Psicóloga Eleonora Apolo de Azevedo

Psicóloga Eleonora Apolo de Azevedo Olá, meu nome é Eleonora e sou Psicóloga Clínica, sou especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Minha atuação é voltada para gênero, sexualidade, e neurodivergência.

No senso comum (e frequentemente no imaginário de muitos profissionais da saúde) o autismo assume duas formas: (1) o aut...
24/04/2024

No senso comum (e frequentemente no imaginário de muitos profissionais da saúde) o autismo assume duas formas: (1) o autismo “clássico”, presente em meninos que não realizam contato visual, enfileiram brinquedos e interagem pouco com seus pares. Normalmente suas estereotipias são visíveis, como balançar do corpo, e tendem a responder agressivamente quando hiperestimulados. Ou então (2) o homem cisgênero, hetero ou assexual, com uma inteligência média ou acima da média com interesses especiais em exatas, mas rude e sem interesse em interações sociais. Os representantes destes dois subtipos são geralmente do gênero masculino, brancos e muitas vezes também de classe média e alta. Mas será que o autismo tem mesmo baixa prevalência em outras populações?

Veja, o autismo é sim TAMBÉM presente nestes dois grupos e merece visibilidade. Mas dizer que é somente isto que o autismo é signif**a marginalizar outros grupos que, devido à baixa representatividade, já sofrem com outros preconceitos sociais. Meninas são frequentemente punidas quando apresentam quaisquer traços que soem minimamente violentos, enquanto muitos meninos podem até ser incentivados a tê-los. Meninas são incentivadas a mascarar mais seus sintomas e, quando o aprendem, diminuem ainda mais a chance de serem diagnosticadas. A população negra e de baixa renda tem diversas vezes suas demandas ignoradas, quando não vistas como marcadores de “desajustes” sociais que “só comprovam o que já se sabe”. A prevalência de indivíduos q***r na comunidade autista é muito frequente, mas muitas vezes são tidos como problemáticos ou entende-se que sua forma de ver o mundo parte (somente) das diferenças por ser LGBT.

O autismo é um espectro que se apresenta de múltiplas maneiras, e dificilmente uma pessoa vai se parecer com a outra. Pessoas autistas podem ter nenhum ou muitos amigos, gostar de matemática ou mesmo de artes e se expressar muito bem em público. O que precisamos é de ferramentas que não tenham sido principalmente validadas para uma única parte da população

A mídia nos vende corpos cis e brancos de pessoas que serão idolatradas como “o modelo” a se seguir. O ator ou a atriz l...
18/01/2023

A mídia nos vende corpos cis e brancos de pessoas que serão idolatradas como “o modelo” a se seguir. O ator ou a atriz lindos, quase sempre atendendo a uma lógica binária e bastante demarcada do que se considera socialmente como homem ou mulher. Corpos neurotipicos até onde se pode supor, sem qualquer coisa a se apontar ou questionar. Aliás, quando há, algumas vezes isso é usado em favor do consumo daquela imagem: a pessoa que foi capaz de superar as adversidades. É claro que as adversidades superadas, se é que este é o melhor termo a se usar, devem ser celebradas, a questão aqui é como se usa e com que intenção se está apontando isso.

A mídia ainda comumente celebra corpos cis e heteros que vivem relacionamentos que, muitas vezes, atendem a uma lógica abusiva. Não é raro vermos o culto ao amor acima de qualquer coisa. Mas o que qualquer coisa signif**a? Os momentos ruins de coisas externas que atingem aquele casal? Ou será que o amor supera tudo, até mesmo o que não deveria ser superado? Será que quando vemos na mídia pessoas abrindo mão de tudo por amor, aprendemos o que com isso? E quando o casal, desencontrado, briga até declarar o que sente? Até que ponto uma briga é algo a ser cultuado? Sim, nos relacionamentos as pessoas brigam, as vezes. Mas qual o limite para uma briga que faz parte de um percurso de aprendizagem do casal sobre seus limites? É claro que não existe uma resposta exata, mas é de se questionar até que ponto nós não passamos a cultuar um amor doente como uma prova inegável de que amar é demonstrar sentimentos em intensidade. E sempre por uma única pessoa, e ninguém além dela

