08/06/2026
Existe uma dor que aparece no meio da maior alegria da sua vida, e que por isso mesmo não encontra lugar para ser respeitada.
Ela chega quando você está amamentando às três da manhã e percebe que não se lembra mais de como era acordar e pertencer só a você mesma.
Quando você tenta se recordar do que gostava de fazer antes de ser mãe, e a memória demora um tempo longo demais para responder.
Quando você se pega olhando para fotos antigas com uma estranheza que não é saudade. É a sensação de estar olhando para alguém que você conhecia bem e que foi se tornando cada vez mais difícil de alcançar.
Essa mulher que existia antes não sumiu por descuido. Ela foi sendo sobreposta, camada por camada, pela urgência constante de tudo o que a maternidade exige.
O que ninguém fala é que esse processo dói, e que é possível amar com uma intensidade que você nunca imaginou ser capaz de sentir, mas ao mesmo tempo carregar um luto que não tem reconhecimento, que não recebe cuidado, que muitas vezes nem chega a ser dito em voz alta.
Esse luto é o peso real de uma transformação que ninguém atravessa sem perder algo de si mesma no caminho.
Esse luto merece o mesmo cuidado que você oferece a todo mundo ao redor.