12/03/2026
Em 28 de outubro de 1975, Miron Vieira de Souza, morador de Ivolândia, acertou os 13 resultados do concurso 254 da Loteria Esportiva e recebeu um prêmio de 22 milhões de cruzeiros, valor que, para a época, representava uma das maiores premiações já pagas no país. Até então, ele levava uma vida simples, administrando um pequeno armazém e recebendo cerca de 500 cruzeiros por mês. A aposta que mudou sua realidade custou apenas três cruzeiros.
O episódio ilustra como as loterias funcionam como um mecanismo de mobilidade econômica repentina. Um único resultado foi capaz de alterar completamente a condição financeira de um comerciante do interior e colocá-lo no centro da atenção nacional. O caso ganhou repercussão em programas de televisão e capas de revista, mostrando o impacto simbólico de prêmios milionários em uma sociedade marcada por grandes desigualdades de renda.
A súbita exposição também trouxe desafios. Após a confirmação do prêmio, Miron precisou permanecer escondido em uma fazenda da família até viajar para Brasília para receber o dinheiro. Durante esse período, ele foi protegido por autoridades locais e trabalhadores da propriedade rural, enquanto recebia cartas de várias regiões do país com pedidos de ajuda financeira e empréstimos. O episódio evidencia como a visibilidade associada a grandes ganhos pode gerar pressões sociais imediatas sobre o vencedor.
Em relação ao uso do dinheiro, Miron adotou uma estratégia baseada em ativos tangíveis, especialmente no setor agropecuário. Ele adquiriu fazendas em cidades do interior de Goiás, além de casas em centros urbanos do estado. Também investiu em lavouras, equipamentos agrícolas e na compra de mais de três mil cabeças de gado. A decisão seguiu uma lógica tradicional de investimento em áreas rurais, frequentemente vista como forma de preservar patrimônio no longo prazo.
Essa escolha refletia uma percepção comum entre produtores rurais de que a terra representa um bem durável e relativamente estável. O próprio Miron sintetizou essa visão anos depois ao afirmar que quem compra terra, nunca erra, frase que se tornou associada à sua trajetória após o prêmio.
Apesar do patrimônio adquirido, a administração de