11/05/2026
Em intervenções de conservação e restauro, nem sempre é possível manter integralmente toda a matéria original quando esta já perdeu suas propriedades estruturais de maneira irreversível, ainda que essa seja uma de nossas principais funções e princípios: preservar tudo que for possível.
Nesta obra de Edgard de Souza, composta por couro sintético branco e couro legítimo marrom, o couro natural apresentava avançado processo de degradação: ressecamento extremo, perda de flexibilidade, rasgos extensos e fragmentação contínua do suporte. A deterioração comprometia não apenas a estabilidade material da obra, mas também sua leitura formal e integridade física.
Após análise técnica, constatou-se que não havia viabilidade de conservação do couro original sem que sua manipulação resultasse em perdas progressivas e irreversíveis. Optou-se, portanto, pela substituição exclusiva do elemento comprometido, preservando integralmente todas as demais partes originais passíveis de estabilização.
A nova aplicação foi realizada com couro de características compatíveis em tonalidade, espessura, comportamento superficial e presença visual, respeitando a construção material concebida pelo artista e mantendo a continuidade estética e estrutural da obra.
Em muitos casos, o trabalho de restauro ultrapassa a simples conservação da matéria original e exige também conhecimento construtivo, habilidade manual e capacidade de reconstrução compatível. Intervenções dessa natureza demandam precisão técnica e sensibilidade para equilibrar permanência material, legibilidade da obra e estabilidade futura.
Neste caso, buscamos devolver à obra suas características materiais e sua expressão formal, respeitando sua integridade e sua presença estética.
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