27/08/2025
Em 1999, ao iniciar a faculdade de Psicologia, percebi que minha escolha ia além de uma profissão: era um caminho de vida, o da escuta. Desde então, em cada espaço — seja nas políticas públicas ou na rede privada, em programas, coordenações ou projetos — mantive o compromisso de estar presente diante do outro, reconhecendo nele um mundo único.
Nas políticas públicas, aprendi a cuidar do coletivo sem perder de vista o singular. Na rede privada, confirmei que por trás de cada demanda institucional existe sempre uma história, um tempo e um ritmo próprios, que pedem atenção e respeito.
A música sempre esteve comigo, não apenas como pano de fundo, mas como linguagem que inspira minha prática. Ela me ensina que a vida se organiza como uma partitura: feita de pausas, intensidades, dissonâncias e harmonia. Assim, aprendi a respeitar o compasso de cada sujeito, entendendo que não há transformação fora do seu próprio tempo.
Na psicanálise encontrei meu alicerce. Ela me mostrou que a escuta é um ato ético: sustentar silêncios, reconhecer o não dito e acreditar que cada ser humano carrega em si as notas para compor sua melodia.
Hoje, ao olhar para minha trajetória , que fala de 26 anos de atuação , reconheço que ela é feita de desafios, encontros, desencontros, pessoas, instituições, projetos — mas, acima de tudo, encontros com a vida em sua diversidade. Minha história é uma partitura em movimento, tecida por psicologia, música e psicanálise, unidas pelo mesmo fio: o amor pelo ser humano e pela sua singularidade.