19/08/2026
“É só uma fase.”
Pode ser. Mas como sabemos?
No desenvolvimento infantil, não devemos olhar apenas para o comportamento, mas para o contexto, a frequência, a flexibilidade, a função e, sobretudo, para a evolução ao longo do tempo.
Alinhar brinquedos, fazer ecolalias ou apresentar movimentos repetitivos não significa, por si só, autismo.
A questão é perceber:
A criança consegue ser flexível?
Consegue brincar de outras formas?
Consegue interromper o comportamento?
Usa a comunicação de forma funcional?
Existem outros sinais associados?
Está a adquirir novas competências?
Uma fase tende a evoluir. Uma dificuldade que merece atenção pode persistir, intensificar-se ou começar a interferir com a participação da criança.
E há um sinal que não devemos desvalorizar: a perda de competências que já estavam adquiridas.
Não precisamos de patologizar comportamentos típicos do desenvolvimento. Mas também não devemos atribuir tudo a “uma fase” quando existem sinais persistentes ou várias áreas do desenvolvimento envolvidas.
Às vezes, o mais importante não é descobrir imediatamente “o que é”, mas perceber se a criança está a continuar a desenvolver-se e a adquirir novas competências.