18/08/2026
Quando falamos em continuidade de empresas familiares, é natural que a conversa rapidamente chegue à sucessão. Quem será o próximo líder? Quem está preparado? Como desenvolver a próxima geração? Mas existe uma discussão que pode precisar acontecer antes.
Dados da série global da Deloitte de 2026 sobre empresas familiares mostram dois desafios praticamente lado a lado: 37% apontam incerteza sobre quem possui autoridade para tomar decisões e 36% citam o planejamento da sucessão da liderança. Essa proximidade levanta uma reflexão importante. Uma empresa pode ter Conselho Consultivo, reunião de sócios, comitês, executivos familiares e fundador e, ainda assim, não ter clareza suficiente sobre onde está a autoridade para determinadas decisões.
É por isso que, em um diagnóstico de governança, não basta olhar o organograma.
Vale colocar decisões concretas sobre a mesa e perguntar separadamente aos envolvidos: “Quem decide isso hoje?” As diferenças entre as respostas podem revelar sobreposições, vazios de autoridade e expectativas diferentes entre família, propriedade, governança e gestão.
A partir daí, protocolos, acordos, regimentos e matrizes de alçadas podem ajudar a transformar uma autoridade implícita em uma estrutura decisória mais clara. Talvez algumas famílias estejam tentando preparar quem decidirá amanhã sem terem esclarecido completamente quem decide hoje.