17/08/2026
**1.**
Estava fazendo uma Vistoria Extrajudicial num prédio famoso, no centro de uma cidade que não posso citar.
Constatei que a laje estava com flecha excessiva, “embarrigada”.
As vigas, quase descolando.
Foi a primeira vez que senti medo numa Vistoria.
O prédio segue ativo até hoje.
E eu nunca mais fui contratado pra vistoriar de novo. Meu Parecer tinha sigilo.
**2.**
Um advogado contestou meu Laudo.
Segundo ele, eu estava “brincando” com o drone.
Na verdade, eu tinha demonstrado, com as fotos aéreas, que a fazenda dele não estava encravada.
Meses depois, o mesmo advogado nos contratou como Assistente Técnico em outro caso.
Ele não tinha o que reclamar. Só reconheceu o trabalho.
**3.**
Foi minha primeira vez in loco numa Vistoria desse tipo.
Ser Perito é sempre encarar algo novo: estudar, e ir a campo.
Mas, com mais de 40 anos de IPC, todo mundo acha que temos que dominar todos os assuntos.
A verdade é o contrário: sempre que precisamos, temos um Especialista pra cada assunto.
**4.**
Já cobramos R$ 40 mil por um Laudo. A parte contrária achou “simples demais” e quis pagar R$ 1.500.
O Juiz mandou ela mesma tentar: alugar drone, GPS, veículo 4x4, contratar 3 ajudantes, e acampar na fazenda pra ver se R$ 1.500 cobria os custos.
Não cobriu.
Preço de Laudo não é capricho. É a estrutura por trás dele.
**5.**
Numa Vistoria de medidor de energia, geralmente simples: 15 minutos de campo, retirada do medidor pela concessionária, embalagem, lacre, e eu como Perito mantendo a Cadeia de Custódia até o dia de levar ao INMETRO.
O Assistente Técnico da outra parte complicou tudo. Chegou a comprar motor e relógio novos só pra testar o medidor.
No dia do INMETRO, ele disse: “Abri mão de ir pra Europa pra acompanhar isso.”
Respondi: eu nunca deixaria de viajar por uma Vistoria feita pelo próprio INMETRO.
No fim, o medidor estava com erro, cobrando a mais.
Nada teria mudado, mesmo se ele tivesse ido pra Europa.