Quantas pessoas passaram a acreditar que tem um sério problema a ser resolvido? A ciência europeia e colonizadora coloca...
20/09/2022

Quantas pessoas passaram a acreditar que tem um sério problema a ser resolvido? A ciência europeia e colonizadora coloca no palco um ser humano ideal (branco, cis, hétero, sem deficiências e por aí vai) e parte desta visão para normatizar corpos. Qualquer coisa que diverge de uma dada norma é errada e precisa ser “consertada”. Deste lugar nasce a psicologia, pautada em uma lógica individualista de saúde X doença, em que o psicólogo é um agente de saber que tem o conhecimento apropriado para curar. E, no fim das contas, isto ajuda a criar a ideia de que há um problema do qual padecem as pessoas.

Até que ponto a ciência categorizar pessoas realmente as ajuda no processo de sofrimento? Ou será que esta categorização que vem de fora, se usada de forma indiscriminada, na verdade tira espaço para que cada pessoa nomeie o que sente e como vive?

Talvez seja hora de olhar para quem somos de uma maneira diferente. Todos nós temos pontos altos e baixos, facilidades e dificuldades, e é importante oferecer um olhar para as coisas que incomodam. Isso nos faz crescer, nos tornar pessoas mais conscientes de quem somos e quais as nossas limitações. A terapia pode nos ajudar a compreender estes pontos e superar dificuldades presentes. Eventualmente, pode ser importante olhar com atenção para certos sintomas, desde que eles não sirvam unicamente para rotular e apagar a identidade, reduzindo a pessoa a esta condição.

Enquanto olharmos para a psicologia como a ciência da loucura, esta ciência que vê as pessoas de maneira desigual, será difícil que se procure ajuda quando ela for necessária. Porque sempre teremos medo de sermos um pouco quebrados demais. Mas o verdadeiro diálogo clínico acontece quando nos permitimos ver quem somos. Quando realmente olhamos para dentro e ao nosso redor com atenção, é provável que iremos encontrar sofrimento, mas também nos permitimos encontrar muito, muito mais do que isso. Respeitar é acolher, e é no acolhimento que se pode encontrar verdadeira compreensão e espaço para existência.

Quantas vezes você tem deixado de fazer coisas esperando o momento certo, estar melhor preparade para isso, e por aí vai...
18/09/2022

Quantas vezes você tem deixado de fazer coisas esperando o momento certo, estar melhor preparade para isso, e por aí vai?

Parando para pensar, quais podem ser os motivos para você adiar as coisas que você tem interesse em fazer? O que você poderia ganhar se tentasse flexibilizar o quão “perfeitas” as coisas precisam ser?

Passando aqui para lembrar você que não dá para você dar conta de tudo (e tá tudo bem!)Quantas vezes você f**a frustrade...
22/05/2022

Passando aqui para lembrar você que não dá para você dar conta de tudo (e tá tudo bem!)

Quantas vezes você f**a frustrade porque não conseguiu começar ou finalizar alguma tarefa, se sentir de um determinado modo, etc? Mas o que eu quero saber é: você está se lembrando e valorizando as coisas que você deu conta hoje, ou só da(s) que não saíram perfeitas?

Seja gentil com você e com o seu processo 💛

Quando temos corpos e/ou práticas que não são bem aceitas pela sociedade, muitos de nós nos sentimos (compreensivelmente...
20/05/2022

Quando temos corpos e/ou práticas que não são bem aceitas pela sociedade, muitos de nós nos sentimos (compreensivelmente) pressionados e solitários em nossos desejos. Podemos encontrar pessoas que pensem como nós, mas isso não exclui uma série de situações que podem nos ocorrer em nosso dia a dia.

E claro que temos muitas maneiras de enfrentar os estigmas, e um deles pode ser tentar se adequar ao máximo possível a todos os demais padrões. Conhece aquela frase “ele é gay, mas…” que as pessoas completam com muitos signos como filhos, casamento, uma carreira estável, etc?

E ai, você tenta romper ou assimilar os padrões que esperam de você?

