Cristina Fernandes

Cristina Fernandes Consultoria e Formação em Cerimonial e Protocolo, Secretariado e Assistência Executiva

Nesta época tão especial do ano, gostaria de vos expressar os meus votos de Santo Natal!Que a magia deste período nos in...
11/12/2023

Nesta época tão especial do ano, gostaria de vos expressar os meus votos de Santo Natal!
Que a magia deste período nos inspire a cultivar a paz e a partilhá-la, generosamente, com todos ao nosso redor. Que possamos abraçar a serenidade que as Festas nos proporcionam, lembrando-nos de que a verdadeira essência desta quadra vai além de presentes e festividades, sendo uma oportunidade para renovar votos de respeito, de compreensão, de compaixão, de tolerância e de solidariedade. Que possamos construir um futuro onde a paz seja uma realidade, que começa em cada um e se estende a todos. Que as Festas nos levem a apreciar os momentos simples, a sorrir e a nos doarmos a quem precisa.
Desejo-vos um Santo Natal e um Ano 2024 pleno de saúde, de alegria, de realizações pessoais e profissionais e, acima de tudo, de paz duradoura. Que o próximo ano nos traga, ainda, mais motivos para celebrar a vida!
Boas Festas!

Carlos III, a coroação esperadaIntroduçãoApós o falecimento da Rainha Isabel II em setembro de 2022, o seu primogénito C...
02/05/2023

