10/08/2026
Em Portugal, 7 em cada 10 utilizadores de antidepressivos são mulheres.
Nos antidepressivos, a proporção aproxima-se de 3 mulheres por cada homem.
Num estudo europeu com mais de 34 mil pessoas de 10 países, as mulheres apresentaram uma probabilidade 2 vezes superior à dos homens de utilizar medicação psicotrópica, mesmo depois de controlados factores como idade, rendimento, educação e emprego.
Portugal registou a prevalência mais elevada dos 10 países analisados: 21,7% da população utilizou algum psicofármaco no último ano.
Estes números não significam automaticamente que as mulheres têm mais sofrimento do que os homens. A realidade é mais complexa, os homens têm menor tendência para reconhecer e comunicar sofrimento psicológico, e expressam-no frequentemente de outras formas: álcool, comportamentos de risco, isolamento. Quantos ficam fora das estatísticas precisamente porque não procuram ajuda?
O que os números revelam é outra coisa: um padrão.
Muitas mulheres aprendem cedo a ser boas, disponíveis, fortes e funcionais à custa do que sentem. A cultura ensina-lhes que cuidar dos outros vem antes de cuidar de si. Que aguentar é uma virtude. Que pedir ajuda é fraqueza.
A psiconeuroimunologia mostra-nos o que acontece quando esse padrão se instala cronicamente: a supressão emocional continuada activa o eixo de stress do organismo, elevando os níveis de cortisol de forma sustentada. O resultado é mensurável: desregulação hormonal, alterações na função imunitária, aumento da resposta inflamatória.
Os sintomas vêm muitas vezes antes de qualquer diagnóstico: a menstruação que desaparece com o stress, o sono que não traz verdadeiro descanso, a exaustão que nenhuma vitamina resolve, os sintomas que regressam sem explicação aparente.
Liderança sustentável começa aqui. Não em mais produtividade ou melhores estratégias. Começa com menos funcionamento automático, mais corpo, mais limites, mais verdade.
Que sinal tem o teu corpo tentado mostrar-te?
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