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O QUE O TERCEIRO SETOR PODE ESPERAR APÓS O RESULTADO DAS ELEIÇÕES?Independentemente de quem vença as eleições, uma pergu...
01/10/2026

O QUE O TERCEIRO SETOR PODE ESPERAR APÓS O RESULTADO DAS ELEIÇÕES?
Independentemente de quem vença as eleições, uma pergunta deve ocupar a agenda das Organizações da Sociedade Civil: o que muda para o Terceiro Setor e, principalmente, o que precisamos mudar dentro de nossas próprias organizações?
A eleição termina, mas os desafios sociais continuam. A pobreza não espera o resultado das urnas. A desigualdade não muda de um dia para o outro. A violência não desaparece com a posse de um novo governo. A necessidade de educação, saúde, assistência, inclusão, cultura, meio ambiente e geração de oportunidades permanece.
Por isso, o Terceiro Setor precisa olhar para o período pós-eleitoral não apenas como uma mudança de governo, mas como uma nova etapa de relacionamento institucional com o Estado, com o mercado e com a sociedade.
1. Menos dependência política, mais capacidade institucional
Uma OSC/OSCIP não deveria construir sua sustentabilidade apostando na permanência de determinado grupo político. Governos mudam. Secretários mudam. Prioridades orçamentárias mudam. Programas públicos mudam.
Uma organização madura precisa sobreviver às mudanças políticas porque sua legitimidade não vem de um governo. Vem da capacidade de gerar valor social. Isso signif**a profissionalizar gestão, governança, planejamento, comunicação, captação de recursos e prestação de contas.
2. O Estado deverá cobrar cada vez mais resultados
O debate sobre políticas públicas tende a exigir algo além da simples execução de atividades. Não basta dizer: Atendemos 500 pessoas. A pergunta seguinte será: O que mudou na vida dessas 500 pessoas? Essa diferença é fundamental.
O Terceiro Setor precisa avançar da lógica de atividade realizada para a lógica de impacto demonstrado. Número de atendimentos é importante. Número de pessoas alcançadas é importante. Número de projetos executados é importante. Mas o verdadeiro valor está na transformação produzida.
3. Parcerias público-privadas e intersetoriais ganharão importância estratégica
O futuro das OSCs/OSCIPs não precisa estar exclusivamente nos recursos públicos. Existe uma oportunidade crescente de construir pontes entre: Estado + empresas + OSCs + universidades + comunidades.
Cada setor possui recursos e competências diferentes. O Estado possui escala e capacidade institucional. As empresas possuem capital, tecnologia, conhecimento e capacidade de gestão. As OSCs/OSCIPs possuem presença territorial, conhecimento das comunidades e capacidade de mobilização social. Universidades e centros de pesquisa podem contribuir com conhecimento e avaliação. A grande questão será: como transformar esses recursos diferentes em soluções sociais mensuráveis?
4. A profissionalização deixará de ser diferencial e passará a ser necessidade
Durante muito tempo, algumas organizações têm sobrevivido graças à dedicação de seus dirigentes e voluntários. Isso continua sendo valioso. Mas dedicação não substitui gestão. Uma organização precisa saber: qual é sua missão; quem é seu público; qual problema social pretende enfrentar; qual é sua proposta de valor; como capta recursos; como administra seus recursos; como mede resultados; como presta contas; como comunica seu impacto; e como garante sua sustentabilidade. Boa intenção é o ponto de partida. Gestão é o que permite transformar intenção em resultado.
5. A comunicação institucional ganhará ainda mais relevância
Depois das eleições, haverá uma intensa disputa pela atenção da sociedade. As organizações que permanecerem silenciosas poderão perder espaço. Mas comunicar não signif**a simplesmente publicar fotografias de eventos ou divulgar campanhas.
