29/10/2026
Tenho observado um comportamento que começa a me preocupar: estamos recorrendo à inteligência artificial até para decisões que deveríamos ser capazes de tomar sozinhos.
Recentemente, acompanhei uma situação com um diretor de muita experiência e conhecimento do negócio. Antes de tomar uma decisão, ele recorreu à IA para saber o que ela pensava. E isso me chamou a atenção. Não porque consultar a IA seja um problema. Pelo contrário. Ela pode ampliar perspectivas, organizar informações e trazer critérios importantes, mas existe uma diferença enorme entre buscar apoio e precisar de validação para confiar no próprio julgamento.
Nos meus processos de consultoria e mentoria, trabalho justamente para que líderes desenvolvam autonomia, pensamento crítico e confiança nas próprias decisões. E tenho uma preocupação: quanto mais terceirizamos nosso raciocínio, menos exercitamos essas competências.
Um líder pode usar a IA para analisar cenários, mas não pode transferir a responsabilidade por suas decisões. Pode usá-la para explorar ideias, mas precisa continuar exercitando sua criatividade. Pode buscar sugestões para uma conversa difícil, mas a escuta, a sensibilidade e a empatia continuam sendo responsabilidades humanas.
Minha preocupação não é que a IA esteja ficando inteligente demais. É que nós deixemos de exercitar capacidades que sempre foram essenciais para liderar.
A tecnologia pode ampliar nossa inteligência, mas não deveria substituir nossa capacidade de pensar. E você, onde estabelece o limite entre usar a IA como apoio e depender dela para decidir?