08/05/2018
Tutorial - Tosa Boo
Vou compartilhar o estudo 📖 de um Veterinário com vocês .
Sabe aquela tosa famosa do Boo???
Nunca faça!!!
Aquele lindo e famoso Boo tem alopecia...
O tratamento para a doença é caro e corre o risco do pelo nunca mais nascer.
VAMOS FALAR DE ALOPECIA PÓS-TOSA?
(Alexandre Bastos Baptista - Médico Veterinário Endocrinologista)
Tenho recebido no consultório muitos casos de Alopecia Pós-Tosa - um problema frustrante mas facilmente evitável. Muitos Tutores tem dúvidas sobre o assunto, agravado por informações errôneas difundidas pelas redes sociais e a "moda" de tosa agressiva em Pomerânias iniciada pelo Boo.
Usualmente a Alopecia Pós-Tosa afeta raças nórdicas e primitivas, como Spitzen Alemães (Pomerânias), Huskies Siberianos, Malamutes do Alaska, Samoiedas, Chow Chows, etc... Estas raças tem uma fase telógena prolongada (fase final, estacionária, do crescimento do pelo), que possivelmente evoluiu com o objetivo de poupar energia em climas de frio extremo (assim estas raças não teriam que trocar a pelagem constantemente, ou manter um ritmo de crescimento piloso constante, uma desvantagem em climas extremos). Somado a isto, este tipo de pelagem se desenvolveu para manter a temperatura elevada próxima à pele. Quando ocorre a tosa este isolamento térmico – o qual a pele destas raças foi desenvolvida para ter – é subitamente perdido, podendo causar a interrupção do crescimento piloso – assim a pele e o folículo piloso, expostos repentinamente a baixas temperaturas pela tosa podem entrar na fase telógena, sendo que o início da fase anágena (crescimento inicial e rápido) f**a postergada.
Apesar de frustrante, a Alopecia Pós-Tosa acaba se resolvendo sozinha. Alguns animais podem demorar quase 2 anos para voltar a apresentar o crescimento normal. Neste ínterim, os pelos podem crescer em ritmos diferentes, tornando a pelagem irregular, o que geralmente leva a novas tosas e a continuidade do problema.
É importante aqui desmistif**armos o uso de máquina de tosa x tesoura e a altura da tosa: qualquer tosa que alterar o isolamento térmico da pele, seja feita com máquina ou tesoura, pode causar a Alopecia Pós-Tosa; claro que quanto mais curto o pelo mais prejudicado é o isolamento térmico e maior a possibilidade de causar a Alopecia Pós-Tosa. Mesmo animais que foram tosados múltiplas vezes no passado com crescimento normal pós-tosa podem eventualmente apresentar o problema (possivelmente pela fase de crescimento em que a maioria dos pelos se encontrar quando a tosa for realizada).
Várias endocrinopatias podem contribuir para o retardamento do crescimento capilar – assim é sempre importante descartar outras doenças de base, como Hipotireoidismo, Hiperadrenocorticismo e Alopecia X (entre outros) - QUE GERALMENTE VÃO TAMBÉM IMPEDIR O CRESCIMENTO DE PELOS TOSADOS! Um Médico Veterinário Endocrinologista ou Dermatologista experiente pode fazer o diagnóstico da Alopecia Pós-Tosa (que é clínico, mas que pode contar com alguns exames, como biópsia de pele e exames hormonais, para confirmar o problema e descartar outras causas de base).
Uma vez instalada, a Alopecia Pós-tosa pode sim ser tratada nutricional e topicamente, com bons resultados.
Há uma forma eficiente de evitar a Alopecia Pós-Tosa: evite tosar exemplares destas raças ou restrinja a tosa apenas à porção final dos pelos primários (mais longos), SEMPRE POUPANDO O SUBPELO.