor Exigente. De preferência esses grupos deveriam ser ouvidos na gestão dos serviços públicos na área;

c) Desenvolver o treinamento das equipes mínimas de saúde e assistência social, selecionadas estrategicamente para este fim (Unidade Básica de Saúde, CAPS, Hospital Geral, Pronto Socorros, etc), assim como dos serviços ou instituições informais;

d) a prioridade assistencial e de prevenção deve ser o adolescente e adultos jovens, sendo que a implicação dessa escolha deva ser criar serviços específicos para o tratamento ambulatorial e de internação para essa população. Nenhum adolescente deveria f**ar sem receber o melhor atendimento devido às repercussões do uso de substancias.

e) A assistência deve incluir todos os recursos e todos os CAPSad devem instituir o sistema de “porta aberta”. Os CAPSad deveriam se responsabilizar por encontrar o melhor tratamento para todos os pacientes e familiares que busquem esses serviços. Mesmo se o paciente abandonar o tratamento os CAPSad deveriam continuar oferecendo serviços para a família e buscar ativamente o engajamento dessa pessoa no serviço.

f) A internação involuntária deveria ser considerada como uma possibilidade de tratamento, desde que siga todas as condições já estipuladas em lei;

g) Todos os serviços de saúde da rede devem buscar a identif**ação precoce através de triagem para detectar o usuário problemático e imediatamente referendar para o CAPSad de referência;

h) O financiamento do SUS para o tratamento da Dependência Química deve ser para todos os serviços que recebam evidências na literatura médica internacional, são eles : Comunidades Terapêuticas, Enfermarias Especializadas em Hospitais Gerais e em Hospitais Psiquiátricos, Moradias Assistidas, Ambulatórios de Especialidades, Prontos Socorros.

i) Todo cidadão deveria receber o melhor cuidado possível disponível, de acordo com a sua necessidade clínica. Privar uma pessoa desses cuidados é uma negação dos direitos de cidadania.

j) O gestor público deveria de ter o compromisso de divulgar todos os serviços disponíveis na sua região para as famílias, escolas e comunidades.

Crítica ao projeto do governo LULA em relação ao CRACK (“PAC DO CRACK”)

A principal critica a esse projeto do atual governo é que temos “mais do mesmo”. Ou seja, a mesma equipe trabalhando no Ministério da Saúde e na Secretaria Nacional Antidr**as (SENAD) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da Republica, que foi incapaz ao longo dos últimos 12 anos de produzir formas de prevenção e de tratamento para a dependência química, não apresenta um plano ambicioso e tecnicamente consistente para lidar com a dimensão desse problema. As principais críticas são:

1 – O plano refere que dobrará os leitos em hospitais gerais para internação dos usuários de crack. Nenhum local é mais inadequado do que os hospitais gerais para internar um tipo de pessoa como o usuário de crack. No momento da internação eles estão irritados, violentos, muitas vezes com sintomas psicóticos, e, portanto necessitam de cuidados especiais que os hospitais públicos brasileiros não têm. O que precisamos é da criação de unidades especializadas, como o Governo do Estado de São Paulo criou em São Bernardo do Campo em parceria com a UNIFESP. Pequenas unidades de desintoxicação, onde o paciente pode receber um atendimento digno e tecnicamente adequado.

2 –O plano refere a ampliação da rede dos chamados CAPS (Centro de Atenção Psicosocial) para dependentes do álcool e dr**as. Ao longo dos anos a experiência mostrou que os usuários de crack têm uma baixa aderência ao tratamento ambulatorial, e investir mais dinheiro publico nesse serviço, sem a mínima evidência que funcionam para essa população é de uma irresponsabilidade ímpar. Temos atualmente 223 CAPS-AD no Brasil, no estado de São Paulo são 57. O número de pacientes atendidos nessa rede é absolutamente irrelevante quando pensamos que temos 600 mil usuários de crack nas nossas comunidades. Na melhor das hipóteses cada um desses CAPS faz por mês 1000 consultas, muitas vezes do mesmo paciente. O que dá uma idéia da ineficiência desse local para lidar com essa verdadeira epidemia do crack.

3 – O plano refere que esses mesmo CAPS-AD deveriam internar até 8 usuários de crack nas suas dependências. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) recentemente fez uma pesquisa avaliando os CAPS do estado de São Paulo e mostrou as dificuldades que passam esses locais pela falta de financiamento do Ministério da Saúde. O próprio CREMESP já se manifestou nos sentido de considerar essas “internações” nos CAPS como inadequadas, pois no período noturno esses locais f**am sem nenhuma retaguarda médica. Imaginar que oito usuários de crack possam f**ar sem assistência médica a noite mostra a irresponsabilidade dessa proposta.

