12/01/2018
Crônica: FUI DEMITIDO NO ANO NOVO, E AGORA? Parte 1
A família reunida, muita comida, música, garrafas de champagne geladas, sorrisos para todos os lados e eu ainda sentia o amargo na boca e a queimação no estômago da notícia que me foi dada após o almoço da última sexta-feira. Fui demitido antes das comemorações de ano novo.
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O baque pegou a todos de surpresa e as preocupações financeiras não combinavam com o clima festivo e esperançoso desta época do ano, talvez por isso eu ficasse em conflito se deveria sentir a dor ou reagir logo de cara. COMO HOMEM, É INEVITÁVEL ESSE SENTIMENTO DE RESPONSABILIDADE SOBRE TUDO O QUE ENVOLVE DINHEIRO EM CASA.
Tive um pouco de vergonha por essa veia de machismo ainda pulsando em mim porque no fundo eu sei que hoje em dia não existe economia dentro de casa sem a “equipe” familiar nem decisão econômica importante que não deva envolver ambos os cônjuges. Então, na dúvida sobre o que fazer intercalei minha dor pelas preocupações do desemprego, das dívidas, dos planos que teriam que ser adiados com uma atitude mais positiva: fazer planos, bolar estratégias para os próximos passos e, acima de tudo, ter fé.
O PRIMEIRO PASSO para mim foi uma mudança de perspectiva, em um desses momentos de insegurança, minha namorada se sentou comigo e me explicou algo. Disse que nós, seres humanos, somos “criaturas de hábitos” e isso rege todos os aspectos de nossas vidas, os tais padrões comportamentais. Desde o momento em que acordamos, a forma como reagimos ao estresse, à ansiedade, à fome, o que nos habituamos a comer e assim por diante. Por isso mesmo é extremamente desafiador romper hábitos de vida, mas há um atalho chamado CRISE.
As crises chacoalham as nossas vidas de tal maneira que nos permitem rever nossos hábitos, sendo uma das maiores revoluções exatamente o desemprego. A questão que tive de encarar foi que tudo isso era uma grande revolução para mim! Eu contava tanto com aquele emprego para pagar as minhas contas e para os planos pro futuro que havia feito: comprar um carro, pagar um plano de saúde (tinha terríveis dores nas costas), pedir a namorada em casamento, ajudar a minha mãe, mas principalmente O SONHO DE ABRIR MEU PRÓPRIO NEGÓCIO.
Foi então que percebi que havia adiado diversos planos da minha vida por falta de tempo e porque eu sempre estava estressado com o trabalho. Quando voltava para casa só queria achar um jeito de diminuir aquela sensação fazendo coisas triviais como jogar no computador, malhar ou ver TV. Todas essas atividades me ajudavam a aguentar a rotina, mas também comiam um tempo precioso de planejamento, a ponto de ter certeza que não fosse a demissão tudo provavelmente teria permanecido adiado até hoje. Ainda me lembro das inúmeras conversas com os amigos sobre idéias para o sonhado negócio próprio, de ser o chefe, de aumentar a renda e que nunca eram concretizados. Com o tempo, foram se acumulando, mas o tal primeiro passo bem como seguir adiante com ele nunca aconteceu.
Agora vejo tudo o que aconteceu com outros olhos, é claro que ainda me dói o desligamento da empresa, eu havia dado o meu sangue para fazer um bom trabalho, mas ao mesmo tempo não me deixo esquecer todas as vezes que ficava bravo desejando desesperadamente não precisar ir para lá lidar com todo o estresse da função. Acima de tudo tenho esperanças para o futuro, pois agora tenho a oportunidade e o tempo de finalmente realizar o meu sonho. Vejo que as desculpas acabaram e a única coisa impedindo meus sonhos será minha falta de atitude.
O SEGUNDO PASSO agora é a palavra de ouro, PLANEJAMENTO. No próximo texto vou falar sobre como organizei as idéias que eu tinha na cabeça e botei tudo no papel. Traçar um plano de negócios é fundamental se você não quer ver os seus sonhos morrerem na praia.
EDUARDA GODOY
Psicóloga e cronista nas horas vagas. Gosta de temas sobre o universo do trabalho, gestão, psicologia e saúde.