02/04/2022
Hoje, Dia Internacional da Conscientização do Autismo, quero compartilhar com vocês a minha visão sobre “o maternar”, dentro dessa realidade.
Quando eu recebi o diagnóstico de autismo do Rafa, eu imaginei que viveria o luto do filho idealizado pela segunda vez – já tinha passado pelo diagnóstico da Síndrome de Down – e que acolheria a nova condição do meu filho rapidamente, porque havia amor de sobra para enfrentar o que quer que fosse.
Como dizem, liguei o piloto automático e só fui! Pensava que o desânimo, a tristeza, a solidão, o medo não eram para mim. Afinal de contas, eu não era a mãe especial que todos diziam? Meu filho não havia me escolhido para ser sua mãe e Deus não havia validado essa escolha porque eu era um ser iluminado e capaz?
Costumo dizer que meu luto foi vivido aos poucos, em doses homeopáticas, a medida em que fui enfrentando uma sociedade despreparada para acolher a diversidade, tantas vezes preconceituosa e discriminatória, em que a garantia de direitos não é efetivada.
A tristeza veio não pelo fato do meu filho ter autismo. A tristeza veio quando mães tiraram seus filhos de perto dele porque ele gritou, e só estava manifestando alegria por estar ali. Veio todas as vezes em que olharam para o autismo antes de enxergarem a criança que ele é.
Sei que muitas mães vão se enxergar na minha fala. Somos almas que se reconhecem, não é mesmo? Posso não saber seus nomes, onde moram e qualquer coisa sobre vocês, mas conheço o seu coração! Sei que quando dizem que estão cansadas, não estão dizendo que estão cansadas do seu filho, mas da rotina diária! Sei que quando vocês dizem estar desanimadas não querem ouvir que precisam ser fortes nesse momento. Que só precisam ouvir: “Posso te ajudar de alguma forma? Nem que seja para te ouvir?”.
Quero que saibam que estou aqui estendendo a minha mão para vocês e que esse perfil está sendo todo reestruturado para olhar para as necessidades de vocês!