24/08/2026
Já vi versões dessa história em muitas organizações.
No discurso:
“Queremos pessoas protagonistas.”
“Precisamos de mais autonomia.”
“As pessoas precisam assumir responsabilidade.”
Na prática:
Uma decisão atravessa quatro níveis.
O gestor precisa consultar o diretor.
O diretor quer revisar.
Alguém pede para colocar mais uma pessoa em cópia. E decisões pequenas sobem pela organização até encontrarem alguém autorizado a dizer sim.
Depois a liderança pergunta: “Por que as pessoas não têm autonomia?”
Talvez porque autonomia não seja uma competência que simplesmente ensinamos às pessoas. Autonomia também é uma característica do sistema.
Não adianta pedir protagonismo se a arquitetura de decisão foi construída para controle.
Não adianta desenvolver líderes se eles não têm espaço real para liderar.
Não adianta contratar pessoas excelentes e continuar concentrando decisões no topo.
Por isso, cada vez mais acredito que transformação organizacional não acontece apenas mudando comportamentos.
Às vezes precisamos mudar como o trabalho foi desenhado.
Quem decide?
Quem precisa ser consultado?
O que realmente precisa de aprovação?
E o que poderia simplesmente acontecer?
Talvez uma das perguntas mais importantes para uma liderança hoje seja: o que ainda passa por mim que já não deveria passar?