Carlos III, a coroação esperada
Introdução
Após o falecimento da Rainha Isabel II em setembro de 2022, o seu primogénito Carlos, até então Príncipe de Gales, assume (finalmente) o papel para o qual se preparara durante décadas, o de Rei Carlos III. O 62º Monarca ascendeu ao trono a 8 de setembro de 2022, a coroação foi proclamada a 9 de novembro de 2022 e a data da cerimónia de coroação, em Westminster Abbey, é 6 de maio de 2023 (anunciada por Buckingham Palace a 11 de outubro de 2022).
A coroação de um Soberano britânico é uma cerimónia protocolar que assinala, oficialmente, a sua ascensão ao trono. Acontecimento ímpar, marcado pelo cerimonial, pela tradição, pelo simbolismo, pelo ritual, pela p***a, é uma celebração religiosa solene, conduzida pelo Arcebispo de Canterbury (o líder da Igreja Anglicana, Justin Welby), que se mantém praticamente inalterada desde 1066.
As cerimónias da coroação de Monarcas no Reino Unido remontam a tempos imemoriais. Atualmente, um soberano sucede, por lei, imediatamente após a morte do anterior, embora a coroação continue a ser um marco importante no início de um novo reinado. As coroações perpetuam uma tradição europeia que surge com o propósito de consolidar o envolvimento da Igreja no Estado. O momento crucial da cerimónia de coroação é a unção com óleo sagrado, que simboliza a concessão da graça de Deus a um governante. Note-se que atualmente, na Europa, o Reino Unido é a única monarquia a manter esta tradição.
Apesar das características marcadamente religiosas desta cerimónia, nela estão igualmente presentes aspetos da Constituição (não codificada) do Reino Unido, criando um momento muitíssimo encenado por práticas de um cerimonial singular e belíssimo: cortejo, reconhecimento, unção, juramento da coroação, homenagem, novo cortejo.
No Juramento da Coroação, o Monarca jura governar os povos do Reino Unido e dos Reinos da Commonwealth “de acordo com suas respetivas leis e costumes”, constituindo este o único ponto realmente exigido por lei, e mutável de coroação para coroação, de modo a refletir, naturalmente, eventuais mudanças na composição territorial do Reino Unido e da Commonwealth.
Tratando-se de um evento oficial, os custos são suportados pelo governo do Reino Unido. A título de curiosidade, refira-se que a coroação da Rainha Isabel II, ocorrida em 2 de junho de 1953, tenha tido um custo de £912,000.
O novo Soberano, acompanhado da Rainha consorte Camilla, é coroado apenas alguns meses após a sua ascensão porque, por tradição, se entende que a nação vive um período de luto, após o falecimento do anterior Monarca. Na prática, este tempo é totalmente necessário para concluir a complexa organização da totalidade das cerimónias.
A cerimónia de coroação insere-se num programa de comemorações que decorrerá ao longo de três dias, incluindo dois cortejos protocolares, uma celebração religiosa, um concerto no Windsor Castle, eventos públicos. Este mega-acontecimento foi designado como “Operation Golden Orb”, sendo alvo de planeamento ao longo de vários anos, por uma equipa designada “Coronation Executive Committee”, constituída por Ministros, membros da Casa Real, do Conselho Privado, da Igreja Anglicana, dos Reinos da Commonwealth. Este grupo de trabalho é presidido pelo Earl Marshal (atualmente Edward William Fitzalan Howard, 18º duque de Norfolk, que foi também responsável pelo Funeral de Estado da Rainha Isabel II). Contudo, o Monarca também influencia, significativamente, escolhas relativamente à sua coroação.
O programa
A 21 de janeiro, Buckingham Palace divulgou o programa completo das comemorações, que decorrem oficialmente entre 6 e 8 de maio de 2023.
A 6 de maio
