07/08/2026
O Superior Tribunal de Justiça condenou, por unanimidade dos 28 ministros votantes, o ministro Marco Buzzi por assédio sexual, importunação sexual e injúria contra duas mulheres.
Uma das vítimas tem 18 anos e é filha de um casal de amigos. A outra trabalhava no gabinete dele, no lugar onde deveria estar protegida. As duas sustentaram a palavra até o fim. E a palavra foi ouvida como prova.
A mãe da jovem de 18 anos, advogada, hoje sofre assédio moral por buscar justiça para a filha, que segue em tratamento psicológico para cuidar do trauma da importunação.
Eu trabalho com sofrimento que ameaça a vida. Acompanho mulheres com doenças graves, aproximadas da finitude pelo corpo. Aprendi, no meu ofício, que essa ameaça não mora só na biologia. Mora também no abuso.
Uma mulher tocada sem consentimento carrega, dali em diante, uma ferida que rouba o sono, o chão, a confiança no próprio corpo e nas pessoas. As consequências na saúde psíquica são graves e, muitas vezes, definitivas.
Por isso entendo que se trata de vida ameaçada. E vida ameaçada exige cuidado e alívio de sofrimento.
Dignidade não é discurso. É o direito concreto de dizer o que aconteceu sem precisar provar cada centímetro da própria dor.
O que celebro hoje é o alívio dessas mulheres, palavra que uso todos os dias em cuidados paliativos, e que também serve para dizer que, às vezes, a morfina chega em forma de justiça.
Que a palavra de uma mulher seja, cada vez mais, legitimada, cuidada, reparada. Para que seu sofrimento possa, enfim, entrar em remissão.