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PROMOVER O MELHOR TÉCNICO PODE CUSTAR CARO: COMPETÊNCIA NÃO É O MESMO QUE LIDERANÇAExiste um erro bastante comum nas org...
01/11/2026

PROMOVER O MELHOR TÉCNICO PODE CUSTAR CARO: COMPETÊNCIA NÃO É O MESMO QUE LIDERANÇA
Existe um erro bastante comum nas organizações, independentemente de seu porte ou segmento de atuação: acreditar que o melhor profissional técnico será, necessariamente, um excelente líder.
Essa percepção, embora pareça lógica, pode produzir consequências bastante negativas para a organização. O profissional que apresenta o melhor desempenho técnico, que domina os processos, resolve problemas com rapidez e entrega resultados consistentes, frequentemente passa a ser visto como o candidato natural à promoção. Afinal, se ele é o melhor naquilo que faz, por que não colocá-lo à frente de uma equipe?
É justamente aí que pode começar um dos maiores equívocos da gestão. Ser excelente na execução de uma atividade não significa estar preparado para conduzir pessoas.
O risco de promover pelo desempenho técnico
Imagine uma organização que possui um excelente analista financeiro. Ele conhece profundamente os procedimentos, domina os controles, identifica inconsistências e entrega seus trabalhos com precisão. A direção decide promovê-lo a gerente financeiro.
Entretanto, depois da promoção, surgem dificuldades inesperadas. Ele não consegue delegar tarefas, centraliza decisões, demonstra impaciência com os erros dos subordinados e tem dificuldade para desenvolver a equipe.
O que antes era uma competência individual passa a representar um problema coletivo. O profissional continua sendo tecnicamente competente, mas não consegue transformar seu conhecimento em resultados por meio das pessoas. A organização pode perder um excelente técnico e ganhar um gestor despreparado.
E o prejuízo não está apenas na produtividade. Está também no clima organizacional, na motivação dos colaboradores, na comunicação interna e na capacidade de alcançar resultados sustentáveis.
Competência técnica e competência gerencial são diferentes
A competência técnica está relacionada ao conhecimento especializado, à experiência, à capacidade de executar tarefas e à resolução de problemas específicos. A competência gerencial exige outras habilidades:
• Saber ouvir antes de decidir.
• Delegar responsabilidades e acompanhar resultados.
• Desenvolver pessoas e identificar talentos.
• Administrar conflitos sem comprometer relacionamentos.
• Comunicar objetivos com clareza.
• Tomar decisões considerando o coletivo.
• Reconhecer erros e assumir responsabilidades.
• Inspirar confiança e construir compromissos.
O bom técnico costuma ser reconhecido pelo que consegue fazer individualmente. O bom líder é reconhecido pelo que consegue construir com outras pessoas. Essa diferença precisa estar presente em qualquer política de promoção.
Liderança não é prêmio por bom desempenho
Outro equívoco é tratar a promoção a um cargo de liderança como uma espécie de recompensa pelo tempo de serviço, dedicação ou excelência profissional. O colaborador apresenta bons resultados durante anos e, como reconhecimento, recebe uma função de chefia. Mas será que ele deseja liderar? Será que possui habilidades para administrar pessoas? Será que está preparado para deixar de ser o principal executor e assumir a responsabilidade pelo desempenho de uma equipe? Nem sempre.
Alguns profissionais excelentes preferem continuar em suas atividades técnicas. Isso não significa falta de ambição ou capacidade de crescimento. Significa apenas que suas competências podem ser mais bem aproveitadas em uma carreira especializada. As organizações inteligentes criam caminhos de valorização tanto para especialistas quanto para gestores. Nem toda carreira precisa terminar em um cargo de chefia.
O verdadeiro papel do líder
O líder não precisa ser o profissional que mais entende de todos os assuntos de sua área. Precisa saber reunir pessoas que entendam, estabelecer prioridades, oferecer condições de trabalho, acompanhar resultados e criar um ambiente no qual as competências individuais se transformem em realizações coletivas.
Sua principal contribuição não está em fazer tudo, mas em fazer com que a equipe consiga fazer bem aquilo que precisa ser feito. Isso exige maturidade emocional, capacidade de comunicação, visão sistêmica, equilíbrio e disposição para desenvolver pessoas. Um líder inseguro costuma cercar-se de pessoas que dependem dele.