Acontece a Coroação de Carlos III e da Rainha consorte Camilla, na Westminster Abbey. A mensagem sobre a qual a celebração está estruturada reflete o papel do Monarca na atualidade, olhando para o futuro, mas, simultaneamente, considerando as tradições e o esplendor da História.
Carlos III e a Rainha consorte Camilla chegarão a Westminster Abbey, provenientes de Buckingham Palace, num cortejo designado como “The King’s Procession”. Após a cerimónia, os Monarcas regressam a Buckingham Palace, igualmente em cortejo protocolar, ao qual se unirão outros membros da Família Real, este designado "The Coronation Procession”. Os Monarcas serão transportados no “Gold State Coach”.
Em Buckingham Palace, os Monarcas acompanhados por membros da Família Real, saudarão a partir da varanda do palácio, encerrando, desta forma, os momentos cerimoniais do dia. Por estratégica decisão do Rei (divulgada publicamente a um mês da coroação), apenas os designados “working members” da família estarão presentes neste momento tão significativo: os Príncipes de Gales e seus três filhos, a Princesa Real Ana e seu marido, os Duques de Edimburgo, os Duques de Gloucester, o Duque de Kent e sua irmã, a Princesa Alexandra.
A 7 de maio
Decorre o “Special Coronation Concert”, em Windsor Castle, encenado e transmitido ao vivo pela BBC, com parte dos lugares na assistência a serem disponibilizados ao público. O concerto reunirá vários artistas na comemoração desta ocasião histórica. Momento especial será o “Lighting up the Nation”, quando todo o país se unirá em projeções e iluminações.
Também o “Coronation Big Lunch”, acontecimento festivo em que vizinhos e comunidade(s) são convidados à partilha de refeição e diversão. É esperado que ocorram centenas de eventos em todo o Reino Unido, nas ruas, nos parques, nos jardins, para que as diferentes comunidades possam comemorar publicamente este acontecimento histórico (é expectável que estes eventos se prolonguem por todo o mês de maio).
A 8 de maio
“The Big Help Out” acontecerá na sequência de um convite ao incentivo para que as pessoas se voluntariem e se unam em trabalhos de apoio, nas suas áreas. Um dos principais objetivos é a sensibilização da população para o voluntariado, enfatizando os respetivos benefícios, transmitindo uma mensagem que incide na importância da partilha, do serviço ao outro e da entreajuda, sobretudo aos mais vulneráveis e solitários. Estes são valores muito importantes na sociedade britânica.
A simbologia do convite
Buckingham Palace partilhou, a 4 de abril, o convite que foi endereçado a cerca de 2.000 convidados que estarão presentes em Westminster Abbey. O convite foi desenhado por Andrew Jamieson, especialista em heráldica e iluminuras, cuja obra se caracteriza por se inspirar nos temas de cavalaria e na Lenda Arturiana. A arte original do convite foi pintada à mão em aquarela e guache, e o desenho será reproduzido e impresso em cartão reciclado (numa alusão às preocupações ambientais do Monarca).
Destaque para o motivo “Green Man”, figura lendária da cultura britânica, símbolo da primavera e do renascimento, coroado com folhas de carvalho, hera e espinheiro, plantas emblemáticas no Reino Unido. Igualmente estão presentes lírios do vale, centáureas, morangos silvestres, rosas, campainhas azuis e alecrim (símbolo de lembrança) bem como uma abelha, uma borboleta, uma joaninha, uma carriça e um tordo. As flores aparecem em grupos de três, significando que o Rei se tornou o terceiro Monarca de seu nome.
Os convidados
Na medida em que se trata de uma cerimónia oficial, em última instância a lista de convidados é avalizada pelo Governo. Certamente, estarão presentes representantes da Igreja e do Estado, personalidades dos Estados da Commonwealth, outros dignatários nacionais e internacionais, representantes de Casas Reais estrangeiras, além naturalmente da Família Real Inglesa.
