29/08/2026
SE A PREFEITURA NÃO ESCUTA A POPULAÇÃO, QUEM ESTÁ GOVERNANDO A CIDADE?
Uma pergunta incômoda para prefeitos, vereadores e secretários municipais: Sua Prefeitura realmente ouve a população ou apenas comunica aquilo que já decidiu fazer?
Essa diferença pode parecer pequena. Mas ela muda completamente a forma de governar.
Durante décadas, a lógica predominante foi simples:
• O governo decide → executa → comunica.
• O cidadão recebe a informação.
Hoje, essa lógica já não é suficiente. A sociedade mudou. O cidadão mudou.
E a relação entre governo e sociedade também precisa mudar.
O cidadão não quer ser apenas informado
Imagine uma Prefeitura que divulga diariamente suas obras, inaugurações, programas e ações.
• Tudo muito bem produzido.
• Redes sociais funcionando.
• Assessoria de comunicação atuante.
• Vídeos.
• Fotografias.
• Notícias.
Mas existe uma pergunta fundamental:
A Prefeitura está ouvindo aquilo que a população está dizendo? Porque existe uma enorme diferença entre: falar para a população e falar com a população.
A primeira hipótese se chama comunicação. A segunda é conhecida como governança.
O maior erro pode estar dentro do gabinete
É possível administrar uma cidade inteira olhando para relatórios, planilhas, indicadores e processos administrativos. Mas existe algo que nenhum sistema consegue substituir completamente: a percepção de quem vive diariamente os problemas da cidade.
O morador sabe onde falta iluminação. O usuário sabe onde o transporte público não funciona adequadamente. O comerciante percebe mudanças no movimento econômico. O professor conhece problemas que não aparecem nos indicadores educacionais. O profissional da saúde conhece dificuldades que nem sempre chegam ao gabinete do secretário. A comunidade sabe quais problemas são urgentes. A questão é: alguém está realmente ouvindo?
Escuta ativa não é abrir uma caixa de sugestões
Aqui está outro ponto importante. Escuta ativa não signif**a simplesmente criar um canal de reclamações. Também não signif**a realizar uma audiência pública e depois arquivar as manifestações.
Escutar signif**a:
OUVIR → REGISTRAR → ANALISAR → PRIORIZAR → DECIDIR → DAR RETORNO. Esse ciclo precisa fazer parte da gestão.
Se o cidadão apresenta uma demanda e nunca recebe resposta, a confiança diminui. Se participa de uma reunião e percebe que nada mudou, a participação perde credibilidade. Se a população percebe que suas opiniões não influenciam absolutamente nada, ela deixa de participar. E aqui está uma oportunidade extraordinária para os municípios
Imagine se cada Prefeitura tivesse um verdadeiro: “Sistema Municipal de Escuta da População”.
Um sistema capaz de reunir:
• demandas dos bairros;
• reclamações recorrentes;
• sugestões;
• pesquisas de satisfação;
• manifestações da Ouvidoria;
• consultas públicas;
• reuniões comunitárias;
• informações das redes sociais;
• prioridades apontadas pelos cidadãos.
Tudo organizado por bairro, região, tema, urgência e frequência. O resultado?
A Prefeitura passaria a possuir algo extremamente valioso: INTELIGÊNCIA SOCIAL PARA GOVERNAR. E inteligência social pode melhorar decisões.
Mas atenção: ouvir não signif**a obedecer
Esse é um ponto fundamental. Democracia não signif**a governar por pesquisa de popularidade. O prefeito foi eleito para governar. Precisa tomar decisões. Precisa estabelecer prioridades. Precisa respeitar a legislação. Precisa considerar orçamento, planejamento, aspectos técnicos e interesse coletivo.
Portanto:
Escutar não signif**a transferir a responsabilidade de governar para a população. Signif**a tomar decisões melhores porque se conhece melhor a realidade.
O gestor deve combinar:
ESCUTA + DADOS + CONHECIMENTO TÉCNICO + PLANEJAMENTO + RESPONSABILIDADE.
A pergunta que todo prefeito deveria fazer
Antes de lançar um grande projeto, pergunte: “Nós perguntamos à população o que ela considera prioritário?”
