23/11/2022
O CONSERVADORISMO
Professor Sérgio Lacerda 22/11/2022
O conservadorismo é uma ideologia ou tão somente um modo de pensar, agir e reagir? É possível supor-se a existência de estados de frequência e sintonia que possam mover crenças, hábitos, costumes na direção de se determinar e gerar uma ação?
Já se sabe cientificamente que o pensamento são formas de energias, que geram e liberam correntes de elevada intensidade para produzirem ideias, conceitos, contemplações e pontos de vista. O que necessariamente não significa uma definição concisa que venha lapidar uma verdade.
Por que se verifica em uma sociedade grupos conservadores e que sempre se associam a correntes políticas de direita? O hábito do conservadorismo em estar atado a modelos políticos tradicionalistas, necessariamente não significam estados de previdência, muito menos de ponderabilidade. O que se presencia na maioria dos casos é o exercício do pragmatismo, ou seja, a negação severa aos valores morais direcionados ao temor de mudanças bruscas, à preservação de tradições e hierarquias, ao nacionalismo, à proteção da família, às bases religiosas e à defesa das instituições.
O conservadorismo que a atualidade passou a conhecer nasceu em 1789, ocasião em que se deu a Revolução Francesa na Europa, quando da Assembleia Constituinte, em que se procurou entender, na época, como a monarquia prosseguiria respondendo aos anseios políticos, sociais e econômicos da sociedade francesa. É importante ressaltar, que este procedimento não se caracteriza como um único modelo de conservadorismo, há vários outros, conforme orienta o cientista político João Pereira Coutinho, em seu livro “As Ideias Conservadoras Explicadas a Revolucionários e Reacionários”.
Por conceito, o conservadorismo é um pensamento político que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais - como a família, a comunidade local e a religião -, além dos usos, costumes, tradições e convenções.
Para o Conservador as instituições somente manter-se-ão estáveis e controladas se quaisquer movimentos progressistas e revolucionários forem extirpados dos meios político e social. Essa prerrogativa, necessariamente, não condiz (constitui) com a uniformidade de pensamentos e entendimentos refletidos a um processo determinístico, muito embora as relações de casualidade possam não interferir em um primeiro momento no livre-arbítrio, mas no instante em que fatos e acontecimentos passam a desencadear percepções de que nada é absolutamente imutável, as consequências e imprevisibilidades trazidas pelas ações refletidas sobre os efeitos, passam a gerar atitudes mentais que desencadearão alterações motivacionais no comportamento, e a busca por um novo padrão de autonomia sensorial e prático passa a exercer novos procedimentos morais. Por essa razão é que não pode haver um único modelo de conservadorismo. Dentro das múltiplas diferenças comportamentais e de atitudes, sempre prevalecerão as tradições, as quais regulamentarão as decisões.
Um fato curioso do porque se associa a implicação da direita ao estado de consciência e de agir conservador, a fim de se compreender os propósitos de uma tradição. É a simbologia do sentar ao lado direito da nobreza. Esse paradigma condizia e ainda condiz com a tradição cristã, ao afirmar que estar à direita de Deus passa a designar, tradicionalmente, uma posição de honra, mencionado no Novo Testamento como sendo o lugar de Cristo. Diante disso para os conservadores, aqueles que ficariam à esquerda eram considerados e reconhecidos como revolucionários revoltosos, indomáveis, teimosos e obstinados.
De maneira extremamente oposta, os conservadores se veem como aqueles que preferem o familiar ao estranho. Levar em consideração ao que propões o filósofo inglês Michael Oakeshott, “preferir ao que já foi experimentado, aquilo que é concreto ao possível, o limitado ao infinito, o que está perto daquilo que está distante, etc.” Mesmo assim o conservadorismo não é oposição às mudanças, mas que sejam comtemplados pequenos ajustes que mantenham a tradição, os hábitos, os costumes e as crenças. Por essa razão que a religião, mais de perto as evangélicas e as mais reacionárias como algumas islâmicas, ao privilegiarem excessivamente o sagrado e o transcendental, acabam por determinar modelos de culturas, principalmente no tocante aos hábitos e costumes e por esse intermédio a sustentação de um estado governado pela religião.
No caso brasileiro os conservadores manipulam a décadas a luta contra a corrupção para justificarem o poder das oligarquias tradicionais e legitimarem golpes militares. É, indubitavelmente, a quebra sempre premeditada dos preceitos constitucionais alusivos aos valores democráticos. É dentro dessa conduta sinistra que ruas, praças e locais onde estão sediados os espaços do exército é que ficam alojados os neoconservadores, aqueles que são chamados de as “Inutilidades Úteis”.
Durante todo o processo de evolução do conservadorismo no mundo, ficou estabelecido a sua aproximação com o fascismo. A classe média em grande parte ficou tracejada, por meio de sua atuação, como a principal integrante da sociedade conservadora, profundamente vinculada às bases dos movimentos fascistas. Diante desse fundamento sociológico o conservadorismo abocanha a ideologia elitista da classe dominante, seguindo por uma prática essencialmente política, cujo objetivo central é a predominância dos direitos daqueles que detém e exploram o poder das classes menos privilegiadas. É a busca incessante de perpetuação de um sistema político, econômico e jurídico que privilegie os detentores do poder. É nessa seara que projeto ditos “sociais”, que procuram gerar “igualdades” entre as classes menos beneficiadas e favorecidas, que ficam à mercê do engano e da fraude.
Concluindo, não é possível mais separar do conservador a conotação de elitista, moralista, fundamentalista, intransigente e autoritário.