08/03/2026
Hoje, no Dia Internacional da Mulher, aos 46 anos, eu me sinto como uma lagosta.
Para quem não sabe, a lagosta é um animal que vive dentro de uma armadura rígida. Ela não cresce junto com a casca; ela cresce dentro dela, até que o aperto se torna insuportável. Para sobreviver e se expandir, ela precisa tomar uma decisão solitária: abandonar a proteção que já não lhe serve mais.
Neste momento da minha vida, sinto que estou exatamente nesse intervalo. A casca antiga caiu. O que antes me definia ou me protegia ficou pequeno para a mulher que me tornei. E, no meio desse processo, sinto uma tristeza profunda, um vazio que ainda não sei nomear.
Dizem que o crescimento é celebração, mas esquecem de dizer que ele também é luto. É o luto pela casca que se foi, pelo conforto do conhecido. Ficar "mole", vulnerável e exposta dói. Mas é só nesse estado de entrega que a nova armadura — mais forte, mais ampla e mais resistente — consegue se formar.
Neste 8 de março, meu ato de liberdade é aceitar a minha vulnerabilidade. É entender que estar sensível não é sinal de fraqueza, mas o sintoma mais claro de que eu ainda estou em plena expansão.
E você, como se sente?
MulheresAos40