Flávia Vieira Desenv. Humano

Flávia Vieira Desenv. Humano 🌹

O Superior Tribunal de Justiça condenou, por unanimidade dos 28 ministros votantes, o ministro Marco Buzzi por assédio s...
07/08/2026

O Superior Tribunal de Justiça condenou, por unanimidade dos 28 ministros votantes, o ministro Marco Buzzi por assédio sexual, importunação sexual e injúria contra duas mulheres.

Uma das vítimas tem 18 anos e é filha de um casal de amigos. A outra trabalhava no gabinete dele, no lugar onde deveria estar protegida. As duas sustentaram a palavra até o fim. E a palavra foi ouvida como prova.

A mãe da jovem de 18 anos, advogada, hoje sofre assédio moral por buscar justiça para a filha, que segue em tratamento psicológico para cuidar do trauma da importunação.

Eu trabalho com sofrimento que ameaça a vida. Acompanho mulheres com doenças graves, aproximadas da finitude pelo corpo. Aprendi, no meu ofício, que essa ameaça não mora só na biologia. Mora também no abuso.

Uma mulher tocada sem consentimento carrega, dali em diante, uma ferida que rouba o sono, o chão, a confiança no próprio corpo e nas pessoas. As consequências na saúde psíquica são graves e, muitas vezes, definitivas.

Por isso entendo que se trata de vida ameaçada. E vida ameaçada exige cuidado e alívio de sofrimento.

Dignidade não é discurso. É o direito concreto de dizer o que aconteceu sem precisar provar cada centímetro da própria dor.

O que celebro hoje é o alívio dessas mulheres, palavra que uso todos os dias em cuidados paliativos, e que também serve para dizer que, às vezes, a morfina chega em forma de justiça.

Que a palavra de uma mulher seja, cada vez mais, legitimada, cuidada, reparada. Para que seu sofrimento possa, enfim, entrar em remissão.

04/08/2026

Existe uma dor que não se anuncia, ela se organiza.

Na clínica, chamamos isso de dissociação emocional, anestesia afetiva ou desligamento emocional: mecanismos de proteção que a mente constrói quando a intensidade do sofrimento ultrapassa a capacidade de elaboração no momento em que ele acontece.

Não é ausência de sentimento. É afeto contido, represado por uma mente que aprendeu, muito cedo, que sentir podia ser perigoso demais.

Por isso, o relato tranquilo nem sempre é sinal de elaboração. Às vezes é a marca de uma dor que ainda não encontrou espaço suficiente, presença, tempo, segurança, para deixar de se proteger.

Reconhecer isso, na escuta clínica ou na própria história, já é o início do cuidado.

Você já percebeu esse padrão, em si mesma ou em alguém que acompanha?

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Existe um movimento curioso que acontece com quase todo mundo que descobre o próprio tipo no Eneagrama: um misto de alív...
20/07/2026

Existe um movimento curioso que acontece com quase todo mundo que descobre o próprio tipo no Eneagrama: um misto de alívio e constrangimento.

Alívio porque, pela primeira vez, alguém descreveu com precisão um funcionamento que a pessoa achava que era só dela.

Constrangimento porque a descrição alcança justamente o que ela passou a vida inteira tentando disfarçar.

Esse momento diz algo importante: o padrão existia muito antes do nome.

A mulher que precisa entender tudo antes de se permitir sentir já organizava a vida assim décadas antes de saber que isso tinha lógica.

A que se volta inteira para o cuidado dos outros já usava essa estratégia quando era criança e percebeu que cuidar era um jeito de ter lugar.

A que foi ocupando cada vez menos espaço aprendeu cedo, em algum lugar da própria história, que se posicionar demais custava caro.

Cada uma dessas estratégias funcionou. Foi exatamente por funcionar que se fixou, e é por isso que abandoná-la não é uma decisão fácil.

Ela continua operando muito depois de ter sido necessária, conduzindo escolhas, relações e reações, com a pessoa achando que está escolhendo livremente.

Quem já reconheceu um padrão em si sabe o que acontece depois: você se vê repetindo a mesma cena, agora com plena consciência de que está repetindo.

Entender não desativa. O que o conhecimento sozinho não alcança, o trabalho terapêutico atravessa: no consultório, o padrão não é estudado de fora, é encontrado ao vivo, no vínculo, no momento em que ele aparece.

Se você quer fazer esse caminho, do mapa à travessia, o link para agendar uma sessão está na bio.

16/07/2026

Existe uma diferença entre ficar presa na dor e aprender a caminhar com ela.