Na coroação da Rainha Isabel II estiveram presentes mais de 8.000 convidados e representadas 129 nações.
A Rainha Consorte
A Duquesa da Cornualha será coroada Rainha Consorte, ao lado de seu marido o Rei Carlos III, com a coroa da Rainha Mary (consorte do Rei George V), constituindo um momento único na história recente, na medida em que é a primeira vez, desde o século XVIII, que uma Rainha consorte é coroada com uma coroa já existente, nitidamente por motivos de sustentabilidade. Esta coroa é da autoria do joalheiro Garrard & Co (Londres, 1735) e data de 1911.
A Rainha Consorte apoiará o Rei no desempenho das suas funções e obrigações. Imediatamente após a coroação, terá o tratamento de Rainha Camilla, caindo, portanto, o termo “consorte”.
Recorde-se que os consortes masculinos de uma rainha reinante não são coroados.
A simbologia da música
Foram encomendadas doze peças musicais para a cerimónia de coroação, revelando talentos musicais do Reino Unido e da Commonwealth, numa diversidade de estilos musicais e de artistas, conjugando tradição e modernidade, mas refletindo a proximidade e gosto do Rei pela música e pela arte.
De notar que, por pedido expresso do Monarca, em homenagem a seu pai o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, a música Ortodoxa Grega também fará parte da celebração.
A simbologia do óleo
O óleo que será usado para ungir Carlos III foi consagrado em Jerusalém, durante uma cerimónia muito especial que aconteceu na Igreja do Santo Sepulcro, pelo Patriarca de Jerusalém, Sua Beatitude Patriarca Teófilo III, e pelo Arcebispo Anglicano de Jerusalém, Hosam Naoum.
O óleo provém de azeitonas prensadas nos arredores de Belém, após serem colhidas em dois olivais no Monte das Oliveiras, no Mosteiro de Maria Madalena e no Mosteiro da Ascensão. O Mosteiro de Maria Madalena é o local onde está sepultada a princesa Alice da Grécia, avó paterna de Carlos III. O óleo foi perfumado com óleos essenciais de gergelim, rosa, jasmim, canela, âmbar e flor de laranjeira.
Este óleo baseia-se no usado na coroação da Rainha Elizabeth II, cuja fórmula é a mesma desde há centenas de anos, sendo também usado para unção da Rainha Consorte.
As insígnias (“Regalia”)
Dois bastões reais, três espadas (representando Misericórdia, Justiça Espiritual, Temporal e Justiça), a grande espada do Estado (simbolizando a autoridade real do Soberano) e o bastão de St. Edward constituem o conjunto de insígnias usadas na cerimónia de coroação, bem como as esporas (representando temas de cavalaria), as joias, a espada de oferenda e duas pulseiras de ouro (revelando sinceridade e sabedoria). O orbe do Soberano (que simboliza a soberania cristã) é pousado na mão direita do Monarca e depois volta ao altar. O anel de coroação (representando a dignidade real) é colocado na mão direita do Soberano. Depois disso, o cetro com a cruz simboliza o poder temporal do Soberano sob a cruz, enquanto o cetro com pomba – ou bastão de equidade e misericórdia – simboliza a responsabilidade espiritual do Soberano.
O auge da cerimónia acontece quando o Arcebispo de Canterbury coloca a “St. Edwards Crown” na cabeça do Soberano, coroa esta que só é usada pelo Monarca uma vez. À saída de Westminster Abbey, o Rei recém-coroado usará a “Imperial State Crown”. O Reino Unido é a única monarquia europeia que ainda usa suas insígnias para a cerimónia de consagração da coroação de um Soberano (a Bélgica e os Países Baixos nunca coroaram os seus Monarcas, a Dinamarca, a Noruega e a Suécia descontinuaram estas práticas ao longo dos tempos, Espanha não procede a cerimónias de coroação desde a Idade Média).

