10/03/2026
Biodiesel vira plano A enquanto diesel fóssil vira dor de cabeça
O diesel virou personagem principal da semana e o biodiesel tá tentando roubar a cena pra salvar o roteiro. Com a guerra no Oriente Médio mexendo no petróleo e deixando o Brasil lembrando que exporta petróleo bruto, mas ainda importa diesel e gasolina, o agro começou a pedir reação rápida. Se o fóssil ficar mais caro e mais raro, alguém vai ter que segurar a bronca pra colheita e escoamento não virar novela.
A CNA foi direto no ponto e pediu ao Ministério de Minas e Energia um salto imediato da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% pra 17%, o famoso B17. No ofício, a entidade citou o Brent chegando a US$ 84 e subindo até 20% desde o fim de fevereiro, e lembrou que em 2022, com guerra na Ucrânia e Rússia, o barril disparou e o diesel acompanhou, com alta média de 21% na distribuição e 23% na revenda. Pra CNA, avançar a mistura ajuda a ampliar a oferta no mercado interno e reduzir a pressão na logística, ainda mais porque o B16 que era pra entrar em 1º de março já tá atrasado.
As usinas também tão no mesmo bonde, só que com cuidado pra não parecer que tão se aproveitando da guerra. O presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, disse que o B16 já poderia entrar sem teste nenhum, e que, se o governo fizer questão de validação, o setor t**a acelerar e até bancar ensaio pra misturas maiores. A Aprosoja Brasil entrou no coro pedindo avanço do biodiesel e, de quebra, mais etanol na gasolina além dos 27%, citando preocupação com falta de diesel no campo em plena colheita e alertando pro risco de oportunismo durante a escassez.
Só que, do outro lado da mesa, tem gente tentando puxar a solução pelo caminho da importação. Importadores e entidades do setor de combustíveis querem autorização pra importar biodiesel e complementar oferta, e a proposta tá na pauta prévia do CNPE desta semana. Se passar, até 20% da demanda nacional poderia ser atendida com produto estrangeiro, flexibilizando a regra que hoje amarra o mandato ao Selo Biocombustível Social.
A indústria nacional do biodiesel chiou, dizendo que a capacidade instalada sobra e ociosidade tá alta, então importar seria mais bagunça regulatória do que necessidade técnica, ainda mais porque óleo vegetal o Brasil já importa sem drama. Agora a expectativa tá na quinta-feira (12), quando o CNPE se reúne, e o dilema tá claro. De um lado o agro pedindo mais mistura pro diesel parar de mandar na lavoura, do outro importador pedindo porta aberta pra chacoalhar preço, e no meio o governo tentando escolher o caminho que dá menos dor de cabeça e mais combustível no tanque.