Ateliê Stephan Schäfer

Ateliê Stephan Schäfer A Stephan Schäfer Conservação e Restauro traz ao mercado brasileiro as últimas inovações em t?

Em intervenções de conservação e restauro, nem sempre é possível manter integralmente toda a matéria original quando est...
11/05/2026

Em intervenções de conservação e restauro, nem sempre é possível manter integralmente toda a matéria original quando esta já perdeu suas propriedades estruturais de maneira irreversível, ainda que essa seja uma de nossas principais funções e princípios: preservar tudo que for possível.

Nesta obra de Edgard de Souza, composta por couro sintético branco e couro legítimo marrom, o couro natural apresentava avançado processo de degradação: ressecamento extremo, perda de flexibilidade, rasgos extensos e fragmentação contínua do suporte. A deterioração comprometia não apenas a estabilidade material da obra, mas também sua leitura formal e integridade física.

Após análise técnica, constatou-se que não havia viabilidade de conservação do couro original sem que sua manipulação resultasse em perdas progressivas e irreversíveis. Optou-se, portanto, pela substituição exclusiva do elemento comprometido, preservando integralmente todas as demais partes originais passíveis de estabilização.

A nova aplicação foi realizada com couro de características compatíveis em tonalidade, espessura, comportamento superficial e presença visual, respeitando a construção material concebida pelo artista e mantendo a continuidade estética e estrutural da obra.

Em muitos casos, o trabalho de restauro ultrapassa a simples conservação da matéria original e exige também conhecimento construtivo, habilidade manual e capacidade de reconstrução compatível. Intervenções dessa natureza demandam precisão técnica e sensibilidade para equilibrar permanência material, legibilidade da obra e estabilidade futura.

Neste caso, buscamos devolver à obra suas características materiais e sua expressão formal, respeitando sua integridade e sua presença estética.

O que você achou desse trabalho? Comente.

Após 14 meses de trabalho contínuo, intenso e altamente especializado, concluímos a intervenção integral no acervo do Mu...
15/04/2026

Após 14 meses de trabalho contínuo, intenso e altamente especializado, concluímos a intervenção integral no acervo do Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga, uma das mais importantes instituições de preservação da memória cultural de Goiás.

Foram cerca de 4.000 objetos museológicos e aproximadamente 3.800 livros, abrangendo coleções arqueológicas, etnográficas, históricas e bibliográficas de grande relevância.

O projeto envolveu uma operação completa de conservação e gestão de acervo, iniciando-se pelo acondicionamento integral das peças, seguido do transporte técnico para o Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde foi instalada toda a estrutura de trabalho.

A partir daí, foi executada uma sequência integrada de ações:

— Desinfestação por atmosfera de anóxia de todo o material orgânico
— Catalogação completa, com documentação fotográfica detalhada e registros técnicos
— Elaboração de fichas de estado de conservação para cada item
— Restauração de aproximadamente 50 peças destinadas à nova expografia do museu
— Reacondicionamento integral das obras após os tratamentos realizados
— Transporte de retorno do acervo integral para o Museu Zoroastro, seguido de sua reintegração ao acervo permanente.

Todo o processo foi conduzido com rigor técnico e metodológico, alinhado às melhores práticas internacionais de conservação preventiva e restauração, como já demonstrado nas etapas de documentação e catalogação anteriormente realizadas pelo ateliê.

Mais do que um projeto, tratou-se de uma operação de escala rara no Brasil: um trabalho silencioso, minucioso e absolutamente essencial para garantir a preservação de um patrimônio que atravessa gerações.

O acervo voltou ao Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga devidamente tratado, estabilizado, documentado e preparado para seu novo ciclo expositivo. Preservar não é apenas conservar o passado, é criar as condições para que ele continue existindo no futuro.

Confira no carrossel as atividades na sua sequência de execução!

07/04/2026

Microcerzido fio a fio — Precisão invisível

O microcerzido fio a fio, com reentrelaçamento e junção individual dos fios sob microscópio, além do devido tensionamento nas áreas rasgadas ou perfuradas, é uma das abordagens mais refinadas no restauro do suporte têxtil (telas de pinturas).

Essa técnica foi desenvolvida pelo Prof. Winfried Heiber, ligado à Academia de Belas Artes de Dresden (Hochschule für Bildende Künste Dresden), ao longo das décadas de 1970–90, mas publicada formalmente apenas em 2003. Ainda assim, segue sendo referência até hoje.

Tivemos o grande privilégio de participar de um curso intensivo e exclusivo de seis dias consecutivos com ele, em Dresden, por volta do ano 2000, aprofundando não apenas esse método, mas também outros processos desenvolvidos ao longo de sua trajetória.

Com isso, realizamos há quase 3 décadas intervenções estruturalmente eficazes e, ao mesmo tempo, praticamente imperceptíveis, frente e verso.

Diferente de soluções com “patches” aplicados no verso, que frequentemente se tornam visíveis com o tempo, o microcerzido respeita a integridade do suporte e evita marcas futuras. A técnica também é considerada uma das medidas mais relevantes para evitar reentelamentos, lembrando que, no passado, telas com rasgos mais extensos eram quase sempre reenteladas.

Verifiquem uma parte do processo de perto.

01/04/2026

Clareamento local de foxing em papel: precisão, controle e química suave.

Nem toda mancha exige uma intervenção invasiva ou um tratamento por banho generalizado.

No caso dos pontos de foxing, aquelas marcas acastanhadas que comprometem a leitura estética e material do papel, é possível atuar de forma extremamente localizada, com controle rigoroso e sem recorrer a agentes clorados.

A abordagem é simples na aparência, mas exige técnica:

Com um pincel fino, aplica-se pontualmente uma solução aquosa de ação clareadora diretamente sobre o ponto de foxing. Em seguida, realiza-se o blotting local, promovendo a extração e a conversão controlada dos subprodutos da reação. Para finalizar, utiliza-se uma espátula térmica, que acelera a cinética do processo e garante uma secagem precisa, evitando halos ou migração indesejada.

O resultado?

A redução, muitas vezes quase completa, ou mesmo completa, da mancha, preservando a integridade do suporte e respeitando os princípios éticos da conservação.

Sem excesso. Sem agressividade. Sem protagonismo do método sobre a obra.

A intervenção ideal é aquela que desaparece junto com o problema.

18/03/2026

No post anterior, mostramos o preparo do Funori, e aqui segue um método muito útil e interessante de aplicação, justamente para a consolidação de tintas pulverulentas sem alterar saturação ou brilho, algo que de outra forma seria bem difícil de alcançar. E o melhor: essa técnica funciona literalmente sem contato.

Trata-se de um excelente exemplo da união entre ciência, tecnologia e materiais tradicionais centenários, que juntos permitem chegar em resultados excepcionalmente bem-sucedidos. O método foi desenvolvido por integrantes do Canadian Conservation Institute (CCI) no final da década de 1980, marcando uma verdadeira virada metodológica na conservação: intervir menos, controlar mais e preservar ao máximo a aparência original. Foi rapidamente adotado ao redor do mundo em função de seus resultados quase milagrosos: consolidar superfícies foscas e pulverulentas de maneira eficaz e, ao mesmo tempo, imperceptível.

A aplicação ocorre por vaporização ultrassônica, que transforma a solução em microgotículas quase imperceptíveis. Isso permite que o consolidante penetre e se deposite de forma extremamente homogênea, sem perturbar a superfície frágil.

Do ponto de vista físico, o segredo está justamente nessa escala: as microgotículas depositam quantidades mínimas e extremamente bem distribuídas de consolidante, evitando a formação de filmes contínuos na superfície, principais responsáveis por alterações de saturação e brilho. Em vez disso, o Funori se fixa de maneira pontual e controlada entre as partículas de pigmento, preservando a forma como a luz interage com a superfície.

O Funori já é reconhecido por sua delicadeza. Quando aliado a uma tecnologia igualmente delicada, como a ultrassônica, alcançamos um nível de controle que respeita profundamente a integridade estética e material da obra.

Porque, no fim, o melhor restauro é aquele que não se percebe.

Endereço

Goiânia, GO

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 05:30
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00

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