Cristina Fernandes & Susana de Salazar Casanova
Abril de 2023

Desejo, a cada um de vós que me segue nesta página, votos de que este seja um Natal muito harmonioso e doce.Em 2023, que...
19/12/2022

Desejo, a cada um de vós que me segue nesta página, votos de que este seja um Natal muito harmonioso e doce.
Em 2023, que se façam presentes os valores essenciais.
Boas Festas e Feliz Ano Novo!

Sugiro a leitura da última edição da revista Event Point, na qual encontramos temas particularmente interessantes sobre ...
01/11/2022

Sugiro a leitura da última edição da revista Event Point, na qual encontramos temas particularmente interessantes sobre a atual conjuntura no mercado dos eventos.
Como é hábito, eu e a Susana De Salazar Casanova colaboramos nesta edição escrevendo um artigo intitulado "Cerimonial e Protocolo nas exéquias da Rainha Isabel II: um Funeral de Estado como símbolo de poder", que podem ler na página 90.

https://www.eventpointinternational.com/revistadigitalnacional44/?fbclid=IwAR1FeSJlidmBYAxlBbvVjC-aQy8ao9JkAu6EGUkqmU_j2Abx15RyIaL8uO0 =1
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5,00 € OUT, NOV E DEZ DE 2022 TRIMESTRAL NÚMERO 44 ANO XII COOL SPONSORS GRANDE ENTREVISTA: RUI RIBEIRO COMO VÃO EVOLUIR OS PREÇOS DOS EVENTOS EVENTOS: PRECISAMOS DE SI!PROPRIETÁRIO Estação Livre, Comunicação NIF: 508135648 Rua da Ribeira s/n, Valcovo 6420‑510 Moreira de Rei | Portugal T...

Convido-vos a visitarem o meu novo site.https://www.cristinafernandes.com/Muito obrigada!
13/10/2022

Convido-vos a visitarem o meu novo site.
https://www.cristinafernandes.com/
Muito obrigada!

Formação em Cerimonial e Protocolo. Formação em Secretariado e Assistência Executiva. Consultoria Protocolar a eventos. Mentoria sobre Comportamento Social e Profissional, Etiqueta e Protocolo.

Leitura recomendada!
05/05/2022

Leitura recomendada!

Nova edição abril, maio e junho de 2022

03/05/2022

Partilho, com muito gosto, artigo escrito com Susana De Salazar Casanova, para a revista Event Point (edição nº 42, maio de 2022).