Um líder preparado desenvolve pessoas capazes de tomar decisões, assumir responsabilidades e até superá-lo em determinadas competências. Essa é uma das maiores demonstrações de maturidade na liderança.
O desafio em todos os setores da economia
Nas empresas privadas, a promoção inadequada pode comprometer resultados, aumentar custos e prejudicar a competitividade. No setor público, pode gerar lentidão, desmotivação, conflitos internos e perda de eficiência na prestação dos serviços à população. No terceiro setor, o problema pode ser ainda mais delicado.
Uma OSC ou OSCIP não pode confundir conhecimento técnico com capacidade de gestão institucional. Dominar a contabilidade, o direito, a elaboração de projetos ou a execução de atividades sociais não significa, automaticamente, estar preparado para conduzir uma organização.
Uma instituição precisa de pessoas capazes de compreender sua missão, administrar recursos, mobilizar equipes, construir parcerias, desenvolver estratégias e garantir sustentabilidade. O compromisso com a causa é fundamental, mas não substitui a competência gerencial. A boa gestão exige conhecimentos técnicos, administrativos, humanos e estratégicos trabalhando de maneira integrada.
Antes de promover, prepare e avalie
A promoção de um profissional para uma função de liderança deveria ser precedida de uma avaliação mais ampla. É necessário identificar não apenas o que ele sabe fazer, mas também sua capacidade de:
• Trabalhar em equipe e construir relacionamentos.
• Comunicar-se de maneira clara e respeitosa.
• Resolver conflitos e administrar diferenças.
• Delegar e acompanhar responsabilidades.
• Tomar decisões considerando os objetivos institucionais.
• Desenvolver pessoas e compartilhar conhecimentos.
• Compreender a organização além dos limites de sua especialidade.
Além disso, as organizações precisam investir em programas de desenvolvimento de lideranças, preparando profissionais antes de colocá-los diante dos desafios de uma equipe. Promover sem preparar é transferir uma responsabilidade para alguém que talvez ainda não esteja pronto para assumi-la.
Uma reflexão necessária para dirigentes e gestores
Uma organização não cresce simplesmente porque reúne profissionais tecnicamente excelentes. Ela cresce quando consegue integrar competências, estabelecer objetivos, desenvolver pessoas e transformar conhecimento em resultados.
O melhor técnico pode ser um excelente líder, desde que também possua ou desenvolva as competências necessárias para liderar. O problema não está em promover bons profissionais. Está em presumir que o desempenho individual seja suficiente para garantir o sucesso na gestão de pessoas. A competência técnica faz o profissional se destacar. A competência gerencial permite que ele faça uma equipe se destacar. Talvez esteja na hora de revermos nossos critérios de promoção.
Em vez de perguntar apenas quem é o melhor profissional da área, precisamos perguntar: Quem está preparado para assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento das pessoas e pelos resultados do conjunto?
Afinal, uma organização não precisa apenas de excelentes executores. Precisa de líderes capazes de multiplicar competências, construir confiança e produzir resultados coletivos. Promover o melhor técnico pode ser uma boa decisão. Promovê-lo sem avaliar sua capacidade de liderança pode custar muito caro.
Se você gostou do que leu, comente e compartilhe. Acesse o site da Confederação Brasileira das OSCIPs através do link: https://www.oscipbr.org/
O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; proprietário da EVG Cursos, Palestras e Workshops; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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GOVERNANÇA, INOVAÇÃO E GESTÃO DE IMPACTO: O TERCEIRO SETOR PRECISA REINVENTAR SUA FORMA DE ADMINISTRARO compromisso com ...
30/10/2026

GOVERNANÇA, INOVAÇÃO E GESTÃO DE IMPACTO: O TERCEIRO SETOR PRECISA REINVENTAR SUA FORMA DE ADMINISTRAR
O compromisso com uma causa social é o ponto de partida. A competência administrativa é o que permite transformar esse compromisso em resultados sustentáveis.
