18/05/2017
Conhecimento sem afetos vale menos…
Vivemos uma época de permanente mudança e o que define e carateriza essa mudança é, a economia. Globalizada e ferozmente competitiva, exige dos indivíduos, atitudes, competências e conhecimentos muito diferentes daqueles que se consideravam serem suficientes em épocas anteriores.
Cada vez mais, os indivíduos se deparam com profissões que não tiram proveito da sua formação ou, descobrem que o conhecimento académico adquirido não os prepara devidamente para a vida profissional.
Passará a empregabilidade, exclusivamente, pelo investimento no conhecimento?
Corroborando com a ideia defendida por alguns especialistas, o sucesso profissional não depende apenas do conhecimento. As atitudes, os valores e outras dimensões não cognitivas, como é o caso das caraterísticas afetivas e emocionais, também contribuem para arranjar e manter o emprego. É a chamada Inteligência Emocional e prende-se com as emoções. Autores como Goleman (1998), defendem que são as emoções que expressam impulsos, geram ideias, condutas, ações e reações, isto é, não é apenas a razão que influencia os atos dos indivíduos.
No livro A Nova Inteligência, Daniel Pink (uma referência no mundo da gestão e do comportamento), explica porque devemos dar primazia ao hemisfério direito do nosso cérebro. Segundo este autor, esta é a zona do cérebro que está relacionada com as funções que, podemos de apelidar de mais intuitivas, criativas, mais ligada ao nosso bem-estar. Quanto ao lado esquerdo, o autor relaciona-o com as funções designadas como as “mais racionais”, metódicas, vocacionadas para tarefas mais exatas no seu planeamento e execução. Este tem sido o lado do cérebro mais valorizado nos últimos tempos. Neste sentido, muito tem contribuído a inspiração cartesiana da escola dos nossos dias, que privilegia tudo o que é racional, deixando de fora aquilo que é do emocional. Esta visão racionalista do ensino, desenvolve as competências racionais dos indivíduos e, evita os aspetos emocionais, artísticos e as visões humanistas do mundo.
É meu entendimento que, mais do que aquilo que se sabe, a sociedade precisa de pessoas que tenham a capacidade de aprender coisas novas, de se adaptarem a novas situações, de produzirem conhecimento, de pensar de forma crítica, de interagir.
“O que se sabe não tem valor em si mesmo. O valor está no que se faz com o que se sabe”
(Filosofia chinesa)