O Cerimonial Militar e as entidades civis
Introdução
As questões de Protocolo em qualquer cerimónia são sempre um fator fundamental na agregação de valor a essa mesma cerimónia, contribuindo para projetar uma mensagem global de profissionalismo da entidade organizadora ou, ao contrário, quando o Protocolo não é devidamente considerado ou corretamente aplicado, concorrendo para deixar uma imagem de amadorismo, quase sempre difícil de entender e justificar.
Regra geral, as entidades anfitriãs, sobretudo as privadas, consideram “necessário” o Protocolo quando entidades oficiais vão participar nos seus eventos. E, outro segmento de público que costuma, igualmente, gerar preocupação no que ao Protocolo diz respeito, são as entidades militares.
Com efeito, o Cerimonial Militar afigura-se-nos a nós, civis, como um conjunto de rituais e práticas revestidas de enorme beleza, formalidade e complexidade. E quando na lista de convidados estão personalidades das Forças Armadas, logo uma das primeiras questões que se colocam a quem organiza e implementa planos de seating é onde “colocar” os militares. Natural e justificadamente, tememos o que não conhecemos.
Não é, portanto, suposto que os civis saibam de Cerimonial Militar, mas sim que saibam como receber dignamente e respeitar as autoridades militares em eventos civis (aliás, princípio aplicável a qualquer autoridade). Do conhecimento de todos nós é, também, o facto de que a instituição militar assenta numa estrutura marcadamente hierarquizada e, consequentemente, protocolar. Além da comunicação verbal, a não-verbal, constituída por uma série infindável de gestos simbólicos, assume uma enorme importância. Disciplina e rigor são as palavras de ordem!
Alguns aspetos práticos a considerar
• Na elaboração da lista de convidados, além dos dados necessários para todas as pessoas (título, nome, cargo/função, instituição, etc.) é importante considerar para os militares também a data de posse/antiguidade no cargo. Sugere-se verificação rigorosa da patente e da inerente forma de tratamento. Os convites que são dirigidos a altas entidades militares devem ser apresentados preferencialmente por carta-convite ou convite impresso, em detrimento de convites digitais.
• Notas gerais quanto a precedências:
Para efeito de implementação de precedências, à Lei das precedências do Protocolo do Estado Português (Lei nº 40/2006) deve associar-se a Lei Orgânica do Estado-Maior-General das Forças Armadas (Decreto-Lei 19/2022) e leis orgânicas dos Ramos. Pode igualmente ser necessário consultar o Estatuto dos Militares das Forças Armadas (DL n.º 90/2015), bem como a Lei Orgânica do Ministério da Defesa Nacional.
Considere-se que mesmo em cerimónias e eventos organizados por anfitriões civis, os militares se colocam sempre por ordem hierárquica de postos e antiguidade, respeitadas as precedências legais, de acordo com as funções que exerçam ou cargos que desempenhem. Também em termos protocolares, os militares na efetividade de serviço precedem os militares na reserva ou na reforma.
O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) é o militar de máxima hierarquia (posição 11 na Lei nº 40/2006), seguido pelos Chefes dos Estados-Maiores da Armada, do Exército e da Força Aérea (posição 21 na Lei nº 40/2006). A ordenação dos Ramos é Armada/Exército/Força Aérea, mas note-se, porém, que os respetivos detentores são ordenados por antiguidade no cargo e não pela ordenação dos Ramos propriamente dita.
Almirantes da Armada e Marechais integram a posição 24 da Lei nº 40/2006. O posto de Marechal, posto honorífico, não existe na atualidade em Portugal. Esta precedência é atribuída aos oficiais generais de quatro estrelas.
Nas posições 25 e 28 da Lei nº 40/2006 estão, respetivamente, o Chefe da Casa Militar do Presidente da República e os Chanceleres das Ordens Honoríficas Portuguesas, cargos igualmente ocupados por militares.
Na posição 34 da Lei nº 40/2006 encontra-se o Comandante-geral da GNR e o Diretor Geral da PSP. Também as posições 46 e 47 desta lei integram entidades militares, bem como diversos outros cargos considerados na Lista de Precedências que podem ser desempenhados por militares.
Fundamental é considerar que a Lei nº 40/2006, por si só, não é suficiente para implementar precedências de entidades militares, precisando sempre de ser complementada com regulamentação sobre o estatuto dos diversos cargos.
• Recorde-se que os militares são distribuídos por categorias, subcategorias e postos. Existem três categorias, oficiais, sargentos e praças. A categoria de oficiais engloba a subcategoria de oficiais generais, oficiais superiores e oficiais subalternos que, por sua vez se subdividem em diversos postos com diferentes designações conforme os Ramos (vide Estatuto dos Militares das Forças Armadas). Considere-se também que existem equiparações de categorias com a GNR e a PSP.
• Um outro aspeto a ter em conta quando se consideram temas protocolares é a questão dos trajes. Uma entidade anfitriã civil que emita um convite no qual conste informação sobre o traje a usar na cerimónia deverá, tão somente, referir o traje civil (por exemplo, fato escuro, smoking, fraque, etc.) recorrendo à expressão “Smoking ou uniforme militar correspondente”, na medida em que os militares conhecem a respetiva equiparação face aos seus uniformes, consoante o Ramo.
• No âmbito do Cerimonial Militar, refira-se ainda, a título informativo, a legislação designada como “Regulamento de Continências e Honras Militares”, considerando que entidades não militares têm direito a honras militares (por exemplo, o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro, os Presidentes do Tribunais Superiores, os Representantes da República para as Regiões Autónomas, os Presidentes das Assembleias e dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores, Chefes de Estado estrangeiros, entre outros).
• Tema de enorme importância a ter em conta é, logicamente, o respeito aos Símbolos Nacionais. Neste âmbito, recorde-se que é obrigatório cumprir as regras gerais que regulamentam o uso da Bandeira Nacional, expressas no Decreto-Lei n.º 150/87 (o que lamentavelmente nem sempre sucede). Igualmente se recomenda que no caso de ser necessário dobrar a Bandeira Nacional, esta dobragem seja feita corretamente e seguindo os respetivos passos (no final a Bandeira deverá estar dobrada revelando o escudo nacional em forma de retângulo).
• Portugal é membro de pleno direito das Nações Unidas (ONU), da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), da União Europeia (UE), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e todas estas instituições internacionais têm os seus sistemas protocolares específicos.
• Por fim, a indicação de que a continência é uma cortesia exclusivamente militar.
Conclusão
Os convidados de um evento ou participantes numa cerimónia têm sempre a expectativa, maior ou menor, de receberem um tratamento protocolar respeitador e condigno com o cargo que desempenham, o que traduz, até em primeira instância, o respeito do anfitrião pela instituição que representam. Com as entidades militares, uma gaffe protocolar, além de imediatamente identificada, revela desconsideração também com os valores que a Instituição Militar representa, isto é, o respeito e o serviço à Pátria.