O Terceiro Setor brasileiro ocupa uma posição cada vez mais relevante na construção de soluções para os problemas sociais, econômicos, educacionais, ambientais e culturais do país. Suas organizações mobilizam pessoas, articulam parcerias, desenvolvem projetos e chegam a comunidades onde, muitas vezes, as políticas públicas e as estruturas privadas não conseguem atender plenamente às necessidades existentes.
Entretanto, existe uma contradição que merece nossa atenção: organizações que possuem missões relevantes e grande potencial de transformação social nem sempre dispõem de estruturas administrativas compatíveis com a importância de suas atividades.
Ainda encontramos instituições nas quais a gestão se confunde com a atuação de seus dirigentes, o planejamento é substituído pela urgência, a inovação é vista como despesa e a avaliação dos resultados se limita à quantidade de atividades realizadas. Esse modelo precisa evoluir.
O Terceiro Setor não pode pretender transformar a sociedade utilizando estruturas administrativas que, muitas vezes, precisam também ser transformadas. Nesse contexto, três dimensões tornam-se fundamentais: governança, inovação e gestão de impacto.
1. GOVERNANÇA: A MATURIDADE INSTITUCIONAL COMEÇA DENTRO DE CASA
Uma organização não demonstra maturidade apenas porque possui estatuto registrado, diretoria constituída e documentação regularizada. A regularidade jurídica é indispensável, mas não representa, isoladamente, uma boa governança.
Governança significa estabelecer uma estrutura capaz de orientar, supervisionar e avaliar a administração institucional, assegurando que as decisões sejam tomadas com responsabilidade e transparência.
É necessário superar o personalismo administrativo, ainda presente em muitas organizações, no qual o presidente concentra informações, decisões, relacionamentos e responsabilidades. Uma instituição não pode depender exclusivamente da vontade, da disponibilidade ou da permanência de uma única pessoa. O verdadeiro desenvolvimento institucional acontece quando a organização constrói procedimentos, distribui responsabilidades, estabelece controles e desenvolve lideranças.
Isso exige:
Conselhos que efetivamente exerçam suas atribuições. Diretorias com responsabilidades claramente definidas. Planejamento estratégico e metas institucionais. Políticas de integridade e prevenção de conflitos de interesse. Controles financeiros e administrativos. Transparência nas decisões e na utilização dos recursos. Avaliação periódica do desempenho institucional.
A governança precisa deixar de ser um conjunto de documentos preparado para atender às exigências externas e passar a orientar efetivamente a vida da organização. Uma instituição forte não é aquela que possui um dirigente insubstituível, mas aquela que possui uma estrutura capaz de continuar funcionando independentemente de quem esteja na direção.
2. INOVAÇÃO: O MAIOR OBSTÁCULO PODE ESTAR NA MENTALIDADE DOS DIRIGENTES
Quando falamos em inovação, muitas pessoas imediatamente pensam em tecnologia, inteligência artificial, plataformas digitais e automação. Essas ferramentas são importantes, mas a inovação começa antes da tecnologia. Começa na disposição de questionar práticas administrativas, rever processos e reconhecer que os modelos utilizados no passado podem não responder às necessidades do presente.
No Terceiro Setor, ainda existe uma tendência de reproduzir estruturas e procedimentos simplesmente porque sempre foram utilizados daquela maneira. Entretanto, o ambiente mudou.
As organizações precisam competir pela atenção dos financiadores, conquistar a confiança de empresas e instituições públicas, desenvolver novas fontes de receita, melhorar sua comunicação e apresentar resultados cada vez mais consistentes.
A inteligência artificial oferece oportunidades extraordinárias para o setor, desde que utilizada com responsabilidade e supervisão humana. Pode contribuir para a elaboração de projetos, análise de dados, planejamento, comunicação, organização financeira e acompanhamento de indicadores.
Mas é preciso compreender uma questão fundamental:
A inteligência artificial não substitui o conhecimento administrativo. Não corrige automaticamente falhas de planejamento, não cria governança e não transforma uma organização desorganizada em uma instituição eficiente. A tecnologia amplia capacidades. A qualidade da administração determina como essas capacidades serão utilizadas.
Portanto, inovar não significa apenas adquirir ferramentas modernas. Significa desenvolver uma cultura institucional aberta à aprendizagem, à experimentação e à melhoria contínua.