Comunicação estratégica signif**a responder claramente: Qual problema resolvemos? Para quem? Como fazemos? Que resultados produzimos? Por que alguém deveria apoiar nossa organização? A OSC/OSCIP que consegue contar sua história com clareza aumenta sua capacidade de mobilização.
6. O Terceiro Setor precisará fortalecer sua independência
Signif**a capacidade de dialogar com qualquer administração pública preservando sua missão, seus princípios e sua identidade. Uma organização da sociedade civil precisa ser capaz de dizer: Estamos dispostos a cooperar quando houver convergência de interesses sociais, mas nossa missão não pertence a nenhum governo. Essa postura pode fortalecer a credibilidade institucional.
7. O grande desafio será transformar influência em participação
O Terceiro Setor não deve ser lembrado apenas quando chegam os editais. Deve participar da construção das soluções. Isso exige organizações capazes de produzir conhecimento, apresentar propostas, participar de conselhos, fóruns e espaços de diálogo, desenvolver projetos e demonstrar evidências sobre os problemas que enfrentam. Quem conhece profundamente uma realidade social precisa também participar da construção das políticas destinadas a transformá-la.
8. E existe uma oportunidade extraordinária para as OSCIPs
As organizações que desejarem avançar para modelos mais estruturados de atuação terão que compreender que uma qualif**ação institucional não é apenas uma mudança documental. É uma mudança de mentalidade. Governança. Planejamento. Transparência. Gestão financeira. Gestão de projetos. Indicadores. Prestação de contas. Captação. Comunicação. Avaliação de impacto. Tudo isso precisa funcionar de maneira integrada.
MAIS IMPORTANTE: É AQUI QUE A COSCIPBR TEM UM PAPEL ESTRATÉGICO
O período pós-eleitoral exigirá das organizações da sociedade civil mais do que entusiasmo. Exigirá orientação, articulação, profissionalização e capacidade de adaptação. É nesse contexto que a Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – COSCIPBR deve assumir uma posição estratégica na construção dessa nova agenda do Terceiro Setor.
A COSCIPBR poderá atuar como um espaço de orientação, integração e fortalecimento institucional, ajudando as organizações a compreenderem o novo ambiente, identif**arem oportunidades, aprimorarem sua gestão e estruturarem estratégias de sustentabilidade para o próximo ciclo. Não se trata de orientar as organizações sobre quem apoiar politicamente.
Trata-se de ajudá-las a compreender como se posicionar institucionalmente diante de qualquer governo. Isso signif**a estimular uma agenda baseada em: gestão profissional + governança + sustentabilidade + inovação + transparência + impacto social + articulação institucional.
A força do Terceiro Setor não estará apenas na quantidade de organizações existentes, mas na capacidade de essas organizações atuarem de maneira coordenada, qualif**ada e estrategicamente preparada.
Por isso, a COSCIPBR deverá contribuir para transformar o período pós-eleitoral em um ciclo de preparação técnica e fortalecimento das OSCs e OSCIPs brasileiras. Por isso, o período pós-eleição não deverá ser apenas um momento de expectativa. Deverá ser um momento de preparação.
Preparação para dialogar com governos. Preparação para construir parcerias com empresas. Preparação para captar novos recursos. Preparação para demonstrar impacto. Preparação para profissionalizar a gestão. Preparação para defender a autonomia institucional. Preparação, sobretudo, para que o Terceiro Setor deixe de ser visto apenas como executor de projetos e seja reconhecido como parte estratégica da construção de soluções para os grandes desafios sociais brasileiros.
O futuro do Terceiro Setor não será definido apenas pelo resultado das eleições. Será definido pela capacidade de suas organizações — e das instituições que as articulam e fortalecem — de se prepararem para o mundo que começa depois delas.
É nesse desafio que a COSCIPBR deverá contribuir: ajudando o Terceiro Setor a transformar incerteza política em planejamento, mudança de governo em oportunidade institucional e necessidade social em impacto mensurável.
