26/08/2026
No Mês da Primeira Infância, a gente quer acender uma luz sobre um assunto que ainda é pouco conhecido no Brasil.
Nos últimos meses, estamos estudando e nos envolvendo profundamente com o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora.
Quando uma criança precisa ser afastada temporariamente de sua família de origem para ser protegida, existem diferentes formas de acolhê-la. No Brasil, mais de 90% ainda vão para serviços de acolhimento institucional.
Mas existe outra possibilidade, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente e, inclusive, considerada prioritária pela legislação: ser recebida temporariamente na casa de uma família acolhedora.
Não é adoção.
É uma família preparada e acompanhada por uma equipe técnica que abre sua casa e sua rotina para cuidar de uma criança enquanto sua situação é definida — seja para que ela possa voltar à família de origem ou extensa ou, quando isso não for possível, seguir para adoção.
Em outros países, essa lógica já é predominante: na Austrália, mais de 90% do acolhimento acontece em famílias; no Reino Unido, cerca de 80%; nos Estados Unidos, 75%.
Aqui, ainda temos um caminho enorme pela frente.
E ele passa também pela comunicação.
Porque, para existirem mais famílias acolhedoras, primeiro mais pessoas precisam saber que elas podem ser uma.
Em um dos momentos mais delicados da vida de uma criança, poder contar com cuidado individualizado, rotina, afeto e uma referência adulta estável importa — especialmente nos primeiros anos de vida.
Acolher é temporário.
O cuidado vivido nesse período pode deixar marcas para a vida inteira.
É preciso falar sobre isso.
E trazer muito mais famílias para essa rede de proteção.