12/01/2022
Nada é o que parece ser. Essa foto a gente viu no perfil do , do chef e, sobre ela, deu tratos à bola. Arrasta pro lado.
Isso porque estamos às voltas com um projeto de content branding e revisitando o que entendemos por "modernismo brasileiro". Sacou Tarsila?
Pra quem conhece o reino Funghi, ou estou recentemente sobre isso graças à Netflix, f**a mais clara a imagem. Isso tem a ver com o repertório. E investigação.
Ser cozinheiro, no Brasil, é se enveredar por muitos contraditórios. Ser jornalista no Brasil é sondar os contraditórios e esclarecê-los. Ser brasileiro, no Brasil pós-moderno, é o que?
A alta gastronomia, que nasceu no seio das elites, na França do século XVI e se estruturou entre os brioches e a revolução, voltou ao seu lugar. Em todo o mundo. A ordem do dia é criar, pensar, editar, simplif**ar, sustentar e recriar etc. Consumo e retroalimentação.
No Brasil, soa, muito mais agora, absurdo pagar caro por um menu degustação de R$ 1.200 ou mais (tem casas cobrando R$ 5 mil e há quem pague). Degustar, pra gente, signif**a ampliar o repertório. Num país que revisita a fome em maioria, degustar soa ridículo. Comer, digno.
Entre zeros e uns, sabemos, não somos assim tão binários. E até podemos ser autênticos, se assim nosso ego permitir.
Abaporu, um óleo obre tela, um novo olhar sobre o "Naturalismo". 1928. Um presente de uma artista para um intelectual. De Tarsila do Amaral para Oswald de Andrade. De elite para elite. De brasileiros antenados aos movimentos europeus para brasileiros ambiciosamente modernos. De uma mulher para todos os gêneros. A tela integra o modernismo brasileiro e inaugura uma nova fase desse movimento: a fase antropofágica. Abaporu resulta da junção dos vocábulos tupis aba (homem), pora (gente) e ú(comer). Sendo assim, seu signif**ado é "homem que come gente" ou "homem antropófago".
Como seria o Abaporu de hoje? Quem seriam os modernistas? Quem seriam os antiparnasianos? Quem seriam os para além da arte pela arte?