16/03/2024
Consultor Sênior, um desafio para os meus 60 anos - Texto 2.
Aos 58 anos me aposentei como Auditor Fiscal de Santa Catarina, com uma vasta bagagem em diversas áreas da Secretaria de Estado da Fazenda e outros órgãos e empresas do Estado. No meu currículo, muitos cargos e, mais que tudo, uma jornada intensa e diversificada que me propiciou um sentimento de realização.
Entrei no quadro da fiscalização em agosto de 1995, no Governo Paulo Afonso. No mesmo ano fui convocado e aceitei ser Diretor Administrativo da Secretaria da Saúde. Em 1996 voltei à Secretaria da Fazenda, na condição de Gerente de Dívida Ativa e de Arrecadação. Em 1997, como Executivo de Negociação da Dívida Pública, tive a oportunidade de conhecer e me inserir no mercado de capitais. Essa incursão foi base para, mais tarde, em 2002, me tornar o primeiro agente autônomo de Investimentos credenciado pela CVM em Santa Catarina. Fui sócio majoritário do primeiro escritório de Agente Autônomos de Investimentos, conectado à Corretora Diferencial de Porto Alegre, cujo responsável pela expansão dos negócios era ninguém menos que Guilherme Benximol, o fundador da XP.
Uma oportunidade de criar, de buscar alternativas para um Estado endividado e que precisava investir, surgiu no governo do falecido Governador Luiz Henrique. Tiva a oportunidade de trabalhar na elaboração de projetos de lei, tais como: a primeira lei de Parcerias Público Privada, Lei nº 12.930, de 04 de fevereiro de 2004, a Lei nº 13.335, de 28 de fevereiro de 2005 da criação da SC Parcerias e a Lei nº 13.334, de 28 de fevereiro de 2005, de criação do Fundosocial. Todas essas leis foram modernizadas, modificadas e, finalmente, revogadas, substituídas por outras que as sucederam. Mas foram precursoras e fizeram nascer importantes instrumentos legais de investimentos no Estado e de apoio social para os catarinenses. Seu uso político é um capítulo à parte, não vou comentar isso, no momento.
Em paralelo à carreira de Auditor Fiscal, dediquei-me ao setor de energias renováveis, tornando-me um conhecedor mediano do tema (é um setor muito complexo). Esta faceta profissional nasceu quando em 2005/2006 fui Diretor Econômico Financeiro da Celesc, período no qual liderei o processo de reorganização societária exigida pela Aneel, a chamada desverticalização das atividades da empresa. Ao sair, em 2007, juntei-me a amigos investidores e engenheiros especializados, e desenvolvemos cerca de 10 projetos de pequenas centrais hidrelétricas - PCHs. Em 2015 tive rápida passagem pela Eletrosul, ainda pública, onde fui coordenador do programa de investimentos da empresa e chefe de gabinete da presidência.
Por ter vivenciado de perto as dificuldades que enfrenta um empreendedor do setor de energia nos órgãos e empresas do Estado, na condição de Diretor de Desenvolvimento Econômico da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável, concebi e coordenei o Programa SC + Energia, lançado pelo Governador Raimundo Colombo em junho de 2015.
Por conta do sucesso do Programa, que foi imitado na essência por diversos outros Estados, especialmente pelos vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná, fui convidado a me associar e a presidir a Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina - APESC, na qual permaneci por 3 mandatos, de 2016 a 2022, experiência que consolidou o meu conhecimento e ampliou a minha expertise no campo das energias renováveis e da regulação do setor elétrico (sua conformação jurídico negocial).
O Programa SC+Energia foi esquecido pelo Governador seguinte pois era, por assim dizer, considerado uma marca do governo anterior. O Governo atual ensaia a sua retomada mas, ao que consta, terá um nome diferente para não ser confundido com o programa anterior. Os empreendedores e o Estado de Santa Catarina perderam muito com essas veleidades políticas, lamentavelmente.
Mais recentemente, em 2022, me inscrevi na OAB-SC, agora sou advogado. Empolgado com a nova fase da minha vida de aposentado, decidi também me aventurar no mundo da consultoria. Em junho de 2023 aluguei uma sala, mobiliada com bom gosto, no centro da cidade. É um endereço comercial considerado nobre, ao lado do Shopping Beira Mar.
Meu objetivo é utilizar o conhecimento e a experiência acumulados em ambas as áreas – auditoria tributária e energias renováveis – e, oferecer consultoria, contribuir para o desenvolvimento do setor elétrico, auxiliar empresários e empreendedores nos projetos, em especial, identificar e retirar os obstáculos que o setor público lhes impõe, considerando sua ineficiência histórica. Tenho obtido sucesso para os meus clientes.
Não á tarefa fácil para um homem se reinventar aos 60 anos. Buscar clientes para um advogado novo de profissão aos 60 anos de idade requer uma dose de ousadia que os jovens têm em abundância. A família e os amigos próximos me incentivam a persistir, valorizam minhas qualidades e me ajudam a superar as barreiras emocionais. Há em mim um desejo de "me aposentar" de verdade, de cuidar dos meus filhos pequenos. O mais velho sofreu por ter pais que trabalhavam freneticamente. Esta é uma dívida que tenho com o meu primeiro filho que jamais poderei pagar. A infância não volta jamais.
O mercado é impiedoso e antropofágico. Na lição darwiniana, ou me adapto ou peço para sair de campo. Sou persistente e decidi analisar os motivos para contar com poucos clientes e vou ajustar a minha estratégia.
O que deverei fazer:
Aprimorar minha comunicação: Percebi que preciso me comunicar mais e de forma mais clara e concisa para apresentar meus serviços de forma eficaz (este textões são meus primeiros ensaios).
Criar um site mais profissional: Um site profissional me permitirá divulgar meus serviços e alcançar novos clientes.
Participar de mais eventos nas áreas afins: Aparecer e frequentar eventos é fundamental para aumentar a rede de relacionamentos e gerar novas oportunidades. Tenho dificuldades com as viagens a trabalho pois estas me afastam da família, dos filhos pequenos, sei que terei de superar essa deficiência.
Utilizar o marketing digital: Plataformas online podem ser ferramentas valiosas para alcançar meu público-alvo. Particularmente não sou muito de me mostrar, mas preciso achar a medida certa, o tom adequado.
Enquanto isso, sigo com minhas reflexões:
1) Quais são meus maiores desafios na busca por clientes de consultoria?
2) Como posso adaptar minhas habilidades e experiência para atender às demandas do mercado?
3) Quais são minhas expectativas para o futuro da minha carreira de consultor?
Acredito que, com perseverança, foco e as medidas que pretendo tomar, conquistarei o meu espaço no mercado de consultoria e continuarei a ter prazer e sucesso com o meu trabalho.
E você, que leu até aqui, você passou por situação similar? O que fez para melhorar e ter sucesso? Comente por gentileza. tem sido muito gratificante o que recebi de interação no texto 1, voltado ao pessoal. Obrigado