Ano Santo Compostelano 2021Ano de graça e de perdãoPor disposição Papal, o Ano Santo Compostelano (“Xacobeo”, em galego)...
03/08/2021

Ano Santo Compostelano 2021
Ano de graça e de perdão
Por disposição Papal, o Ano Santo Compostelano (“Xacobeo”, em galego) celebra-se desde a Idade Média (Séc. XV), quando o dia do Apóstolo Santiago (25 de julho) coincide com um domingo (tendo sido o último em 2010 e sendo o próximo em 2027). No Jubileu Compostelano a Igreja concede indulgências especiais aos fiéis o que, naturalmente, atrai à Catedral de Santiago de Compostela peregrinos provenientes de todo o mundo. A celebração teve início em 31 de dezembro de 2020 e termina a 31 de dezembro de 2022, excecionalmente durando dois anos, por decisão do Santo Padre, devido à pandemia, algo que acontece pela segunda vez na história (tendo sido a anterior em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola).
A Porta Santa da Catedral foi aberta pelo Núncio Apostólico, D. Bernardito Auza, em nome de Sua Santidade o Papa Francisco, que se fez presente através da mensagem enviada. A Catedral está aberta todo o ano, bem como a Porta Santa.
Para ganhar o Jubileu (isto é, alcançar a Indulgência Plenária) é necessário que os peregrinos (i) visitem o túmulo do Apóstolo na Catedral e rezem pelas intenções do Santo Padre; (ii) recebam os sacramentos da Penitência e da Comunhão (na Catedral, ou numa outra igreja da paróquia); (iii) por tradição, podem os peregrinos abraçar a imagem do Apóstolo e entrar pela Porta Santa.
A Catedral de Santiago de Compostela
Uma catedral é um templo religioso com um significado especial, por ser um espaço de referência teológica, sacramental e pastoral da Igreja diocesana. É a “sede” de cada diocese, onde o respetivo Bispo preside às celebrações, é o centro litúrgico da diocese.
O início da construção desta catedral românica data de 1075, no reinado de Afonso VI. As obras sofrem diversas vicissitudes até ganharem um novo fôlego em 1100, tendo os trabalhos de finalização iniciado em 1168 e a consagração ocorrido em 1211, com a presença de Afonso IX.
Mesmo tendo mantido a essência da estrutura medieval, a Catedral foi sofrendo alterações ao longo dos séculos, com a construção do Claustro, no Renascimento, e da capela maior, órgãos e fachada, no Barroco, entre outras nos séculos subsequentes. A fachada do Obradoiro, orientada a ocidente, é a fachada principal da Catedral de Santiago de Compostela. Na cabeceira da Catedral localizam-se a Porta Santa, a Porta Real e a Porta dos Abades.
A Porta Santa assume uma especial importância neste contexto do Ano Santo Compostelano. Com efeito, a sua abertura aconteceu numa celebração a 31 de dezembro de 2020, tendo ocorrido de seguida a projeção de um vídeo de boas-vindas a esta efeméride, na escadaria da Praça Quintana, e interpretação de uma música tradicional da Galiza. O Papa Francisco enviou uma mensagem para este ano jubilar convidando “para um caminho de conversão e de solidariedade com os próprios companheiros de viagem”, bem como “carinho e proximidade a todos aqueles que participam neste momento de graça para toda a Igreja e, em particular, para a Igreja em Espanha e na Europa”. Por sua vez, o Arcebispo de Santiago de Compostela, D. Julian Barrio, destacou o “ano de graça e de perdão” para todos os fiéis que possam participar. Este acontecimento teve ampla cobertura mediática.
O Apóstolo São Tiago
É um dos 12 discípulos de Jesus Cristo. Junto com Pedro e João, pertence ao grupo dos três discípulos privilegiados que foram admitidos por Jesus a participarem nos momentos mais importantes da sua vida. São Tiago, que é também conhecido como "São Tiago Maior" para ser distinguido de Tiago Menor, foi um dos primeiros Apóstolos martirizados, em Jerusalém. A tradição popular narra que o seu corpo foi levado por mar até à Galiza, tendo sido enterrado num bosque, local onde se construiu a sua Catedral.
A Igreja Compostelana, que surge como herdeira da missão do Apóstolo Santiago, assume como missão espalhar a palavra de Deus e introduzir os seus valores na cultura e em todas as estruturas sociais, recorrendo ao amor e ao serviço como principais instrumentos para o cumprimento desses desígnios.
Estrutura e noções de Protocolo na Igreja Católica Romana
A Igreja Católica Romana é uma estrutura complexamente hierarquizada, encabeçada pelo Santo Padre, reconhecido e respeitado universalmente como autoridade espiritual, mesmo por quem não professa a religião católica. O Papa é eleito, em conclave, pelo Colégio dos Cardeais. O Sumo Pontífice é, igualmente, Bispo de Roma e Chefe de Estado do Vaticano. As insígnias do Sucessor de Pedro são a tiara, o pálio, o báculo pastoral e o anel papal. Na hierarquia da Igreja, ao Papa segue-se o Colégio Cardinalício e os Cardeais. Imediatamente a seguir estão os representantes diplomáticos da Santa Sé (Núncios, Internúncios e Delegados Apostólicos), os Patriarcas, os Arcebispos e Bispos.
