11/03/2026
Há algo curioso acontecendo nas empresas.
Durante muito tempo, o sofrimento no trabalho foi tratado como algo invisível, quase como se fosse parte natural da paisagem organizacional. Pressão excessiva, metas irreais, lideranças despreparadas, ambientes silenciosamente hostis… tudo isso muitas vezes era lido apenas como “parte do jogo”. Mas a psicologia do trabalho sempre nos mostrou outra coisa.
Autores como Christophe Dejours já apontavam que o trabalho pode ser fonte de realização, mas também pode produzir desgaste psíquico quando a organização ignora limites humanos. Quando a exigência ultrapassa a possibilidade de elaboração, o sujeito não cresce, ele adoece.
A atualização da NR-1 traz um movimento interessante: aquilo que antes era percebido apenas no campo subjetivo agora passa a ser reconhecido também como risco organizacional.
Em outras palavras: O clima, a forma de gestão, a sobrecarga e o modo como as relações se estruturam dentro das empresas deixam de ser apenas “questões de cultura” e passam a ser elementos que precisam ser gerenciados. Não se trata apenas de cumprir uma norma. Trata-se de reconhecer algo que a psicologia já dizia há décadas: o trabalho também molda a saúde mental das pessoas.
E a pergunta que começa a ecoar nas organizações é simples e profunda:
A sua empresa tem gerado desenvolvimento…ou desgaste psicológico?
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