Lisboa Desaparecida

Lisboa Desaparecida "4 décadas de criatividade pessoal ao serviço da consciência colectiva na defesa de Lisboa." A obra Desde 1984 na Imprensa escrita. Desde 2008 nas redes sociais.

Desde 1987 nas livrarias de todo o país.

01/09/2026
A Casa Africana foi fundada em 1872 pela firma Raymundo Seixas & Fonseca, estabelecendo-se na Rua da Vitória (números 33...
27/08/2026

A Casa Africana foi fundada em 1872 pela firma Raymundo Seixas & Fonseca, estabelecendo-se na Rua da Vitória (números 33 a 37). Pouco depois, alargou actividade à Rua Augusta (154 e 156), no edifício onde mais tarde se instalaria a Rosado & Pires. A empresa passou pelas firmas Loureiro & Paes e Loureiro, Rumina & Azevedo.

Em 1901, foi adquirida por Manuel Freire da Cruz. Transferiu-se para o grande edifício da Rua Augusta (157 a 171), com frentes também para a Rua da Vitória (66 a 80), e Rua dos Sapateiros, (98 a 104). Ocupava inicialmente o rés-do-chão mas após longas obras de adaptação, expandiu secções por todos os andares do imóvel. Em 1911, com a saída do sócio José Mendes Cogumbreiro, a firma passou a designar-se Freire da Cruz & C.ª, Lda. Prosseguiu em expansão, com a abertura de uma filial no Porto, em 1914, na Rua de Sá da Bandeira. Manuel Freire da Cruz retirou-se da gerência em 1942, sucedendo-lhe o filho. No ano seguinte, entrou para a administração Racine Freire da Cruz.

A empresa era sólida e vestia meia Lisboa das décadas de 50, 60 e 70. No último andar, compravam-se as batas escolares. Entre elas, a do meu colégio, de bolinhas brancas sobre azul, sempre fabricada por encomenda.

O carregador de embrulhos que ajudava os clientes mais frequentes era famoso desde os anos 20. Durante sete décadas, quando alguém era sobrecarregado de trabalho ou de embrulhos, dizia: 'Olha que eu não sou o preto da Casa Africana!' A expressão, que ainda aparece, sobreviveu à própria loja.


Continua:

A mãe dos blogs sobre LISBOA. Baseado no best-seller LISBOA DESAPARECIDA da historiadora MARINA TAVARES DIAS,fenómeno editorial desde 1987.

[...] Lá em baixo, os bombeiros dobram a esquina em chamas da Casa José Alexandre, onde toda a minha família teve lista ...
25/08/2026

[...] Lá em baixo, os bombeiros dobram a esquina em chamas da Casa José Alexandre, onde toda a minha família teve lista de casamento. Vão tentar criar uma barreira no topo da colina do Carmo, usando as traseiras do antigo liceu. Nota-se afluência à Calçada do Sacramento. Dentro da Brasileira, de olhos postos nos buracos onde estiveram os quadros, tento ligar para o jornal usando o pequeno telefone encarnado, mesmo à porta. Em vão. As linhas não funcionam entre o Terreiro do Paço e o Bairro Alto. Repetidas vezes, o aparelho cospe todas as moedas de vinte e cinco tostões.

No torvelinho de mil conversas, alguém indaga por que não aparecem os helicópteros de combate às chamas. Logo a seguir, ouço o protesto óbvio contra os novos canteiros que o presidente da Câmara mandou colocar na Rua do Carmo: «Nenhum carro de bombeiros conseguiu passar por aquele lado!» Pergunto pela pessoa com quem costumo tomar a bica da manhã. Parece que foi para o tabuleiro do elevador. Há gente quem tenha jurado mandar dali abaixo «uns certos senhores». Ao fundo da sala, o relógio não foi apeado. Nem a tela de Noronha da Costa que o acolhe ao centro. Decerto porque não conseguiram arrancá-los à pressa. Se o fogo chegar aqui, à velocidade a que se move, arderão como tudo o resto.

São nove da manhã. O incêndio chega ao telhado do edifício do Jerónimo Martins, a mercearia mais célebre de Lisboa, para onde o próprio Alexandre Herculano vendia o seu azeite de Vale de Lobos. Do outro lado da rua, é difícil vislumbrar se ainda existe alguma coisa depois da Calçada do Sacramento. Tenho de voltar para o jornal. Ainda desço o quarteirão até à esquina da Livraria Sá da Costa. O vento sopra papelotes em todas as direções. Etiquetas de preços do Grandella, faturas do Eduardo Martins, autocolantes do Martins e Costa. Dir-me-ão mais tarde que alguns papéis foram apanhados em Almada.»



Texto completo aqui:
https://lisboa-antiga.blogspot.com/2026/08/o-dia-do-incendio-do-chiado.html

23/08/2026

Igreja do Santo Condestável. Rua Saraiva de Carvalho, Campo de Ourique. Edição cartófila sem data (década de 1960).

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