3. GESTÃO DE IMPACTO: O QUE MUDA NA VIDA DAS PESSOAS?
Talvez um dos maiores desafios administrativos do Terceiro Setor seja abandonar a ideia de que executar projetos significa, necessariamente, produzir impacto social. Uma organização pode realizar dezenas de eventos, oferecer centenas de cursos e atender milhares de pessoas sem conseguir demonstrar claramente quais transformações produziu.
Isso acontece porque existe uma diferença entre atividade, resultado e impacto. Uma atividade representa aquilo que foi realizado. Um resultado demonstra o que foi alcançado diretamente. O impacto procura identificar as mudanças significativas produzidas na realidade das pessoas, das comunidades ou do ambiente.
Imagine uma OSC que desenvolve um programa de capacitação profissional. Não basta informar quantas pessoas participaram das aulas e receberam certificados. É importante acompanhar quantas desenvolveram novas competências, conseguiram emprego, iniciaram atividades empreendedoras ou melhoraram suas condições de vida. Essa mudança de perspectiva exige indicadores, metas, acompanhamento e avaliação.
A gestão de impacto permite que a organização deixe de apresentar apenas relatórios de atividades e passe a demonstrar sua contribuição efetiva para a sociedade. Também fortalece sua credibilidade perante financiadores, parceiros, beneficiários e órgãos de controle. Quem não mede seus resultados tem dificuldade para demonstrar seu valor. Quem não avalia seu impacto perde oportunidades de aprender e melhorar.
4. SUSTENTABILIDADE: A ORGANIZAÇÃO PRECISA APRENDER A GERAR VALOR
Outro desafio importante está relacionado à sustentabilidade financeira. Muitas organizações estruturam suas atividades em torno de editais, emendas parlamentares, convênios e parcerias pontuais. Esses instrumentos são legítimos e importantes, mas não deveriam representar a única estratégia de sobrevivência institucional. É necessário desenvolver uma administração empreendedora.
Isso significa identificar oportunidades de prestação de serviços compatíveis com os objetivos estatutários, desenvolver programas de capacitação, estabelecer parcerias empresariais, ampliar a rede de apoiadores e diversificar as fontes de financiamento. Também significa compreender que uma organização social precisa administrar seus custos, controlar seu fluxo de caixa, planejar investimentos e desenvolver estratégias de comunicação e marketing institucional.
Existe uma diferença entre captar recursos para executar um projeto e construir uma organização financeiramente sustentável. A primeira ação resolve uma necessidade específica. A segunda fortalece a capacidade de atuação ao longo do tempo.
O Terceiro Setor precisa compreender que sustentabilidade não é apenas conseguir dinheiro. É desenvolver capacidade institucional para cumprir sua missão com continuidade, eficiência e responsabilidade.
5. PROFISSIONALIZAÇÃO: O COMPROMISSO SOCIAL PRECISA CAMINHAR COM A COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA
Este é um dos pontos mais importantes dessa discussão. Ainda existe a percepção de que, por serem organizações sem finalidade lucrativa, as OSCs e OSCIPs podem funcionar com estruturas administrativas menos exigentes. Essa interpretação é equivocada.
A ausência de finalidade lucrativa não elimina a necessidade de eficiência, planejamento, controles e resultados. Pelo contrário: administrar recursos destinados a finalidades sociais exige elevado compromisso ético e responsabilidade institucional. O dirigente precisa compreender que administrar uma organização social envolve conhecimentos de administração, finanças, gestão de pessoas, marketing, legislação, planejamento estratégico, governança e gestão de projetos.
Não é necessário que domine individualmente todas essas áreas, mas precisa saber estruturar equipes, contratar competências, delegar responsabilidades e acompanhar resultados. A profissionalização não representa a transformação das organizações sociais em empresas convencionais. Representa o reconhecimento de que uma missão social importante merece uma administração igualmente importante.
6. UM NOVO MODELO DE ADMINISTRAÇÃO PARA O TERCEIRO SETOR
Governança, inovação e gestão de impacto precisam ser integradas em um modelo de administração que considere a organização como um sistema. Não adianta desenvolver tecnologia sem planejamento. Não adianta possuir planejamento sem mecanismos de governança. Não adianta executar projetos sem avaliar resultados. E não adianta produzir impacto social sem construir condições para que a instituição continue existindo. O caminho exige uma mudança cultural que envolva dirigentes, conselheiros, colaboradores, voluntários e parceiros.