A ansiedade é um sentimento que nos permite antecipar situações estressantes, e para algumas pessoas é bastante adaptati...
06/10/2021

A ansiedade é um sentimento que nos permite antecipar situações estressantes, e para algumas pessoas é bastante adaptativo sentir esta ansiedade.
Por outro lado, as vezes a ansiedade passa de um limite saudável e se torna desadaptativa, atrapalha nosso bem estar e nossas atividades do dia a dia. É quando você antecipa situações que provavelmente não irão acontecer, e que te causam sofrimento em maior ou menor grau.
Além de ser indicado acompanhamento terapêutico, a respiração sempre é a técnica que melhor dá resultado no controle dos sintomas momentâneos, mas as vezes esta “parada para respirar” é muito difícil. Então que tal falarmos de uma outra técnica que também pode ajudar nisso?
A técnica grounding consiste em tentar voltar ao momento presente e perceber no seu ambiente 5 coisas que você consegue ver, 4 que pode tocar, 3 coisas que pode ouvir, 2 que pode cheirar e uma que pode sentir o gosto. Este treinamento ajuda a notar coisas do dia a dia que passam despercebidas também. Qual foi a última vez que você realmente parou para notar estas coisas?

29/06/2021

O dia 28 de junho chegou e nos deixou mais uma vez com muitas pautas para discutir. Neste mês do orgulho LGBTQIAP+, é muito importante refletirmos sobre temas como visibilidade de toda a comunidade, de estratégias de resistência, nos imaginar onde estamos nesta luta e onde queremos chegar, e muito mais. Então, eu trouxe alguns momentos da live que eu gravei junto com a .ela sobre este mês tão especial.
Comenta aqui que outros temas você acha que merecem destaque em nossa luta 😊👇🏼

Ontem eu falei um pouquinho sobre a Escada Rolante dos Relacionamentos, que é um conjunto de expectativas sociais sobre ...
09/05/2021

Ontem eu falei um pouquinho sobre a Escada Rolante dos Relacionamentos, que é um conjunto de expectativas sociais sobre como os relacionamentos “devem ser”. É uma maneira comum de escalada dos relacionamentos amorosos, mesmo que nem todo mundo se identifique com esta maneira de se relacionar afetivamente.

Dentro desta perspectiva, existe um conjunto de critérios comumente esperados dos relacionamentos e algumas vezes estes critérios são usados no senso comum (mas não só) para identif**ar o que se espera de um relacionamento saudável. Como eu já comentei, eles são perfeitamente legítimos, mas estão longe de ser a única opção, nem mesmo são melhores que outros critérios. Os relacionamentos podem ou não funcionar independente do modo como o casal opte por vivê-lo. E, é claro, estes critérios em escada rolante não estão isentos de críticas bastante construtivas.

E aí, você acredita que é melhor manter ou romper com estes critérios?

Você já ouviu falar da escada rolante dos relacionamentos?Para muitas pessoas, existe uma maneira certa e saudável de um...
08/05/2021

Você já ouviu falar da escada rolante dos relacionamentos?

Para muitas pessoas, existe uma maneira certa e saudável de um relacionamento “evoluir”, dentro de certos scrips que definem comportamentos, sentimentos e pensamentos que são esperados neste contexto, com algumas variações. É como se houvesse um objetivo, e um passo a passo para chegar lá.

Seguir a escada não garante um bom relacionamento para a vida toda, mas funciona para muita gente. E não funciona para outras pessoas, é claro. A maioria de nós cresceu acreditando que este passo a passo define como os relacionamentos adultos precisam ser, e talvez funcione para você, mas é muito melhor que nós possamos assumir que estamos fazendo isso de uma maneira mais consciente, não é? O mesmo vale para quem prefere não adotar um relacionamento em escada.

Amanhã vou falar sobre alguns critérios comuns na Escada Rolante dos Relacionamentos. Me acompanha aqui para saber mais!

Existem muitas maneiras de se relacionar, mesmo nos relacionamentos em Escada, e diversas outras formas para além dela. Você já pensou como você prefere se relacionar? O que acha sobre a escada rolante dos relacionamentos?

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