Se você gostou do que leu, comente e compartilhe. Acesse o site da Confederação Brasileira das OSCIPs através do link: https://www.oscipbr.org/
O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

https://www.linkedin.com/pulse/o-que-terceiro-setor-pode-esperar-ap%25C3%25B3s-resultado-das-veloso-gomes-ck44f

OSCIP e OSC DIANTE DO NOVO ESTADO: IMPACTO SOCIAL MENSURÁVEL OU ASSISTENCIALISMO COM NOVA ROUPAGEM?Durante muito tempo, ...
30/09/2026

OSCIP e OSC DIANTE DO NOVO ESTADO: IMPACTO SOCIAL MENSURÁVEL OU ASSISTENCIALISMO COM NOVA ROUPAGEM?
Durante muito tempo, falar em Terceiro Setor signif**ava falar, principalmente, em solidariedade, voluntariado, doações e atendimento às necessidades sociais. Tudo isso continua tendo valor. Mas o Estado mudou. A sociedade mudou. Os cidadãos mudaram.
E as organizações da sociedade civil precisam mudar também. Hoje, uma pergunta começa a ganhar importância: Estamos construindo organizações capazes de produzir impacto social mensurável ou apenas modernizando a forma de fazer assistencialismo? Essa não é uma provocação contra a assistência social. É uma provocação a favor da gestão, da profissionalização e da sustentabilidade do Terceiro Setor.
O NOVO ESTADO EXIGE NOVOS PARCEIROS
O Estado contemporâneo enfrenta problemas cada vez mais complexos: desigualdade, envelhecimento populacional, inclusão produtiva, educação, saúde, sustentabilidade, transformação digital, empregabilidade e desenvolvimento territorial. Nenhum governo consegue responder sozinho a todos esses desafios.
Nesse cenário, OSCs e OSCIPs podem exercer um papel estratégico. Mas existe uma diferença fundamental entre executar uma atividade e produzir uma transformação. Distribuir determinado número de cestas básicas é uma atividade. Reduzir, de forma comprovável, a insegurança alimentar de uma determinada população é impacto. Realizar um curso profissionalizante é uma atividade. Aumentar a empregabilidade e a renda dos participantes é impacto. Atender pessoas em situação de vulnerabilidade é necessário. Mas compreender quantas pessoas deixaram aquela situação e por quê é gestão orientada a resultados. O Terceiro Setor do futuro precisará aprender a medir a diferença que produz.
ASSISTENCIALISMO NÃO É SINÔNIMO DE IMPACTO SOCIAL
O assistencialismo pode atender uma necessidade imediata. E, em determinadas situações, o atendimento emergencial é absolutamente necessário. O problema surge quando a organização transforma a emergência em modelo permanente de atuação.
Uma organização social não deveria perguntar apenas: Quantas pessoas atendemos? Deveria perguntar também: O que mudou na vida dessas pessoas depois da nossa intervenção? Essa mudança de pergunta é gigantesca. Ela desloca a organização da lógica da execução para a lógica da transformação. Da quantidade para a qualidade. Do esforço para o resultado. Da atividade para o impacto.
O NOVO PROFISSIONALISMO DO TERCEIRO SETOR
Profissionalizar uma OSC ou uma OSCIP não signif**a transformar uma organização social em uma empresa tradicional. Signif**a incorporar princípios de boa gestão sem perder sua finalidade social. Isso envolve:
• planejamento estratégico;
• governança;
• gestão financeira;
• gestão de projetos;
• indicadores;
• prestação de contas;
• transparência;
• captação de recursos;
• comunicação institucional;
• avaliação de resultados;
• gestão de pessoas;
• tecnologia;
• inovação;
• sustentabilidade.
A organização que depende exclusivamente de editais, doações ocasionais ou da boa vontade de poucos financiadores pode até sobreviver durante algum tempo. Mas sustentabilidade exige capacidade institucional. Projetos podem financiar atividades. Gestão sustenta organizações.