Precisamos de organizações que aprendam continuamente, utilizem informações para decidir, desenvolvam lideranças, valorizem competências profissionais e compreendam a importância da sustentabilidade institucional. Precisamos, sobretudo, de dirigentes dispostos a reconhecer que administrar também é uma competência que precisa ser desenvolvida.
O FUTURO PERTENCE ÀS ORGANIZAÇÕES QUE SOUBEREM EVOLUIR
O Terceiro Setor brasileiro possui uma extraordinária capacidade de mobilização e transformação social. Entretanto, essa capacidade não será plenamente aproveitada enquanto a administração continuar sendo tratada como uma atividade secundária.
Governança não pode ser apenas uma exigência documental. Inovação não pode ser apenas uma palavra utilizada em projetos. Impacto social não pode ser apenas um argumento para conquistar financiamentos. São dimensões que precisam estar presentes nas decisões cotidianas das organizações.
O grande desafio contemporâneo não é apenas conseguir mais recursos, realizar mais projetos ou ampliar o número de beneficiários. É construir instituições mais preparadas para administrar recursos, desenvolver pessoas, estabelecer parcerias e produzir transformações sociais mensuráveis.
Precisamos deixar para trás a ideia de que a boa intenção é suficiente para garantir uma boa administração. A causa social pode ser o motivo pelo qual uma organização nasce. Mas é a qualidade de sua administração que determinará sua capacidade de crescer, permanecer e transformar realidades.
O Terceiro Setor precisa de mais do que dirigentes comprometidos com boas causas. Precisa de lideranças comprometidas também com a excelência administrativa. Esse é o caminho para um setor mais forte, confiável, inovador e sustentável.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; proprietário da EVG Cursos, Palestras e Workshops; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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PÓS-ELEIÇÕES: A ESCOLHA FOI FEITA. AGORA, O BRASIL PRECISA SEGUIR COMO EXEMPLO PARA O MUNDO DE DEMOCRACIA PLENA. O perío...
28/10/2026

PÓS-ELEIÇÕES: A ESCOLHA FOI FEITA. AGORA, O BRASIL PRECISA SEGUIR COMO EXEMPLO PARA O MUNDO DE DEMOCRACIA PLENA.

O período eleitoral termina, mas a democracia continua. E é justamente no momento seguinte à escolha das urnas que uma nação demonstra a maturidade de suas instituições e a força de seus valores democráticos.
A eleição é um dos instrumentos mais importantes da democracia: permite que a população expresse suas preferências, escolha seus representantes e participe dos rumos do país. No Brasil, esse princípio está consagrado na Constituição Federal de 1988, que estabelece o Estado Democrático de Direito e reconhece que todo o poder emana do povo. A escolha foi feita. Agora, é hora de seguir em frente.
Independentemente de preferências políticas, o resultado de uma eleição deve abrir espaço para uma nova etapa: a do diálogo, da responsabilidade institucional e do compromisso com o interesse público.
Em uma sociedade plural, é natural que existam divergências, diferentes visões de futuro e debates intensos. A democracia não exige que todos pensem da mesma forma. Ela exige que saibamos conviver com as diferenças, respeitar as regras do jogo democrático e reconhecer que o país pertence a todos os brasileiros.
O desafio do pós-eleição é transformar a disputa em participação construtiva. É compreender que a crítica continua sendo legítima, que a fiscalização do poder é necessária e que a liberdade de expressão deve caminhar junto com o respeito aos direitos e às instituições.
O Brasil diante do mundo
Quem acompanhou os noticiários internacionais deve ter visto a expectativa do mundo com relação ao resultado das nossas urnas. Agora, mais uma vez, o Brasil tem a oportunidade de reafirmar seu compromisso com os valores democráticos perante a comunidade internacional. Para isso, não basta realizar eleições: é fundamental fortalecer a confiança nas instituições, respeitar a vontade popular, combater a desinformação e garantir que as divergências sejam resolvidas por meios pacíficos e dentro da legalidade.
