370 léguas

370 léguas Literatura, prosa, crónicas e contos. A filosofia e a arte como antídotos.

Esta declaração tem muito que se lhe diga. Ou é só mesmo um disparate?
08/09/2026

Esta declaração tem muito que se lhe diga. Ou é só mesmo um disparate?

08/09/2026

Não quero pertencer a nenhuma organização que me aceite como membro.

Agora imaginem, que o Merz, para provar que é macho, e prevenir uma vitória mais alargada da AfD no governo federal, dec...
08/09/2026

Agora imaginem, que o Merz, para provar que é macho, e prevenir uma vitória mais alargada da AfD no governo federal, decide mesmo dar uma surra no inquilino do kremlin...quando sabemos que há imensa agitação na Tchetchénia.

08/09/2026

Triste mundo este no qual as mulheres pagam para ter s**o.

Assaltou-me um pensamento de um filme que vi - Under the Silver Lake. O filme apresenta uma tese que já conhecia: tudo n...
08/09/2026

Assaltou-me um pensamento de um filme que vi - Under the Silver Lake. O filme apresenta uma tese que já conhecia: tudo na tua identidade é algo fabricado, artificial e sintético. É algo que te é dado de modo subliminar que tu aceitas como teu porque não tens capacidade de distinguir a realidade da ficção. E são umas elites super sofisticadas que produzem toda a tua cultura. Conheço a tese desde a adolescência. E sabem que mais? É treta. Claro que é treta. Ou melhor, é uma meia-verdade. É um facto que para muita gente os lugares comuns são adquiridos desta forma. Mas é falso que estas forças sejam assim tão dominantes. Afinal, as ramificações da cultura e da arte, são muito complexas e difíceis de instrumentalizar totalmente. Há pessoas que acreditam que possuem esse poder e esse dom. Mas isso também é treta.

07/09/2026

Desejo mimético

Penso que li isto em Schopenhauer, embora já não tenha a certeza. A memória não é o meu forte, nem a astúcia. Mas a ideia era mais ou menos esta: a grande maioria das pessoas sofre por coisas supérfluas. Sofre por coisas de que não precisa.

Nas querelas da vida, dou por mim a reconhecer isso. Eu próprio ocupo o meu tempo, a minha paciência e os meus nervos com coisas absolutamente inúteis ou fúteis. Sei que a futilidade também é uma arte. E a arte faz parte da vida. A vida não é feita apenas de Necessidade. Os gregos sabiam-no bem: a Necessidade é uma musa imperiosa, mas não é a única.

Ainda assim, sou forçado a perguntar-me o que preciso, afinal, para ser feliz.

Não digo que seja necessário ser feliz. Talvez esteja apenas a dar um passo em frente — ou acima — na pirâmide de Maslow. Depois de resolvidas algumas necessidades, o que é que realmente procuramos? O que preciso eu para estar bem?

Felizmente, tenho um superpoder: não sofro por validação.

Já sofri. Já tive necessidade de pertencer, de ser reconhecido, de fazer parte das cortes, das tribos, dos pequenos clubes exclusivos e até dos pequenos comités. Já procurei o olhar dos outros e a confirmação de que também tinha lugar à mesa.

Mas isso parece ser água passada. Já não move estes moinhos.

E vou ser sincero: geralmente preciso da companhia de um livro. Ando quase sempre com livros na mochila. Preciso de escrever — e escrevo diariamente. Preciso de algum cinema ou de uma série de vez em quando. E preciso, sobretudo, de estar sempre a estudar ou a aprender qualquer coisa. Neste momento, estudo Fenomenologia.

Talvez seja precisamente para tentar compreender a minha própria desordem que, no outro dia, entrei na Bertrand e pedi Ser e Tempo, de Martin Heidegger, e perguntei pelos livros menos conhecidos de Camilo Castelo Branco. Ser e Tempo é, de facto, a obra maior de Heidegger e foi publicada em 1927.

Saí de lá com O Príncipe, de Maquiavel, e com um dos livros que deram origem a Game of Thrones.

É um grande salto entre a vontade e o desfecho.

Mas, pensando bem, talvez seja precisamente esse o ponto. Não preciso necessariamente dos livros que procuro. Preciso de livros que me façam companhia.

Na realidade, o que preciso para estar bem é estar ocupado entre a escrita e a leitura. Preciso desse movimento contínuo entre aprender, pensar, escrever e voltar a aprender. É esse estímulo que me mantém desperto e, de alguma maneira, reconciliado comigo e com o mundo.

Talvez isto também seja uma forma de desejo. Mas não me parece um desejo mimético.

Não quero necessariamente aquilo que os outros querem. Não quero ser aquilo que os outros são. Não procuro nos outros uma autorização para desejar.

Tenho uma rotina que escolhi — ou, pelo menos, que fui escolhendo — e que me satisfaz. Talvez a felicidade seja menos uma questão de conquistar alguma coisa do que de descobrir aquilo de que não precisamos para estar bem.

E o leitor: o que o faz feliz?

07/09/2026

Este é capaz de ser um facto interessante: o primeiro ser humano que os extraterrestres podem conhecer é Adolfo Hi**er. Isto porque a primeira transmissão de rádio que ultrapassou a ionosfera foi o discurso dele nos Jogos Olímpicos de 1936. E esta, hein?

Este mundinho é tão divertido. Mas parece que a companhia não era para ela, era para uma amiga.
07/09/2026

Este mundinho é tão divertido. Mas parece que a companhia não era para ela, era para uma amiga.

07/09/2026

Somos muito mais punidos por tiranias horizontais do que verticais:

Hoje numa conversa com um colega, ele disse-me que estava preocupado com a vigilância das nossas opiniões. Como tenho um lado de provocador repliquei: mas quem se interessa pelas nossas opiniões? Ele disse, os "donos disto tudo". Certo. Mas fiquei a refletir, será que no grande esquema das coisas, alguém se interessa com as nossas opiniões? Com a exceção de quem nos dá atenção, as nossas opiniões são completamente irrelevantes. Não contam para nada, nem para escolher deputados, presidentes de câmara ou de freguesia, muito menos ministros - nem sequer na escolha das leis. O nosso voto também vale muito pouco - em todas as dimensões. Creio que a iniciativa de criar um estado policial tipo "Big Brother" não é desejável para os DDT desta vida. A relação custo-benefício simplesmente não faz sentido.

Quem quer ajudar-me a comprar umas Adidas?
07/09/2026

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