13/08/2024
A história da contabilidade
A palavra contabilidade provém etimologicamente de conta; esta, por sua vez de computo, originário do latim computum, que significa calculo, contagem. Contudo, há dicionaristas que consideram que nós portugueses a adoptamos do francês comptabilité.
É pacifico afirmar que as palavras contabilidade, conta e contagem, tem todas a mesma raiz e que a contabilidade nasceu de uma necessidade prática: registar, de maneira mais perdurável do que a memória, certos factos da vida económica.
A génese da contabilidade é explicada – segundo a maioria dos autores – pela necessidade sentida pelo homem de preencher as limitações da memória, mediante um processo de classificação e registo que lhe permitisse recordar facilmente as variações sucessivas de determinadas grandezas, para que em qualquer momento pudesse saber da sua extensão.
A história da contabilidade é a história da civilização; são caminhos paralelos. A evolução do homem, o desenvolvimento da sociedade, as circunstâncias e os empenhos individuais e colectivos ditaram que a contabilidade tenha as características que hoje lhe conhecemos.
Decerto que nem todos os homens contribuem por igual para o surto e progresso das ciências e da técnica, antes, pelo contrário, havendo alguns que, apenas suas teorias e inventos, constituem marcos notáveis do pensamento e da acção humana nesses campos, mas seria errado olvidar que esses excepcionais herdaram uma valiosa experiência dos seus antecessores, no conhecimento da qual fundaram as suas lucubrações.
Uma das figuras incontornáveis da contabilidade é Frei Luca Pacioli, que viveu entre 1445 e 1517. Frade italiano contemporâneo de Leonardo da Vinci, Camões, Copernico e Shakespeare, entre outras figuras ilustres dessa época. Foi o primeiro, ao que se saiba, que divulgou método digráfico, as partidas dobradas – a partita doppia – em forma de obra impressa, sob o titulo Tratactus particularis de computis et scriputris, integrado na sua obra Summa de Arithmetica, Geometria, Proportionalita, publicada em Veneza, em 10 de Novembro de 1494.
Neste tratado, Pacioli declara que o maior objectivo da contabilidade é fornecer ao dono, sem demora alguma, informação sobre os seus bens (ou seja o activo) e as suas dividas (ou seja o passivo), bem como a base para a concessão de credito.
As contas tinham que ser mantidas em segredo não existindo pressão externa para a exactidão das mesmas ou regras uniforme para a sua apresentação.
De acordo com este objectivo simples, os conceitos contabilísticos de apoio são ainda muito básicos: por exemplo, todos os registos eram processados em contas elementares; isto é não havia contas gerais exceptuando caixa e capital.
Todavia, em muitos aspectos a contabilidade não mudou muito desde que Pacioli. Ele ensinava que a escrituração, a moda veneziana, assentava num tríplice composto por: Giornale (Diario); Quaderno ou libro Grande (razão) e Memorial (borrão). Quanto a forma de escriturar, preconizava-se naquele tratado o método das partidas dobradas, que constitui por assim dizer a ferramenta necessária para efectuar os registos nos mencionados livros e que volvidos mais de quinhentos anos ainda mantêm actualizado.
Ribeiro Sebastião
Contabilista e consultor financeiro