Ser exemplo de democracia não significa não enfrentar desafios. Significa demonstrar capacidade de enfrentá-los com responsabilidade, transparência, respeito às leis e compromisso com os direitos fundamentais.
A democracia se fortalece quando as instituições cumprem seus papéis, quando os representantes prestam contas à sociedade e quando os cidadãos participam da vida pública para além do período eleitoral.
Também se fortalece quando adversários políticos conseguem reconhecer que, acima das disputas, existe um compromisso comum com a Constituição, a estabilidade institucional e o futuro do país.
O que vem depois das urnas?
Vem o trabalho. Vem a responsabilidade de governar, legislar, fiscalizar e participar. Vem a necessidade de enfrentar os problemas reais da população, promover oportunidades, reduzir desigualdades e construir caminhos para o desenvolvimento.
Aos eleitos, cabe exercer seus mandatos com responsabilidade e respeito à Constituição. Às instituições, cabe atuar dentro de suas competências, com independência e harmonia. À sociedade, cabe acompanhar, questionar, contribuir e cobrar resultados.
E a todos nós cabe uma tarefa essencial: não permitir que as divergências políticas se transformem em barreiras permanentes ao diálogo e à convivência democrática.
O futuro de uma nação não pode ficar aprisionado às disputas de uma eleição. Ele precisa ser construído diariamente, com participação cidadã, respeito às diferenças e compromisso com o bem comum.
Democracia é um compromisso permanente
O mundo observa como as sociedades lidam com suas escolhas, com suas diferenças e com a alternância de poder. O Brasil pode contribuir para essa reflexão ao demonstrar que a pluralidade política e a convivência democrática são compatíveis com a busca por objetivos comuns.
A eleição define representantes e mandatos. A democracia, porém, é muito maior do que o calendário eleitoral: é um compromisso permanente com a liberdade, a cidadania, a justiça e a dignidade humana.
A escolha foi feita. Que o próximo capítulo seja marcado pelo respeito, pelo diálogo, pela responsabilidade e pela capacidade de construir um futuro compartilhado.
Que o Brasil siga fortalecendo suas instituições, valorizando sua diversidade e demonstrando ao mundo que a democracia não se resume ao ato de votar: ela se revela, sobretudo, na maneira como uma sociedade escolhe seguir em frente.
Porque, no fim, a democracia não pertence a um partido, a um candidato ou a um grupo. Ela pertence ao povo e exige o compromisso de todos.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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HORA DE VOTAR: VOCÊ ESCOLHERÁ UM CORTE DE R$ 250 BILHÕES NO ORÇAMENTO PARA AJUSTAR AS CONTAS OU UM PROJETO DE PAÍS PARA ...
24/10/2026

HORA DE VOTAR: VOCÊ ESCOLHERÁ UM CORTE DE R$ 250 BILHÕES NO ORÇAMENTO PARA AJUSTAR AS CONTAS OU UM PROJETO DE PAÍS PARA O FUTURO SEM ESSE CORTE?

Entre o rigor fiscal e o desenvolvimento nacional, o Brasil precisa de uma escolha consciente — e não de uma falsa promessa de que é possível resolver todos os problemas sem assumir custos e responsabilidades.
Chegou a hora de votar. E, com ela, chega também o momento de refletir sobre uma das decisões mais importantes para o futuro do Brasil: como equilibrar as contas públicas sem comprometer a capacidade do Estado de promover o desenvolvimento econômico e social? Estamos diante de duas propostas.
A primeira defende um corte de R$ 250 bilhões no orçamento público, com o objetivo de ajustar as contas, reduzir desequilíbrios fiscais e recuperar a confiança na economia.
A segunda propõe um projeto de país para o futuro, sem realizar esse corte de R$ 250 bilhões, apostando em outras alternativas para financiar o desenvolvimento, preservar políticas públicas e estimular o crescimento econômico. Qual delas você vai escolher?
A resposta não deveria depender apenas de ideologia, simpatia partidária ou discurso eleitoral. Deveria depender da análise das propostas, de seus custos, de seus riscos e, principalmente, de suas consequências para a vida dos brasileiros. Veja: não estou falando de condutas éticas desabonadoras de “A” ou “B”.