O EDITAL NÃO PODE SER MODELO DE NEGÓCIOS DA ORGANIZAÇÃO
Existe outro ponto que merece reflexão. Muitas organizações desenvolvem projetos porque existe um edital disponível. Isso pode inverter a lógica. O correto deveria ser:
problema social → estratégia → projeto → recursos → execução → avaliação → impacto.
Quando a lógica se inverte, temos:
edital → projeto adaptado → execução → prestação de contas.
Nesse segundo modelo, existe o risco de a organização passar a trabalhar mais para atender às exigências do financiador do que para resolver o problema social. O desafio do Terceiro Setor é construir organizações capazes de identif**ar problemas, desenvolver soluções e buscar os recursos necessários para executá-las.
IMPACTO SOCIAL PRECISA SER MENSURADO
Não basta afirmar que uma organização "transforma vidas". É preciso demonstrar. Quantas pessoas foram atendidas? Quantas concluíram o programa? Quantas conseguiram emprego? Quantas aumentaram sua renda? Quantas permaneceram empregadas? Quantas empresas foram beneficiadas? Qual foi a mudança observada na comunidade? Quanto custou cada resultado alcançado? Qual foi o impacto produzido pelo investimento realizado? Essas perguntas não diminuem o caráter humano do Terceiro Setor. Ao contrário. Elas aumentam a responsabilidade diante das pessoas que a organização pretende beneficiar.
OSC e OSCIP PRECISAM FALAR A LINGUAGEM DO IMPACTO
A sociedade está cada vez mais interessada em saber onde os recursos são aplicados e quais resultados produzem. Financiadores querem evidências. Parceiros querem credibilidade. Governos querem capacidade de execução.
Empresas querem resultados sociais associados aos seus investimentos. E os próprios beneficiários têm o direito de saber se as organizações que atuam em seu nome estão efetivamente produzindo mudanças.
Nesse ambiente, reputação não será construída apenas pelo discurso. Será construída pela combinação de: propósito + competência + transparência + resultado.
O FUTURO PODE EXIGIR UMA NOVA MENTALIDADE
Talvez a principal transformação do Terceiro Setor não esteja em criar mais organizações. Talvez esteja em criar organizações melhores geridas. Organizações que saibam responder: Qual problema social queremos resolver? Para quem? Como vamos resolver? Quanto custará? Como saberemos se funcionou? Qual transformação pretendemos produzir? Como podemos ampliar essa transformação?
Essa é uma mentalidade diferente. Não elimina a solidariedade. Não substitui a sensibilidade social. Não transforma pessoas em números. Transforma resultados em responsabilidade. Assistência quando necessária. Autonomia quando possível. Transformação como objetivo. Talvez esse seja um dos grandes desafios das OSCs e OSCIPs diante do novo Estado.
Precisamos continuar acolhendo quem precisa de ajuda imediata. Mas também precisamos construir caminhos para que essa ajuda produza autonomia, inclusão, desenvolvimento e novas oportunidades. Porque uma organização social verdadeiramente estratégica não deve medir seu sucesso apenas pelo número de pessoas que precisam voltar a procurá-la. Ela deve buscar compreender quantas pessoas conseguiram avançar porque ela existiu.
O TERCEIRO SETOR ESTÁ DIANTE DE UMA ESCOLHA DE MODELO DE GESTÃO
De um lado, a organização que executa atividades, presta contas e continua dependente de recursos externos para sobreviver. De outro, a organização que possui propósito claro, governança, estratégia, sustentabilidade financeira, capacidade de execução e indicadores capazes de demonstrar sua contribuição para a sociedade.
A questão não é abandonar a assistência. É superar a assistência como destino. O novo Estado não precisa apenas de organizações que ajudem a executar políticas públicas. Precisa de organizações capazes de cocriar soluções, inovar, executar com qualidade e demonstrar impacto.
