24/04/2024
No senso comum (e frequentemente no imaginário de muitos profissionais da saúde) o autismo assume duas formas: (1) o autismo “clássico”, presente em meninos que não realizam contato visual, enfileiram brinquedos e interagem pouco com seus pares. Normalmente suas estereotipias são visíveis, como balançar do corpo, e tendem a responder agressivamente quando hiperestimulados. Ou então (2) o homem cisgênero, hetero ou assexual, com uma inteligência média ou acima da média com interesses especiais em exatas, mas rude e sem interesse em interações sociais. Os representantes destes dois subtipos são geralmente do gênero masculino, brancos e muitas vezes também de classe média e alta. Mas será que o autismo tem mesmo baixa prevalência em outras populações?
Veja, o autismo é sim TAMBÉM presente nestes dois grupos e merece visibilidade. Mas dizer que é somente isto que o autismo é signif**a marginalizar outros grupos que, devido à baixa representatividade, já sofrem com outros preconceitos sociais. Meninas são frequentemente punidas quando apresentam quaisquer traços que soem minimamente violentos, enquanto muitos meninos podem até ser incentivados a tê-los. Meninas são incentivadas a mascarar mais seus sintomas e, quando o aprendem, diminuem ainda mais a chance de serem diagnosticadas. A população negra e de baixa renda tem diversas vezes suas demandas ignoradas, quando não vistas como marcadores de “desajustes” sociais que “só comprovam o que já se sabe”. A prevalência de indivíduos q***r na comunidade autista é muito frequente, mas muitas vezes são tidos como problemáticos ou entende-se que sua forma de ver o mundo parte (somente) das diferenças por ser LGBT.
O autismo é um espectro que se apresenta de múltiplas maneiras, e dificilmente uma pessoa vai se parecer com a outra. Pessoas autistas podem ter nenhum ou muitos amigos, gostar de matemática ou mesmo de artes e se expressar muito bem em público. O que precisamos é de ferramentas que não tenham sido principalmente validadas para uma única parte da população