Antes de tudo, é importante esclarecer: um corte de R$ 250 bilhões é uma hipótese de política econômica que precisa ter sua composição, seu prazo e seus efeitos demonstrados. Não se pode avaliar adequadamente essa proposta sem saber quais despesas seriam reduzidas, quais resultados fiscais seriam esperados e quais alternativas estariam disponíveis. Mas é justamente essa discussão que precisamos ter. O ajuste fiscal tem um preço. A ausência dele também pode ter.
Ninguém responsável pode ignorar a importância do equilíbrio das contas públicas. Quando as despesas crescem de maneira incompatível com as receitas e com a capacidade de financiamento do Estado, surgem riscos para a economia.
O endividamento pode aumentar, os juros podem permanecer elevados, o investimento pode perder força e o espaço para financiar políticas públicas pode diminuir. Em determinadas circunstâncias, ajustar as contas é necessário.
Entretanto, existe uma pergunta que não pode ser ignorada: ajustar as contas públicas significa necessariamente cortar R$ 250 bilhões de despesas? Não necessariamente.
O resultado depende da situação fiscal, da natureza das despesas, do período considerado e das alternativas disponíveis. Um ajuste pode envolver revisão de gastos, combate a desperdícios, avaliação de subsídios, melhoria da arrecadação, mudanças estruturais e medidas para elevar a produtividade da economia.
Além disso, cortes lineares podem produzir consequências muito diferentes de uma revisão criteriosa do orçamento. Reduzir desperdícios não é a mesma coisa que diminuir recursos destinados a serviços essenciais ou investimentos estratégicos. O desafio, portanto, não é simplesmente cortar. É identificar o que pode ser reduzido, o que precisa ser preservado e o que deve ser transformado.
E se escolhermos um projeto de país sem esse corte? A segunda alternativa também precisa ser examinada com seriedade. Defender um projeto de país sem um corte de R$ 250 bilhões não pode significar ignorar o equilíbrio fiscal ou imaginar que o dinheiro público é ilimitado.
Um projeto consistente precisa demonstrar como financiará suas prioridades, como manterá a dívida pública sustentável e como produzirá crescimento econômico suficiente para ampliar as oportunidades da população. É possível discutir alternativas ao corte proposto, mas elas precisam ser concretas.
Entre elas, estão a melhoria da eficiência administrativa, a revisão de benefícios e incentivos que não entregam resultados proporcionais ao seu custo, o combate a fraudes, a modernização da gestão pública e a criação de condições para ampliar investimentos e produtividade.
Também é necessário avaliar a qualidade das despesas existentes. Há gastos que geram benefícios duradouros para a sociedade e outros que precisam ser revistos. Educação, saúde, infraestrutura, ciência, tecnologia e qualificação profissional, por exemplo, podem contribuir para o desenvolvimento de longo prazo. Mas até essas áreas precisam de planejamento, metas e avaliação de resultados.
Não cortar R$ 250 bilhões só faz sentido como escolha econômica se houver uma alternativa fiscalmente sustentável, socialmente responsável e capaz de produzir resultados superiores ou mais equilibrados. Caso contrário, estaremos apenas adiando problemas que poderão se tornar mais caros no futuro.
O que realmente deve estar em votação?
O eleitor brasileiro não deveria ser colocado diante de uma disputa simplificada entre quem corta e quem não corta. A questão central é outra: qual proposta oferece o melhor equilíbrio entre responsabilidade fiscal, crescimento econômico, justiça social e desenvolvimento nacional?
Um corte mal planejado pode prejudicar serviços, reduzir investimentos produtivos e comprometer políticas importantes. Por outro lado, a manutenção de despesas sem avaliação, financiamento adequado ou perspectiva de resultados pode agravar os desequilíbrios fiscais e limitar as possibilidades futuras do país.
As duas escolhas apresentam riscos. E é justamente por isso que deveríamos ter exigido dos candidatos mais do que slogans. Para decidirmos corretamente precisamos de números, estudos, prioridades e compromissos verificáveis.
Precisamos saber quais despesas seriam reduzidas, quais programas seriam preservados, quais receitas sustentariam as alternativas propostas e como os resultados seriam medidos.