E talvez essa seja a pergunta que cada OSC e cada OSCIP deveria fazer hoje: Se amanhã alguém perguntar "qual transformação social sua organização produziu?", você terá apenas histórias para contar — ou terá evidências para apresentar? O futuro do Terceiro Setor não será definido apenas pelo tamanho dos recursos captados. Será definido pela capacidade de transformar recursos em resultados, resultados em impacto e impacto em transformação social sustentável.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.
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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NÃO VAI SALVAR UMA ADMINISTRAÇÃO QUE DESAPRENDEU A ADMINISTRAR.Vivemos uma verdadeira corrida pa...
27/09/2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NÃO VAI SALVAR UMA ADMINISTRAÇÃO QUE DESAPRENDEU A ADMINISTRAR.
Vivemos uma verdadeira corrida para falar sobre Inteligência Artificial. Seminários, palestras e workshops surgem diariamente para ensinar como utilizar a IA, quais ferramentas usar e como aumentar a produtividade com a tecnologia.
Mas existe uma pergunta que precisamos fazer antes de apertar qualquer botão: E quem está ensinando novamente as pessoas a administrar?
Estamos investindo muito em ensinar a usar a IA e, muitas vezes, pouco em capacitar gestores e profissionais para dominar os fundamentos da Administração: planejar, organizar, liderar, tomar decisões, controlar processos, administrar recursos, estabelecer prioridades e entregar resultados.
A Inteligência Artificial pode acelerar processos, analisar informações e apoiar decisões. Mas ela não corrige uma administração sem método, sem planejamento e sem liderança. Antes de perguntar “Como a IA pode fazer isso por mim?”, talvez seja necessário voltar a perguntar: “Eu sei administrar bem aquilo que estou entregando para a IA?” É sobre essa reflexão que este artigo trata. É sobre esse tema que solicito sua atenção.
Talvez o maior perigo da Inteligência Artificial não seja ela substituir o administrador. Talvez seja um administrador que deixou de pensar porque agora pode perguntar tudo à IA. Estamos diante de uma revolução tecnológica extraordinária. A IA escreve. Analisa. Calcula. Compara. Resume. Cria. Sugere. Automatiza. E isso é fantástico.
Mas existe uma pergunta incômoda: Quem está administrando enquanto a máquina trabalha? Porque existe uma diferença enorme entre usar inteligência artificial e ter inteligência para administrar. E precisamos falar sobre isso.
VOLTEMOS AO BÁSICO.
Antes dos algoritmos, existia Administração. Antes dos prompts, existia planejamento. Antes dos dashboards, existiam indicadores. Antes da automação, existiam processos. Antes da IA sugerir decisões, existia o administrador tomando decisões. E os fundamentos continuam sendo os mesmos:
• Planejar.
• Organizar.
• Dirigir.
• Controlar.
A tecnologia mudou. A responsabilidade de administrar, não.
O PROBLEMA NÃO É A IA.
O problema começa quando o gestor acredita que uma ferramenta tecnológica pode substituir conhecimento, experiência, julgamento e responsabilidade. Imagine uma organização com uma IA extraordinária, mas sem clareza de objetivos. Ela poderá produzir milhares de respostas. Mas para qual direção?
Imagine processos ruins sendo automatizados. Teremos eficiência? Não necessariamente. Podemos simplesmente conseguir algo muito perigoso: automatizar o erro. Imagine uma organização com toneladas de dados, mas sem capacidade de interpretá-los. Teremos inteligência? Não. Teremos informação sem decisão. Este lembrete é válido, inclusive, para as faculdades e universidades que formam administradores.
A IA PRECISA DE ADMINISTRADORES QUE SAIBAM ADMINISTRAR.
A IA pode mostrar tendências. O administrador precisa decidir o que fazer com elas. A IA pode sugerir estratégias. O administrador precisa avaliar riscos, recursos e consequências. A IA pode produzir um plano. O administrador precisa assumir a responsabilidade pela execução. A IA pode acelerar processos. O administrador precisa saber se o processo deveria existir daquela forma. Essa é a grande questão. A IA pode aumentar a nossa capacidade. Mas não pode terceirizar a nossa responsabilidade.
