13/05/2026
Há dias que nos lembram da profundidade silenciosa do trabalho clínico.
Recentemente, reencontrei uma paciente que não vinha às consultas há cerca de dois anos, desde o período em que entrei em licença maternidade.
Na nossa primeira sessão de retoma, disse-me: “Sentia saudades das nossas consultas. Sentia saudades suas.”
E pensei como, muitas vezes, aquilo que verdadeiramente transforma em psicoterapia não é apenas a técnica ou a interpretação. É também a relação.
A possibilidade de existir num espaço seguro, sem julgamento. De ser escutado de forma genuína. De criar um vínculo suficientemente seguro para voltar, mesmo depois do tempo, da pausa e da vida acontecer.
Na prática clínica, falamos frequentemente da importância da vinculação nas primeiras relações da vida. Mas também na psicoterapia a relação terapêutica pode tornar-se uma experiência reparadora. E, aliás, essa relação também é parte do processo.
Porque, às vezes, o que cura não é apenas falar sobre a dor. É sentir que ela pode ser partilhada com alguém que permanece presente.