Um Bispo Diocesano é um verdadeiro sucessor e continuador da missão dos Apóstolos, investido de potestade legislativa, executiva e judicial. Ao cumprir 75 anos deve apresentar a renúncia ao Santo Padre, tal como em situação de doença grave ou de qualquer outra causa que diminua as suas capacidades. Recebe o tratamento protocolar de Excelência Reverendíssima.
Em Santiago de Compostela, o Arcebispo D. Julián Barrio, preside à Igreja Compostelana desde 1996, tendo sido nomeado pelo Papa João Paulo II. O Bispo Diocesano recebe a denominação de Arcebispo quando a sua diocese preside a uma província eclesiástica.
Quando um Bispo necessita de apoio no desempenho das funções que lhe estão atribuídas, a Santa Sé pode designar um Bispo Auxiliar, a seu pedido. Em Santiago de Compostela, Monsenhor Francisco José Prieto Fernández é Bispo Auxiliar desde abril de 2021.
As insígnias pontificais são os objetos distintivos do pontífice, ou seja, do Bispo. São o anel (antigo símbolo de poder, insígnia de fé e símbolo de união com a Igreja); a cruz peitoral (pendente ao pescoço, por um cordão); a mitra (usada sempre que nas celebrações se desloca ou aquando sentado, quando faz a homilia, quando abençoa ou quando caminha em procissão); o báculo (símbolo do ministério pastoral, usado apenas no seu território, salvo exceções); o pálio (concedido pelo Papa, é próprio dos Arcebispos e usado em celebrações litúrgicas solenes).
Fora do altar, as vestes episcopais caracterizam-se pela sotaina preta, faixa e solidéu de tom arroxeado.
Na atualidade, do ponto de vista protocolar, as relações entre os membros da Igreja Católica e do Estado não obedecem a uma normativa legal. Quer em Espanha, quer em Portugal, os dignatários eclesiásticos não são contemplados nem no Real Decreto 2099, nem na Lei 40/2006, respetivamente. Assim, em função do anfitrião, isto é, do caráter civil ou eclesiástico da cerimónia/celebração, seguem-se critérios diferentes e adequados a cada situação no que concerne a precedências e lugar a ocupar por estas entidades, mas que, no caso de cerimónias oficiais/institucionais/empresariais, deverão observar sempre a dignidade do estatuto das entidades religiosas presentes, também respeitando costumes locais, históricos e culturais, muitas vezes seculares.
Recorde-se que numa celebração litúrgica quem realmente preside é um representante do clero, celebrando no altar. Quando estão presentes altas individualidades, o espaço mais importante protocolarmente é o primeiro banco do lado esquerdo (de quem está de frente para o altar) de um corredor central (ao contrário do que sucede nas demais plateias).
Refira-se igualmente que, como em outros países, tanto em Espanha como em Portugal, o Decano do Corpo Diplomático é o Núncio Apostólico (em Espanha, Monsenhor Bernardito Cleopas Auza, e em Portugal Monsenhor Ivo Scapolo) que ocupa, portanto, no estado acreditador, o primeiro lugar entre os membros do Corpo Diplomático acreditado.
Uma alta entidade da Igreja Católica deve ser cumprimentada por um leigo com reverência, que se traduz numa inclinação de cabeça, acompanhando a saudação verbal. A ocorrer aperto de mão, a iniciativa deve partir sempre da entidade eclesiástica.
Por fim, mas não de menor importância, abordamos o comportamento e atitude que os fiéis devem assumir num templo religioso, destacando a discrição na atitude global, o silêncio, o respeito absoluto por celebrações que estejam a decorrer, conduta esta que deve ser assumida mesmo pelos não crentes.
Cristina Fernandes & Susana De Salazar Casanova

Leitura essencial para todos os que se interessam por Eventos e Protocolo!Nas páginas 134 a 139, dois artigos que tive o...
28/04/2021

Leitura essencial para todos os que se interessam por Eventos e Protocolo!
Nas páginas 134 a 139, dois artigos que tive o gosto de escrever a quatro mãos com Susana De Salazar Casanova, um sobre o e outro sobre o Funeral do Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo.

5,00 € ABR, MAI E JUN DE 2021 TRIMESTRAL NÚMERO 38 ANO XI COOL SPONSORS REINVENT THE EVENT: O REGRESSO AO FUTURO! GRANDE ENTREVISTA: KARLA CAMPOS DOSSIÊ HIGIENE E SEGURANÇA PARA EVENTOSPROPRIETÁRIO Estação Livre, Comunicação NIF: 508135648 Rua do Jornal de Notícias, 562, R/C Drt. 4100‑2...

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