22/05/2025
A Recicla Garça vive seu momento mais difícil desde a inauguração, em 2021. A cooperativa de catadores, referência em reciclagem, suspendeu temporariamente as operações em março, devido à falta de recursos financeiros.
Apesar de inúmeras tentativas de diálogo com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e a prefeitura, a gestão alega inviabilidade de pagamento à cooperativa pelos serviços ambientais que prestam, boa prática amplamente recomendada por diversos órgãos de controle no Brasil.
Sem recursos da prefeitura, a Recicla Garça corre o risco de fechar, deixando cooperados em situação de vulnerabilidade e desmontando uma política pública que vem sendo construída há anos. Além de processar materiais, a cooperativa se dedica a diversas ações sócio ambientais, como a conscientização das pessoas para criar uma cultura de reciclagem.
A gestão do prefeito Faneco alega que a operação da Recicla Garça é cara e que vai conseguir manter a destinação ambientalmente adequada da coleta seletiva por meio de uma nova associação que supostamente vai conseguir manter a viabilidade e a dignidade dos trabalhadores apenas com a comercialização dos materiais coletados, mesmo sem apresentar qualquer estudo técnico de viabilidade que comprove sua teoria e não havendo precedentes de que isso seja possível em outras localidades do Brasil.
Vale lembrar que toda a infraestrutura da cooperativa foi instalada sem qualquer investimento do município. Foram utilizados recursos de fontes privadas, deixando à disposição da cidade toda uma capacidade instalada para colaborar com o desvio de recicláveis do aterro sanitário, o que poupa o meio ambiente e recursos para o município.
“Depois que entrei na cooperativa trabalho na sombra, uso luva, máscara, bebo água fresca, e conquistei várias coisas como geladeira, fogão e tanquinho.Trabalhar na cooperativa me permite comer melhor, dar o melhor para a minha família. Na minha visão, a Recicla Garça deixa a cidade mais limpa e garante renda para famílias de baixa renda, É daqui que tiro meu sustento”, conta Maria de Nazareth Alves, 60 anos, cooperada da Recicla Garça.
A paralisação da Recicla Garça é um retrocesso socioambiental.