03/08/2026
Receber, Hospedar, Alimentar e Entreter são quatro "tempos" distintos da Hospitalidade - regulam as relações e criam vínculos, já muito bem explorado pelo Prof. Camargo, desde o início dos anos 2000.
Neste último final de semana assisti ao excelente filme Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, adaptado do famoso poema épico de Homero – com nada mais e nada menos no elenco que Tom Holland, Matt Damon, Anne Hathaway, Zendaya entre outros.
Tentando não dar muitos Spoilers, preciso destacar o quanto é retratada a importância dos fundamentos das Leis (não escritas) da Hospitalidade nas relações humanas. Especialmente referente à "hospedagem a estranhos" (uma obrigação moral e religiosa para a época) que forma o importante pano de fundo do filme que abarca quatro regras fundamentais da hospitalidade: a incondicionalidade (por meio da acolhida imediata), a reciprocidade, a assimetria e a compensação. O próprio símbolo do Cavalo de T***a, quebra a hospitalidade e a confiança, ao ofertar hostilidade disfarçado de hospitalidade - por meio do "presente de grego" ofertado aos troianos e bem castigado por seus "deuses" por corromper esses fundamentos. A hospitalidade é fundamentada na dádiva.
Homero a escreveu por volta do século VIII a.C. Ainda nem havíamos recebido os importantes ensinamentos da era Cristã sobre este mesmo tema. Ao sair do filme para o mundo da hospitalidade comercial, percebemos o quanto essas bases regem o comportamento humano e do consumidor de serviços - ao transformar transações pessoais em comerciais e conexões emocionais e empatia em confiança, valor e fidelização. O acolhimento genuíno (ainda que possa ser treinado e ensinado no nível comercial) orienta e fundamenta a qualidade percebida.
Quando falham, frustram e imediatamente transformam rituais de hospitalidade, em hostilidade. Perceba que o poder invisível da hospitalidade e o valor intangível das relações é maior que a própria qualidade da estrutura física.
Se ainda não assistiu ao filme, recomendo ir e tentar conectar com as nossas Odisseias diárias...
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