12/07/2021
Segunda Parte...
Mas ele estava tão cansado, desanimado, com seus dois filhos no colo que não conseguia ver a beleza e imensidão do oceano. Ele só via areia, pedras e o desconforto da areia batendo em sua pele. Cansado e sobrecarregado, se recostou em uma fenda na pedra, abraçou seus filhos e fechando seus olhos falou: "Pai me ensina a ver..." E repetindo essa oração adormeceu. "Pai me ensina a ver..."
Ao amanhecer, quando o céu ainda estava escuro, mas a luz espalhando a escuridão, ele percebeu uma sombra passando por cima deles. Devagar ele abriu os olhos e viu uma mulher linda, que os observava de perto. Ela tinha a pele branca, branquinha com pintinhas, como conchinhas na areia branca da praia, olhos azuis da cor do céu e uma mecha branca no cabelo, como as espumas nas ondas.
Ela olhou para eles, olhou para ele, olhou para as crianças, era uma menina e um menino, e sem dizer nada, sem pedir nada, deitou sobre os três, e no meu ouvido baixinho começou a me ensinar, ensinar que coisas não me farão feliz, ensinar que momentos são melhores que coisas, me ensinar que sucesso é poder sentar na mesa para jantar em família, me ensinar que servir e doar é melhor que pedir e receber, me ensinar que as comidas são tão mais gostosas do que parecem, me ensinar que um sorriso vale muito mais que um direito.
Seu abraço me traz cura todas as manhas, e os seus olhos me mostram que o Mar que tanto desejei não é o fim, mas sim o caminho, e que não é esmurrando a estrada que chegarei ao destino.
Você é a prova do Amor e da misericórdia de Deus sobre mim, estava perdido e fui encontrado, você me encontrou e está presente nesse caminho de volta. Obrigado por me amar primeiro.
E ao seu lado, quando estou aflito, junto aos seus braços, sempre repito essa oração: “Pai me ensine a ver”.