DE VOLTA ÀS ORIGENS.
Talvez precisemos ensinar novamente aquilo que parecia óbvio: Gestão de pessoas. Planejamento. Estratégia. Finanças. Processos. Atendimento. Liderança. Comunicação. Controle. Ética. Tomada de decisão. Resultados. E, depois de dominar esses fundamentos, utilizar a Inteligência Artificial para fazer tudo isso melhor, mais rápido e com maior capacidade analítica. Não precisamos escolher entre Administração e IA. Precisamos unir as duas.
ADMINISTRAÇÃO SEM IA pode perder velocidade. IA SEM ADMINISTRAÇÃO pode perder direção. O administrador do futuro será aquele que souber fazer as duas coisas: pensar como administrador e trabalhar com a inteligência artificial. Porque o futuro não será construído apenas por máquinas inteligentes. Será construído por pessoas capazes de utilizar máquinas inteligentes para resolver problemas reais. Por isso, minha provocação é simples: Utilize a IA. Explore seus recursos. Automatize. Analise. Inove. Ganhe produtividade.
Mas não entregue à tecnologia aquilo que é essencialmente responsabilidade do gestor: pensar, decidir, liderar e assumir as consequências das decisões. Talvez a Administração do futuro precise, paradoxalmente, fazer uma viagem ao passado. Voltar às origens para dominar o futuro. E você? Está usando a IA para administrar melhor ou está usando a IA para compensar aquilo que deixou de aprender sobre Administração? Ressalto: Antes de ensinar a máquina a administrar, precisamos ensinar novamente o ser humano a internalizar e praticar os princípios da administração.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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SER SÁBIO AOS PRÓPRIOS OLHOS PODE DESTRUIR SUA ORGANIZAÇÃOExiste uma armadilha silenciosa que pode atingir qualquer líde...
19/09/2026

SER SÁBIO AOS PRÓPRIOS OLHOS PODE DESTRUIR SUA ORGANIZAÇÃO

Existe uma armadilha silenciosa que pode atingir qualquer líder: acreditar que sabe mais do que todos ao seu redor.
O problema não está em ter conhecimento, experiência ou convicções. Pelo contrário: organizações precisam de pessoas preparadas, capazes de tomar decisões e assumir responsabilidades. O perigo começa quando o conhecimento se transforma em autossuficiência.
Quando o líder passa a acreditar que sua experiência é suficiente para responder a todas as perguntas, sua opinião começa a valer mais do que os fatos, os indicadores e as contribuições da equipe. E, nesse momento, a organização começa a perder uma de suas maiores riquezas: a capacidade de aprender.
O líder que não escuta cria uma organização que também não aprende
Uma equipe que percebe que suas ideias não são consideradas tende, com o tempo, a parar de contribuir. As pessoas deixam de apresentar problemas. Deixam de propor soluções. Deixam de questionar decisões. E passam a fazer apenas aquilo que lhes foi determinado.
O resultado pode ser uma organização aparentemente tranquila, mas internamente enfraquecida. Não há debate. Não há contraponto. Não há inovação. Há apenas concordância. E uma organização onde ninguém pode discordar do líder corre o risco de descobrir seus erros somente quando eles já se tornaram grandes demais para serem ignorados.
Experiência não substitui escuta
Um profissional pode ter décadas de experiência e, ainda assim, desconhecer uma realidade que mudou ontem. O mercado muda. A tecnologia muda. O comportamento das pessoas muda. Os clientes mudam. As necessidades sociais mudam. As formas de trabalhar mudam. Por isso, experiência é patrimônio, mas não pode se transformar em prisão.
