Em sua colonização no século XVIII, ainda “Arraial do Tijuco” e maior produtor mundial de diamantes de sua época, imigraram para Diamantina diversas famílias europeias, que tradicionalmente tinham em sua base alimentar o consumo diário de vinhos. Devido à impossibilidade logística de se fazer chegar o produto à região, foram introduzidas as primeiras mudas viníferas na cidade, que também tinham o
objetivo de abastecer os membros da corte e da igreja em seus ritos. Desde a introdução das primeiras mudas de vitis em Diamantina, observou-se que as características da região (clima, relevo, solo, amplitude térmica, altitude, umidade do ar e regime de chuvas) eram extremamente favoráveis à cultura. Tais condições especiais proporcionaram frutos de qualidade inconfundível e sabores característicos próprios, um verdadeiro terroir* no alto Jequitinhonha. Como analogia, assim como a cidade irmã vizinha do Serro produz queijos com propriedades intrínsecas próprias e inconfundíveis, Diamantina também foi brindada com características que a fazem ser capaz de produzir um vinho DOC de qualidade. Consequentemente, já no início do século XX, a viticultura alcançou expressão econômica no município de Diamantina. Existiram diversos parreirais na sede municipal e nos distritos de Gouveia e Conselheiro Mata. A produção local de vinhos, tintos e brancos, rivalizou com a da cidade de Andradas, a maior produtora mineira, localizada no sul de MG. O governo do estado chegou a instalar em Diamantina uma Estação Experimental de Enologia, cujas atividades, todavia, não tiveram longa duração. A Igreja Católica e proprietários privados fabricaram vinhos artesanalmente, anunciavam seus produtos nos jornais da região e abasteciam o vasto território do Norte mineiro, empregando as tropas de burros para distribuir o vinho diamantinense. A crise de 1929 e medidas dos órgãos federais de saúde – que estipularam determinadas características para o vinho comercializado no país, como quantidade de açúcar e acidez – destruíram a viticultura e a vinicultura diamantinenses. Os produtores locais, sem maior capital para aprimoramento de suas lavouras (seleção e adaptação de novas variedades de uvas e melhorias nos processos de fabricação do vinho), além do ônus representado pela falta de crédito e infra-estrutura econômica na região, abandonaram o setor. Restaram, em algumas chácaras e quintais de Diamantina, apenas as parreiras que deliciaram familiares e vizinhos mais íntimos. Recentemente, no ano de 2009, momento no qual o Polo de Inovação Tecnológica de Diamantina iniciava suas atividades, prospectando arranjos produtivos e cenários de potencial na região, houve o primeiro contato entre a equipe do Polo e o proprietário da sítio Quinta D´Alva, Sr. João Francisco Meira, o qual por paixão e iniciativa própria, realizou em 2005, um plantio experimental com 9 variedades vitis europeias em Diamantina, objetivando selecionar aquelas mais apropriadas para a região (este importante trabalho inicial produziu conhecimentos que agora serão utilizados nos demais parreirais do Grupo Viticultor). A equipe do Polo logo percebeu o potencial presente naquela iniciativa e deu início a montagem de um projeto inovador, sem precedentes e, junto a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SECTES, obteve recursos para sua execução. A proposta era criar um consórcio com 20 empreendedores, os quais receberiam, do Governo de MG, subsídio completo (mudas, sistema de condução, correção de solo e assistência técnica) para estabelecer 1000m2 de vitis em cada propriedade, e assim, assimilar as técnicas de manejo e constatar a viabilidade; em contrapartida, cada um dos empreendedores assumiriam, por contrato, o compromisso de expandir o vinhedo para 10.000m2 (1 hectare) em dois anos, dentro dos padrões estipulados pelo Grupo Viticultor. Este é um dos objetivos do novo projeto da viticultura: produzir vinho de boutique, com conceito superior, ou melhor, artístico e com produção limitada, destinada ao fomento do enoturísmo. Na primeira fase do projeto foram implantados vinte módulos, utilizando as variedades Malbec, Merlot, Pinot Noir e Syrah, sendo todas as mudas de procedência certificada e devidamente adaptadas à região de Diamantina. A filosofia deste Projeto está, desde sua concepção, fundamentada no desenvolvimento econômico sustentável e no bem estar social, com total respeito ao ser humano e ao meio ambiente. Outra meta do Grupo Viticultor é dotar Diamantina de uma rede de pousadas rurais, que ofereçam a modalidade mais demandada pelos turistas modernos: Enoturismo de alto nível. Além do vinho, tais propriedades estarão se preparando para oferecer atrativos complementares, tais como a produção de azeite, licores de frutas regionais, flores e muita paz. O Projeto da Viticultura conta também com apoio e parceria da INOVALES - Agência de Desenvolvimento Regional, da ACID - Associação Comercial e Industrial de Diamantina e da UFVJM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí.