10/04/2023
A Vaca Ficou Louca???
Olá, caro amigo agropecuarista, o herói da nação, segura o chapéu que vem notícia ventando!
No final do mês de fevereiro deste ano vimos sendo noticiado a torto e direita que uma vaca de aproximadamente 10 anos de idade, no interior do estado do Pará, foi diagnosticada positivamente com caso “atípico” de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), comumente conhecida como O Mal da Vaca Louca ou Doença da Vaca Louca.
Afinal, o que é essa tal de vaca louca? A EEB é uma doença que acomete os bovinos que ingerem alimentos contaminados com resíduos de ossos, sangue e ou carcaças de animais que foram acometidos pela doença. O agente etiológico, causador da doença, é uma partícula de proteína em versão modificada que recebe o nome de Príon. A versão normal do príon aparece em abundância na superfície dos neurônios, desde os répteis aos mamíferos. Pesquisas realizadas em camundongos indicam que estes têm por função o bom funcionamento do cérebro, enquanto a versão modificada causa a “doença da vaca louca”, devido a sua acumulação, que provoca uma gradual deterioração no tecido do cérebro de bovinos. Ao microscópio, o cérebro do animal acometido apresenta lesões características que lhe conferem oaspecto de esponja, o que explica o nome.
Os primeiros casos de EEB foram diagnosticados na Grã-Bretanha em 1986, tendo que mais de 20 países já tiveram animais acometidos pela EEB, porém mais de 90% dos casos foram na Grã-Bretanha devido o alto consumo de alimentos contaminados. Um dos ingredientes que era mais utilizado na alimentação dos bovinos foi a cama de frango (restos de serragem ou outro substrato utilizado no piso das granjas para acomodação das aves), este contém uma grande quantidade de excremento que possui alto valor proteico, que quando ingerido pelos animais apresentava alto potencial produtivo e de baixo custo. Mas como nem tudo são flores, por muitas vezes esta cama de frango vinha contaminada com restos de carcaças de animais enfermos e era transmitido aos bovinos, causando grandes surtos na época.
Mas não criemos pânico! Este caso atípico diagnosticado no país, acontece de forma natural em animais idosos e este não apresenta risco a saúde humana e não é transmissível a outros animais, diferentemente do caso típico descrito anteriormente, o Brasil nunca teve casos típicos diagnosticados. Porém esta “brincadeira” saiu caro para os bolsos dos pecuaristas que já vinham sofrendo com as baixas dos preços da arroba do boi, e custos elevados na produção. Este episódio causou um embargo momentâneo nas exportações de carne bovina para o nosso maior consumidor estrangeiro que a China e consequentemente novas quedas nos preços.
Como “depois de toda tempestade o sol sempre volta a brilhar”, as exportações já voltaram a ser liberadas e tivemos um superávit de plantas frigoríficas autorizadas a exportação, ou seja, temos mais frigoríficos habilitados para poder exportar carne bovina do que antes do caso da Vaca Louca. E com isso se inicia o aquecimento dos preços da @ do boi gordo, principalmente para animais com dois dentes definitivos, o famoso Boi China.
Hebert Martins Ferreira
Médico Veterinário
Diretor da Hemafe Consultoria e Assessoria Agropecuária,
especialista em Produção e Reprodução de Bovinos,
Especialista em Nutrição de Ruminantes
Mestrando em Ciências Ambientais.