O verdadeiro líder não precisa demonstrar que tem todas as respostas. Ele precisa criar um ambiente onde as melhores respostas possam aparecer. A sabedoria também está em dizer: "Eu não sei." Essa talvez seja uma das frases mais difíceis para quem ocupa posições de liderança. "Eu não sei." "Preciso ouvir a equipe." "Vamos analisar os dados." "Talvez exista uma alternativa melhor." "Você pode me explicar esse ponto?"
Essas frases não diminuem um líder. Ao contrário, demonstram maturidade. Porque liderança não é saber tudo. Liderança é saber onde buscar aquilo que você ainda não sabe.
O perigo do líder que sempre tem razão
Quando o líder precisa estar sempre certo, qualquer divergência passa a parecer uma ameaça. E quando toda divergência é interpretada como ameaça, a organização começa a eliminar justamente as pessoas que poderiam ajudá-la a melhorar. Surge uma cultura de silêncio. As reuniões tornam-se previsíveis. Os problemas são maquiados. Os indicadores podem ser apresentados de maneira confortável. As más notícias demoram a chegar à liderança. E quando finalmente chegam, muitas vezes já chegam acompanhadas de consequências.
Organizações fortes não são construídas por "donos da verdade"
São construídas por pessoas capazes de trabalhar com diferentes perspectivas. O líder precisa estabelecer direção, mas também precisa permitir participação. Precisa tomar decisões, mas precisa ouvir. Precisa cobrar resultados, mas também precisa compreender as causas. Precisa ter autoridade, mas não pode confundir autoridade com infalibilidade. Quem acredita que sabe tudo fecha as portas para aquilo que ainda precisa aprender. E talvez essa seja uma das maiores ameaças à sustentabilidade de uma organização.
Uma pergunta para todo líder
Antes de tomar uma decisão importante, pergunte: Estou tomando esta decisão porque os fatos indicam que ela é a melhor alternativa ou porque preciso provar que estou certo? A resposta pode revelar muito sobre o estilo de liderança existente dentro da organização. Humildade não signif**a falta de autoridade. Escuta não signif**a falta de firmeza.
Reconhecer que não sabe não signif**a incompetência. Signif**a compreender que nenhuma pessoa, por mais experiente que seja, consegue enxergar sozinha tudo aquilo que uma organização precisa enxergar.
O líder sábio não é aquele que sempre tem a resposta. É aquele que consegue construir um ambiente onde as melhores respostas possam ser encontradas. E essa diferença pode determinar se uma organização continuará aprendendo, evoluindo e prosperando — ou se f**ará presa às certezas de quem acredita ser sábio demais para ouvir.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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TERCEIRO SETOR: A POLÍTICA ORIENTA, MAS A GESTÃO SUSTENTA.No Terceiro Setor, existe uma realidade que precisa ser cada v...
16/09/2026

TERCEIRO SETOR: A POLÍTICA ORIENTA, MAS A GESTÃO SUSTENTA.
No Terceiro Setor, existe uma realidade que precisa ser cada vez mais compreendida: a política pode abrir caminhos, mas é a gestão que garante que esses caminhos produzam resultados. Relacionamentos institucionais são importantes. Diálogo com o poder público é necessário. Participação nas discussões de políticas públicas é legítima e, muitas vezes, indispensável.
Mas nenhuma organização social se sustenta apenas por influência, relacionamento ou acesso a recursos. Uma OSCIP - ou OSC - precisa transformar recursos, pessoas, projetos e oportunidades em resultados sociais concretos. É aí que entra a gestão.
A política orienta
As políticas públicas estabelecem prioridades, definem diretrizes e direcionam recursos para determinadas necessidades da sociedade. O Terceiro Setor participa desse processo porque conhece, muitas vezes de perto, problemas que o Estado e o mercado não conseguem solucionar isoladamente.
