01/06/2026
Por : Em 2010 entrei no INTI com uma tese debaixo do braço.
Foi lá que conheci Mónica Pinto, que abriu as portas dos seus laboratórios a quem dava os primeiros passos na autenticação científica de obras de arte.
O que começou como uma consulta acadêmica se tornou algo muito mais sólido: um acordo de colaboração institucional entre a Givoa e o INTI que produziu, ao longo de mais de uma década, dezenas de análises científicas para coleções e litígios na Argentina e no Brasil.
Raman. XRF. EDS. Composição fibrosa. Suporte em papel. Caracterização de madeiras. Camadas pictóricas.
Cada análise foi evidência objetiva em expedientes que precisavam se sustentar diante de tribunais, do mercado e da história.
Os laudos do INTI não são burocracia.
São a diferença entre uma atribuição fundamentada e uma opinião.
Hoje essa capacidade está em risco. ⚠️
A reestruturação em curso não é apenas uma decisão administrativa. É a perda potencial de décadas de conhecimento acumulado, de equipamentos únicos no país, de vínculos que não se reconstroem do dia para a noite. #
O INTI é um patrimônio argentino.
E os patrimônios — como as obras de arte — só são valorizados quando correm o risco de desaparecer.
Defendo o INTI porque trabalhei com ele. Porque sei o que ele produz. Porque sem ciência pública, a autenticação de arte na América Latina perde um dos seus pilares mais sérios.