08/05/2022
AULA: Aleatoria
Disciplina: PARASITOLOGIA
TEMA: HELMINTOSE
SUB-Tema: ASCARIDÍASE
INTRODUÇÃO
A Ascaridíase ou Ascaríase é uma parasitose intestinal, causada no homem pelo helminto Ascaris lumbricoides, conhecido como “lombriga”.
Esse verme faz parte do:
- Reino: Animalia
- Filo: Nematoda
- Classe: Secernentea
- Ordem: Ascaridida
- Família: Ascarididae
- Gênero: Ascaris
- Espécie: Ascaris lumbricoides.
O homem é o seu reservatório natural mais comum.
A Ascaridíase apresenta ampla distribuição mundial, sendo mais frequentes nas regiões tropicais e subtropicais, de clima quente e úmido.
O grupo de maior risco de desenvolvimento dessa parasitose é o de crianças menores de 12 anos, sendo nível de parasitismo elevado na faixa escolar. Higiene pessoal precária, hábitos coprofágicos e utilização de fezes humanas como adubo da terra, também são fatores de risco para a Ascaridíase.
O Ascaris lumbricoides apresenta como formas evolutivas: ovo (embrionado ou não-embrionado), larva (L1 a L5) e verme adulto (fêmea e macho).
As larvas do Ascaris lumbricoides se diferem dos vermes adultos por serem menores e sexualmente imaturas. São originadas a partir da massa germinativa presente no ovo embrionado.
As formas adultas desse parasita são longas (15 a 35 cm de comprimento), robustas, com formato cilíndrico, cor leitosa, extremidades afiladas e vestículo bucal na extremidade anterior com boca trilabiada, sem interlábios e com papilas sensoriais. Apresentam dimorfismo sexual. Os machos são menores, apresentando de 15 a 30 cm de comprimento. O reto é encontrado em região próxima a extremidade posterior do helminto e apresenta dois espículos idênticos que vão funcionar como órgãos auxiliares na cópula. Sua extremidade posterior é fortemente encurvada para a face ventral do helminto e é o caráter sexual externo que mais diferencia o macho da fêmea. As fêmeas são maiores, mais robustas, medindo de 20 a 35 cm de comprimento. Porém, a extremidade posterior da fêmea é retilínea. A v***a está presente no terço anterior e a va**na é única. Cada fêmea realiza a ovipostura de 200 mil ovos por dia, em condições ideais de quantidade populacional e nutrientes.
Quando o indivíduo estiver infestado com o Ascaris lumbricoides em quantidades menores, os vermes adultos podem ser encontrados no interior de seu intestino delgado, principalmente no jejuno e no íleo. Porém, quando ocorrem infestações mais intensas, estes helmintos poderão ocupar toda a extensão do seu intestino delgado. Além disso, podem ficar presos à mucosa intestinal com o auxílio de seus lábios, ou ainda podem migrar pela luz intestinal.
́GICO
O ciclo biológico desses helmintos é do tipo monoxênico, ou seja, ele possui um único hospedeiro: ser humano. Cada fêmea que é fecundada é capaz de liberar por dia cerca de 200.000 ovos que chegam ao ambiente externo junto com as fezes do hospedeiro.
Decorridos 10 a 12 dias, as larvas ainda dentro do ovo irão sofrer uma evolução e se transformarão em L2 e logo após, se desenvolverão em L3. Estas sim, infectantes, para o hospedeiro e possuindo o esôfago do tipo filarióide (retilíneo).
As larvas L3 poderão ainda ser encontradas no solo do ambiente externo por vários meses a 1 ano, correndo o risco de ser ingeridas pelo mesmo hospedeiro ou por outro. (+ pesquisem o ciclo biológico)
̃O
A transmissão do Ascaris lumbricoides irá ocorrer quando um indivíduo ingere indiretamente os ovos contendo a larva do tipo L3 na água ou alimentos contaminados com fezes humanas. Ou, diretamente, quando o homem leva a mão contaminada à boca. Ademais, pode ocorrer a transmissão pelos vetores mecânicos: insetos (como moscas e baratas) que carreiam os ovos embrionados aderidos às suas patas de um local para o outro.
As alterações provocadas pelo helminto estão diretamente relacionadas com o número de formas evolutivas presentes deste parasito. Este possui um período de incubação relativamente curto, chegando em torno de 20 dias, enquanto que o período pré-patente da infecção (período que vai desde a infecção com ovos embrionados até a apresentação dos mesmos nas fezes do hospedeiro) varia em torno de 60 a 75 dias.
Em relação às larvas, quando a infecção for de baixa intensidade, na maioria dos casos não se observa nenhuma alteração. Já em infecções maciças, podem ser encontradas lesões hepáticas e pulmonares. No fígado, podem ser vistos pequenos focos hemorrágicos e necróticos que futuramente irão se tornar focos de fibrose, enquanto que nos pulmões ocorrem vários pontos hemorrágicos devido à passagem das larvas pelos alvéolos. Estes ainda ficam edemaciados e com infiltrado parenquimatoso eosinofílico, além de manifestações alérgicas, febre, bronquite e pneumonia. A este conjunto de sinais denomina-se de Síndrome de Löffler.
Quanto aos vermes adultos, sua patogenia é definida de acordo com a sua ação espoliadora, tóxica, mecânica e de acordo com algumas localizações erráticas.
́STICO
O diagnóstico pode ser estabelecido por meio de critérios clínicos ou laboratoriais.
- Quanto ao diagnóstico clínico dessa parasitose, quando ocorre visualização direta das larvas ou vermes adultos, liberados nas fezes ou exteriorizados pelo nariz, olhos, entre outros.
- Em relação ao diagnóstico laboratorial, é realizado por meio da pesquisa de ovos nas fezes do indivíduo infestado.
Uma vez que as fêmeas são capazes de eliminar milhares de ovos por dia, as técnicas de EPF podem ser amplamente usadas. A técnica de sedimentação espontânea (Técnica de Lutz ou Hoffman, Pons e Janer) é suficiente para estabelecer o diagnóstico pelo áscaris. Todavia, a técnica de Kato-Katz é bastante utilizada e recomendada atualmente pela Organização Mundial de Saúde, permitindo a quantificação dos ovos e também realizando uma estimativa do grau de parasitismo desse hospedeiro (carga parasitária por grama de fezes), além de demonstrar maior rigor no controle de cura dos doentes.
Exames de imagem como radiografias e métodos endoscópicos também podem auxiliar no diagnóstico.
Bons estudos!
Fonte: jaleko
Edição: Admn