19/10/2026
Uma foto fazendo um gesto com as mãos, um corte na sobrancelha ou até mesmo uma estampa na roupa podem parecer detalhes completamente comuns.
Mas, em regiões marcadas pela disputa entre facções criminosas, esses elementos podem ser interpretados de outra maneira por integrantes desses grupos. E existem casos reais em que essa interpretação terminou em tragédia.
Em dezembro de 2024, o turista Henrique Marques de Jesus, de apenas 16 anos, foi morto durante uma viagem a Jericoacoara, no Ceará. Inicialmente, o pai do adolescente relatou que o filho teria sido confundido com integrante de uma facção por fazer o número três com as mãos em uma fotografia.
Posteriormente, o Ministério Público apontou que símbolos em uma camiseta e fotos fazendo sinais no celular também teriam alimentado a suspeita dos criminosos.
Em agosto de 2025, oito pessoas foram denunciadas por envolvimento no caso, entre adultos e adolescentes.
Quatro anos antes, em Fortaleza, outro adolescente havia sido vítima de uma suspeita semelhante. Jefferson Brito Teixeira, de 14 anos, era coroinha de uma igreja católica e praticava capoeira.
Em agosto de 2020, ele foi espancado e assassinado a tiros. Segundo a investigação, os suspeitos acreditavam que os três riscos que o menino tinha na sobrancelha indicavam ligação com uma facção rival.
Não havia nenhum indício de que ele estivesse envolvido com o crime organizado. Em 2022, dois acusados foram condenados pelo homicídio.
Em setembro de 2024, a violência atingiu as irmãs Rayane Alves Porto, de 25 anos, candidata a vereadora, e Rithiele Alves Porto, de 28, em Porto Esperidião, no Mato Grosso.
As duas foram sequestradas e assassinadas após saírem de um evento de pesca. Segundo a investigação, uma fotografia em que apareciam fazendo um gesto com as mãos foi interpretada como uma referência a uma facção rival.
Ao fim do inquérito, 16 pessoas foram indiciadas por envolvimento no caso.
Essas histórias mostram por que é importante ter cuidado com o que publicamos na internet, principalmente quando fazemos viagens para lugares que não conhecemos ou frequentamos regiões onde há disputas entre organizações criminosas.
Gestos que, em uma cidade, são apenas uma brincadeira ou uma forma de posar para uma foto podem ter outro signif**ado em determinados contextos.
O mesmo vale para símbolos em camisetas, números feitos com os dedos e até características da aparência que criminosos associem a grupos rivais.
Por isso, evite reproduzir símbolos que você não conhece, especialmente para fazer brincadeiras, participar de desafios ou imitar fotografias que viralizaram. Se estiver viajando, tenha atenção ao ambiente e às orientações locais de segurança.
Uma fotografia pode durar apenas alguns segundos na tela, mas as consequências de como ela é interpretada podem ser irreversíveis.