Uma organização social bem posicionada institucionalmente consegue dialogar, apresentar projetos, construir parcerias e contribuir para a formulação e execução de políticas públicas. Mas existe uma diferença fundamental entre ter acesso a oportunidades e ter capacidade para aproveitá-las. E essa diferença está na gestão.
A gestão sustenta
Uma organização pode ter uma excelente causa, uma história respeitada e boas relações institucionais. Entretanto, sem planejamento, governança, controles financeiros, compliance, prestação de contas, gestão de pessoas, comunicação e avaliação de resultados, sua capacidade de crescimento f**a comprometida.
Boa intenção não substitui gestão. Uma causa social precisa de propósito, mas também precisa de orçamento. Precisa de voluntários e profissionais comprometidos, mas também precisa de processos. Precisa de projetos relevantes, mas também precisa de indicadores. Precisa captar recursos, mas também precisa demonstrar como esses recursos foram utilizados e quais resultados produziram. Precisa de legitimidade social, mas também precisa de governança.
O novo desafio do Terceiro Setor
Durante muito tempo, a discussão esteve concentrada em uma pergunta: Quanto recurso a organização consegue captar? Hoje, precisamos fazer uma pergunta mais importante: Quanto impacto social a organização consegue gerar com os recursos que recebe? Essa mudança de perspectiva é decisiva.
O futuro do Terceiro Setor passa pela capacidade de demonstrar resultados, gerar confiança e administrar recursos com responsabilidade. O financiador quer segurança. O parceiro quer credibilidade. O poder público quer capacidade de execução. A sociedade quer transparência. E o beneficiário quer resultados. Tudo isso exige profissionalização.
Gestão não signif**a abandonar a causa
Pelo contrário. Profissionalizar a gestão é proteger a causa. Quanto melhor administrada for uma organização, maior será sua capacidade de cumprir sua missão. Quanto mais organizados forem seus processos, menor será o desperdício. Quanto mais transparente for sua atuação, maior será a confiança. Quanto mais preparados estiverem seus dirigentes, maior será a capacidade de construir parcerias. Quanto mais claros forem seus indicadores, mais fácil será demonstrar o impacto produzido. A gestão, portanto, não deve ser vista como burocracia. Gestão é infraestrutura da transformação social.
Da dependência à protagonização
O Terceiro Setor não pode ser visto apenas como beneficiário de recursos públicos ou privados. As OSCIPs e OSCs podem ser protagonistas da transformação social, desenvolvendo soluções, executando projetos, produzindo conhecimento, mobilizando comunidades e construindo redes de cooperação. Para isso, precisam combinar três elementos: PROPÓSITO + GESTÃO + RESULTADOS.
O propósito define onde queremos chegar. A gestão organiza os recursos para chegar lá. E os resultados demonstram se realmente chegamos. A política pode abrir a porta. A gestão precisa fazer a organização atravessá-la. Essa talvez seja uma das maiores reflexões para o futuro do Terceiro Setor.
Relacionamento institucional pode criar oportunidades. Políticas públicas podem direcionar recursos. Parcerias podem ampliar a capacidade de atuação. Mas é a gestão que transforma oportunidades em entregas.
Por isso, precisamos superar a ideia de que gestão é apenas uma atividade administrativa. Gestão é estratégia. Gestão é sustentabilidade. Gestão é governança. Gestão é transparência. Gestão é credibilidade. Gestão é capacidade de transformar recursos em impacto.
No Terceiro Setor, a política pode orientar os caminhos, mas é a gestão que sustenta a caminhada. E organizações que compreenderem essa realidade estarão mais preparadas não apenas para captar recursos, mas para gerar valor social, construir confiança e deixar resultados que possam ser comprovados.
O futuro do Terceiro Setor não será definido apenas pela capacidade de conseguir recursos, mas pela capacidade de transformar recursos em resultados sociais comprováveis.
Se você gostou do que leu, comente e compartilhe. Acesse o site da Confederação Brasileira das OSCIPs através do link: https://www.oscipbr.org/
O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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