A doença muda o corpo, os planos, o tempo. Mas não apaga a pergunta que insiste em toda mulher que atravessa o adoecimento: o que ainda tem valor em mim?

Sentido não se encontra pronto. Se constrói, devagar, revisando crenças, elaborando perdas, respondendo ao que a vida agora exige.

E quando essa narrativa se forma, a dor continua existindo. Mas para de ocupar o centro sozinha.

E para você, hoje, o que tem sustentado o sentido de viver?

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Existe uma condição que afeta milhões de pessoas e que carrega um estigma que torna tudo mais pesado: a dor crônica. Por...
08/07/2026

Existe uma condição que afeta milhões de pessoas e que carrega um estigma que torna tudo mais pesado: a dor crônica. Porque, além de conviver com a dor todos os dias, quem a sente ainda precisa provar, repetidamente, que ela existe.

Ouvir que é exagero, que é da cabeça, que todo mundo tem alguma dor: isso não alivia nada. Acrescenta à dor física a solidão de não ser acreditada.

O cuidado psicológico tem um papel central aqui. Ele atua sobre tudo o que a dor foi trazendo junto ao longo do tempo: as perdas que se acumularam, a autoestima que foi sendo corroída, os vínculos que mudaram, a relação da pessoa com uma vida que ela não escolheu ter.

Compartilhe este post com alguém que precisa ouvir que a dor dela é real.

Quando o sofrimento entra numa casa, ele quase nunca é recebido com palavras. É recebido com assuntos que mudam de direç...
06/07/2026

Quando o sofrimento entra numa casa, ele quase nunca é recebido com palavras.

É recebido com assuntos que mudam de direção rápido demais, com sorrisos que tentam suavizar, com conversas que ficam pairando na superfície porque ninguém sabe como descer até o fundo sem machucar quem está ao lado.

A família que evita falar sobre o adoecimento, sobre a perda, sobre o medo, raramente faz isso por frieza. Faz por uma forma de amor que não encontrou outra linguagem.

Como se dizer em voz alta tornasse irreversível aquilo que todos ainda estão tentando segurar.

O que poucos percebem é que o silêncio também tem um custo. Ele protege da conversa difícil e, ao mesmo tempo, deixa cada pessoa sozinha com o que sente, cada uma carregando, em separado, exatamente o mesmo peso que poderia ser dividido.

As conversas que não acontecem deixam uma marca tão funda quanto as que acontecem do jeito errado. A diferença é que ninguém as vê.

04/07/2026

O luto não atravessa apenas a história de uma pessoa. Ele atravessa o seu sistema nervoso, modifica o ritmo do corpo, altera o sono, a memória, a energia e até a forma como habitamos a própria vida.

Talvez por isso tantas mulheres demorem a perceber que estão enlutadas. Elas acreditam que estão apenas cansadas.

Quando compreendemos o luto como uma experiência também corporal, deixamos de exigir que o organismo “volte ao normal” rapidamente. Passamos a oferecer a ele aquilo de que realmente precisa: tempo, cuidado e gentileza.

Há dores que o corpo carrega até que a alma consiga, enfim, lhes dar um nome.

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Adoecer reorganiza a relação de uma pessoa com o tempo de uma forma que quem está de fora raramente consegue ver. O sofr...
02/07/2026

Adoecer reorganiza a relação de uma pessoa com o tempo de uma forma que quem está de fora raramente consegue ver.

O sofrimento de não saber mais como se projetar no futuro é real, ainda que ele não apareça em nenhum exame nem ocupe lugar nas conversas sobre o tratamento.

30/06/2026

A vida cobra transformação. A cultura cobra conformidade. E nem sempre percebemos quando estamos obedecendo à segunda enquanto acreditamos estar vivendo a primeira.

Há perdas que nos amadurecem. Mas há renúncias que apenas nos afastam da própria alma.

Discernir essa diferença talvez seja uma das tarefas mais difíceis da maturidade.

Antes de tentar corrigir mais uma parte de si, pergunte-se: isso nasce da vida que está me transformando ou da expectativa de um mundo que sempre quis que eu ocupasse menos espaço?

Faça dessa pergunta um exercício de coragem.

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O que mais frequentemente chega ao consultório depois de muito tempo adiado não é a crise, é o peso acumulado de quem es...
25/06/2026

O que mais frequentemente chega ao consultório depois de muito tempo adiado não é a crise, é o peso acumulado de quem esperou a crise para pedir ajuda.

Às vezes o que precisa de cuidado é exatamente o que ainda não explodiu. O que está pesando em silêncio, ocupando espaço, mudando aos poucos a forma como você se relaciona com tudo ao redor.

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