Antes de investir milhões em determinada obra: “Qual é o problema que estamos tentando resolver?” E, principalmente: “Temos evidências de que essa é realmente uma prioridade para a cidade?” Talvez algumas respostas sejam surpreendentes. Talvez uma obra muito desejada pelo governo não seja a prioridade da população. Talvez um problema aparentemente pequeno esteja afetando milhares de pessoas. Talvez uma solução simples possa produzir mais impacto do que uma obra monumental. É justamente aí que a escuta se transforma em estratégia de gestão.
E O PAPEL DA CÂMARA MUNICIPAL?
A Câmara também precisa participar desse processo. Vereadores estão permanentemente em contato com a população. Recebem reclamações. Recebem sugestões. Conhecem os bairros. Conhecem as comunidades. Conhecem demandas específ**as. Essa informação pode ser transformada em inteligência para o município. A Câmara não deve ser apenas um espaço de disputa política. Pode ser também um importante canal institucional de participação popular.
O município do futuro será mais participativo
A Prefeitura do futuro não será necessariamente aquela que possui mais equipamentos. Nem aquela que produz mais publicidade. Será aquela que conseguir construir uma relação de confiança com seus cidadãos. Uma relação baseada em:
• transparência;
• diálogo;
• participação;
• resposta;
• responsabilidade;
• resultado.
E existe uma mudança cultural importante. Deixar de perguntar apenas: “O que a Prefeitura quer fazer?” E começar a perguntar: “O que a cidade precisa que façamos?” Essa mudança parece simples, mas pode transformar completamente a gestão municipal.
UM DESAFIO AOS GESTORES MUNICIPAIS
Prefeitos, vereadores e secretários, me respondam: Quantas decisões importantes do seu município foram tomadas depois de uma escuta estruturada da população? Não estou falando de curtidas nas redes sociais. Não estou falando de comentários em uma publicação. Não estou falando apenas de reclamações recebidas. Estou falando de escuta organizada, sistemática e transformada em informação para decisão.
Se a resposta for “poucas”, existe aí uma enorme oportunidade de modernização da gestão. Porque:
• Quem escuta melhor, governa melhor.
• Quem compreende melhor, decide melhor.
• Quem dá retorno, constrói confiança.
• E quem constrói confiança aproxima o Poder Público da sociedade.
No século XXI, o cidadão não quer apenas uma Prefeitura que FAÇA. Ele quer uma Prefeitura que: OUÇA. DIALOGUE. EXPLIQUE. RESPONDA. ENTREGUE. E, principalmente: RESPEITE A INTELIGÊNCIA DA POPULAÇÃO.
A cidade não pertence ao governo. O governo pertence à cidade. E talvez essa seja uma das maiores revoluções que precisamos promover na administração municipal: transformar o cidadão de espectador em participante da construção da cidade.
E você, o que pensa?
Uma Prefeitura deve primeiro ouvir a população antes de definir suas principais prioridades? Quero conhecer a opinião de prefeitos, vereadores, secretários, servidores públicos e cidadãos. Vamos abrir esse debate. Por que? Em breve estaremos lançando oficialmente o Programa Excelência Privada no Serviço Público Municipal.
Trata-se de um programa de capacitação para os gestores municipais que estará à disposição de todos os municípios através da COSCIP/BR. E, em seguida, estaremos lançando o livro: Tratado de Excelência Privada no Serviço Público, que deverá se transformar no livro de cabeceira de todo governante municipal que deseja executar uma administração marcante em sua cidade, transformando o usuário dos seus serviços em: cliente, como se faz no mundo privado. Aguarde.
Se você gostou do que leu, comente e compartilhe com os titulares de órgãos municipais que você conhece, e que na sua opinião necessitam dessas orientações.
Acesse o site da Confederação Brasileira das OSCIPs através do link: https://www.oscipbr.org/
O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.
https://www.linkedin.com/pulse/se-prefeitura-n%25C3%25A3o-escuta-popula%25C3%25A7%25C3%25A3o-quem-est%25C3%25A1-cidade-veloso-gomes-dsqkf
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