4 – O plano refere que deveriam ser criados “Consultórios de Rua” para atender a população de usuários de crack que f**am perambulando pelas ruas. Não existe evidência de que esse tipo de ação possa retirar da rua essa população, pois se não existir uma rede especializada para dar continuidade a esse contato, esses “consultórios” deverão mais ajudar na manutenção do problema do que na solução.

5 – O plano refere também que deveriam ser criados “Pontos de Acolhimento” onde os usuários, especialmente os adolescentes deveriam ir para tomar banho ou descansar e receber orientações sobre como reduzir os danos decorrentes ao uso de substâncias. O mais provável é que esses locais acabem contribuindo para o consumo de dr**as e virem locais de uso. Além disso, fornecer informações sobre redução de danos para crianças e adolescentes, sem prover um tratamento estruturado, e até mesmo internações, é contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

21/04/2015

Vidas roubadas: mães enfrentam a dependência química dos filhos.

A partir deste domingo (23/2), o Correio publica uma série de reportagens sobre mulheres que enfrentam a dependência química dos filhos

“Foi quase um ano sem notícias.
Pensava que ela estivesse morta. Um dia, me ligaram dizendo que a minha filha estava internada em uma unidade psiquiátrica em Uberlândia (MG). Ela estava vivendo como mendiga e foi recolhida por um grupo que dá assistência à população de rua.

Depois de alguns dias no hospital, conseguiu, finalmente, lembrar o telefone de casa.” O relato dramático é de Neusa Francisca de Paula, 49 anos, uma dona de casa que mora no Guará e, há cerca de seis anos, sofre com a dependência química da filha mais velha. Mas Neusa não está sozinha. O Correio conversou com mulheres que tiveram a vida transformada depois que a maconha, o álcool, a co***na e o crack roubaram seus filhos e, a partir de hoje, conta essas histórias de dor e de esperança.

Os depoimentos trazem detalhes da rotina das mães que vivem dilemas diários diante dos desafios impostos pelo vício. Muitas sacrif**am a própria sobrevivência para a internação dos filhos. Outras chegam ao extremo de comprar dr**as ou pagar dívidas com traf**antes para afastá-los da violência. As críticas de familiares, as dificuldades em encontrar tratamento e o medo de perdê-los são sentimentos comuns a essas mulheres, que, apesar de tudo, não desistem deles.

É o caso de Neusa, que viu a comemoração dos seus 49 anos quase acabar em tragédia. Depois de receber amigos e parentes para um almoço, a dona de casa presenciou a filha mais velha, dependente química, atingir, com uma garrafa quebrada, o marido. A festa de aniversário terminou com polícia, ambulância, delegacia. Érica Paula da Silva, 32, está presa desde aquele dia, 18 de agosto de 2013. “Ela teve um surto, queria me matar e matar o padrasto. Foi o auge da loucura dela”, conta.

O episódio marca a história de luta da mãe pela recuperação da filha, que começou a usar dr**as quando se casou, há cerca de seis anos. “Quando o problema bateu na minha porta, foi um baque. Eu a eduquei da mesma forma que os meus outros cinco filhos, não imaginava que isso aconteceria conosco”, lembra. Após um namoro relâmpago, Érica e Jorge (nome fictício) decidiram formalizar a união na igreja e no civil. A filha de um relacionamento anterior da jovem foi morar com eles.
Depois que os dois passaram a dividir o mesmo teto, Neusa soube que o genro tinha várias passagens na polícia por roubo. Em pouco tempo, a filha dela também começou a praticar pequenos furtos e se afastou da família. Não demorou muito para a mãe descobrir que a filha estava usando dr**as. “Quando em me toquei do vício, ela já não falava coisa com coisa.”
Apavorada, ofereceu ajuda, mas os dois mudaram-se para o Entorno. Érica engravidou da segunda filha e aumentaram as preocupações de Neusa. O contato passou a ser cada vez mais raro. A cada mês, o casal se mudava para outra cidade. “Sempre que conseguia encontrá-la, ia até o local, dava assistência e tratava de fazer amizades com algumas pessoas para ter sempre informações. Uma delas foi o dono de um ferro-velho no Jardim Ingá (GO), que sempre me dava notícias. Esse senhor tinha pena, sempre a via pelas ruas, usando droga, apanhando.”
Em 2009, o casal se separou. Jorge ficou com as duas meninas e voltou para Brasília, mas Érica sumiu. Mais de um ano depois, Neusa recebeu um telefonema e soube que a filha estava em Minas. Ela não tinha ideia de como a jovem tinha conseguido chegar até lá. Soube depois que Érica pediu caronas e chegou a se prostituir para seguir viagem.