Precisamos, sobretudo, de governantes capazes de explicar suas decisões à sociedade, inclusive quando elas forem difíceis.
O Brasil precisa pensar além do próximo mandato
Um projeto de país não deveria ser construído apenas para vencer uma eleição. Deveria considerar o Brasil que queremos entregar às próximas gerações.
Queremos uma economia capaz de gerar empregos de qualidade? Então precisamos discutir produtividade, educação, ambiente de negócios e qualificação profissional. Queremos reduzir a desigualdade? Então precisamos combinar proteção social, oportunidades de trabalho e políticas públicas eficientes.
Queremos serviços públicos melhores? Então precisamos investir em planejamento, tecnologia, gestão e avaliação de desempenho. Queremos contas públicas sustentáveis? Então precisamos enfrentar desperdícios, avaliar prioridades e tomar decisões compatíveis com a capacidade financeira do Estado.
Esses objetivos não são necessariamente incompatíveis. O verdadeiro desafio é construir uma estratégia que permita persegui-los simultaneamente, com escolhas transparentes e responsabilidade.
O Brasil não precisa escolher entre irresponsabilidade fiscal e insensibilidade social. Precisa de uma política econômica que compreenda que a sustentabilidade das contas públicas é um meio para viabilizar o desenvolvimento, e não um objetivo isolado de todas as demais necessidades da população. Da mesma forma, o desenvolvimento social não pode ser utilizado como justificativa para ignorar indefinidamente os custos das decisões públicas.
Na hora de votar, faça as perguntas certas
Antes de escolher seu candidato, pergunte: O corte de R$ 250 bilhões está devidamente fundamentado? Em quais despesas ele incidiria? Quais seriam os impactos sobre os serviços públicos, os investimentos, o emprego e o crescimento econômico? Se o corte não for realizado, qual será a alternativa concreta para manter as contas públicas sustentáveis?
Como cada proposta pretende financiar educação, saúde, segurança, infraestrutura e proteção social? Quais metas serão estabelecidas e como a sociedade poderá acompanhar os resultados? O candidato apresenta um projeto de longo prazo ou apenas medidas para produzir efeitos imediatos?

Essas perguntas não favorecem automaticamente um lado. Elas ajudam o eleitor a distinguir propostas consistentes de promessas que não resistem a uma análise mais rigorosa. Afinal, o orçamento público não é uma abstração contábil. Ele representa escolhas que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas.
Minha reflexão final
Na hora de votar, não devemos perguntar apenas quem pretende cortar R$ 250 bilhões ou quem promete preservar esses recursos. Devemos perguntar qual caminho poderá levar o Brasil a uma situação fiscal sustentável, com crescimento econômico, serviços públicos de qualidade e oportunidades reais para a população.
O corte não deve ser tratado como um fim em si mesmo. A preservação dos gastos também não pode ser considerada uma virtude automática. O que importa é a qualidade das decisões, a consistência das alternativas e a capacidade de transformar recursos públicos em resultados concretos.
O Brasil precisa de equilíbrio nas contas, mas também de equilíbrio nas prioridades. Precisa de responsabilidade fiscal, sem perder de vista a responsabilidade social. E precisa de um projeto de país que não seja refém nem do imediatismo eleitoral nem de soluções fiscais simplistas.
Na urna, cada cidadão terá o direito de escolher. Mas essa escolha será tanto melhor quanto maior for a disposição de analisar os fatos, questionar as promessas e exigir responsabilidade de quem pretende governar.
A pergunta que deixo para reflexão é esta: você votará em quem promete cortar R$ 250 bilhões do orçamento para ajustar as contas ou em quem apresenta um projeto de país para o futuro sem esse corte — desde que demonstre como financiará essa escolha de forma sustentável?
Mais importante do que escolher entre cortar ou não cortar é escolher quem tem competência, experiência, coragem e responsabilidade para construir o futuro do Brasil.
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O autor: Eliézer Veloso Gomes é administrador, consultor para governos municipais, empresas privadas e Terceiro Setor, professor universitário, palestrante, ex-funcionário do Banco do Brasil (33 anos), ex-coordenador dos cursos de administração, ciências contábeis e engenharia da produção; e atualmente Vice-Presidente da Confederação Brasileira das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

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