05/07/2026
O homem que se declarou vencedor quando tudo parecia perdido
Confesso que travei quando esse homem afirmou ser um vencedor, pois as palavras dele me pareceram absurdas e explico o motivo.
Ele estava prestes a ser preso, não tinha cargo de destaque, não era rico e não controlava nada do que hoje a sociedade costuma chamar de poder.
Então por que se via como vencedor?
Na cultura atual, alguém para se declarar vitorioso precisa ter patrimônio, influência política, conexões poderosas, ser dono de uma grande empresa ou instituição. Alguém que a sociedade chamaria de vencedor sem esforço.
Mas não era esse o caso. Na concepção desse homem, a vitória tinha um valor muito diferente daquilo que costumamos acreditar. E isso me deixou estupefato.
Porque, por muito tempo, eu também comprei essa ideia de vitória.
Eu já trabalhei em grandes empresas. Já ocupei cargos importantes. Já estive em lugares que, vistos de fora, pareciam significar “cheguei lá”. E mesmo assim, em muitos momentos, eu me senti em dívida com a vida. Como se ainda faltasse alguma coisa para finalmente me autorizar a dizer: agora sim, eu venci.
A lógica era sempre a mesma. Se eu alcançasse aquele cargo, faltaria outro. Se eu tivesse aquela renda, precisaria de mais. Se meu nome chegasse até certo lugar, eu ainda compararia com alguém que foi mais longe.
É assim que a cultura da performance funciona: ela nunca entrega descanso. Pode até entregar aplauso, status e dinheiro. Mas descanso, não. Porque vive de produzir uma sensação crônica de insuficiência. A gente corre; conquista; sorri; posta; compara; e volta a correr. No fundo, a mensagem é sempre a mesma: nunca somos suficientes.
Daqui a pouco eu volto a falar do homem que me fez repensar essa forma de ver o sucesso.
O filósofo Byung-Chul Han ficou conhecido justamente por descrever essa lógica de uma sociedade do desempenho, em que a cobrança já não vem só de fora. Ela mora dentro da gente. E o resultado disso é uma cultura cansada, ansiosa e esgotada, que transforma desempenho em identidade e descanso em culpa.
Foi só quando eu comecei a revisitar a minha própria história com mais carinho que alguma coisa mudou. Eu parei de olhar para a minha v