“É um pedaço da gente”

Acabou presa por mais de um ano depois de tentar assaltar uma loja. Em 2011, apareceu na porta da casa de Neusa, no Guará. “Não sabia se chorava, se f**ava triste, mas o meu coração ficou tão alegre. Eu agradeci a Deus por minha filha estar viva. É um pedaço da gente”, conta, em lágrimas.
Em pouco tempo, as preocupações voltaram. “Ela não parou com as dr**as, retomou os contatos com os antigos amigos. Usava todo o tipo de porcaria, álcool, co***na, maconha. Mas foi com o crack que a vida dela acabou.”
Muitas vezes, a família precisou chamar o Corpo de Bombeiros para conter as crises. Foram muitas internações no Hospital São Vicente de Paula, unidade localizada em Taguatinga e dedicada a pacientes psiquiátricos. “Ela f**ava na rua três, quatro dias. Voltava para casa louca e dizia que queria me matar. A polícia vivia na nossa porta. Os meus outros filhos viviam apavorados e começaram a ter antipatia pela irmã, medo mesmo.” As temporadas longe de casa f**avam cada vez mais longas.
Neusa lembra que muitas vezes encontrava a filha pedindo esmola em comércios. “Às vezes, ela me perguntava se podia ir em casa comer. Aquilo acabava comigo. Ela chegava toda suja, fedida”, lembra. Quando Érica estava em casa, todos precisavam f**ar de olho, pois a jovem levava objetos para trocar por crack. “Vivia um conflito muito grande e já não tinha mais vida. Mesmo ela me roubando e fazendo confusão, eu pensava: ‘É minha filha também’”, confessa a mãe.

Pedido de socorro

Neusa descobriu que a filha também estava doente numa conversa com uma amiga. “Ela me disse: ‘Você já percebeu o tanto que a sua filha está doente? Ela está precisando de ajuda. Não desiste, porque ela precisa de você. A Érica só tem você. Ela roda, roda, mas acaba sempre na porta da sua casa, não perdeu a referência. Ela está te pedindo socorro’.”
Decidida a recuperar a filha, ela procurou o pai de Érica e os dois resolveram que era a hora de interná-la em um centro de recuperação. Optaram por uma clínica em Goiás e pagaram, com muito sacrifício, R$ 15 mil pelo tratamento que durou 10 meses. Lá, ela recebeu o diagnóstico de bipolaridade e esquizofrenia, doenças desencadeadas pelo uso abusivo de entorpecentes. A cada 15 dias, a mãe visitava a filha. Durante esse tempo, Neusa descobriu que a doença de Érica afetou a saúde de toda a família. A dona de casa, por exemplo, precisou tratar de uma depressão.
Após quase um ano de internação, Érica voltou melhor, com promessas de que não fumaria mais crack nem voltaria para a rua. Aos poucos, porém, Neusa acompanhou a retomada dos velhos hábitos, que culminaram na prisão da filha por tentativa de assassinato. Hoje, a jovem aguarda pelo julgamento na Penitenciária Feminina do DF. “Ela tem um dívida com a sociedade, precisa pagar, mas a minha filha está doente e precisa de um tratamento também”, avalia.
Neusa trabalha pela instalação do Instituto de Codependentes Químicos do DF, da qual é presidente. A possibilidade de ajudar outras mães e usuários põe um sorriso no rosto da mulher cansada de sofrer. Às voltas com o processo da filha, a dona de casa ainda não teve coragem de visitá-la na prisão. “Ela me mandou uma cartinha desejando feliz Natal. Agora, estou preparada para ir lá”, garante.

Para saber mais

Doença afeta toda a família

Os danos psicológicos e físicos causados aos parentes mais próximos de um usuário de dr**as foram quantif**ados recentemente por pesquisadores brasileiros, por meio do Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos, coordenado pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Outras Dr**as, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Dr**as, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O estudo estima que pelo menos 28 milhões de pessoas vivam hoje no Brasil com um dependente químico em casa. Ao todo, 3.153 famílias de todas regiões do país foram entrevistadas, de junho de 2012 a julho de 2013. Entre as pessoas ouvidas, as mulheres foram maioria (80%). Dessas, 46% eram mães.
Os efeitos do problema na saúde dos parentes foram comprovados pela pesquisa. Eles apresentam signif**ativamente mais sintomas físicos e psicológicos que a média da população. Observou-se também que as mães sofrem mais esses danos que outros familiares.
A pesquisa constatou ainda que muitas mães abandonam as atividades, são demitidas ou têm a produtividade reduzida em função de atrasos constantes ou de problemas de saúde. Os impactos na vida financeira das famílias também são grandes. Entre os entrevistados, quase a totalidade afirmou bancar inteiramente o tratamento.
De acordo com Ronaldo Laranjeira, um dos coordenadores do estudo, o conhecimento dessas informações é de fundamental importância para o planejamento de tratamentos mais amplos e eficientes e de políticas de saúde pública com foco no amparo dessa população.

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