17/09/2025
Depois de décadas de amargura com preços achatados, o produtor de cacau do sul da Bahia e de outras regiões cacaueiras do mundo experimentou, em 2024, um raro momento de euforia. O mercado foi “pego de surpresa” pela queda drástica da produção africana — resultado de seca, envelhecimento das lavouras, doenças e má gestão. O cacau disparou, atingindo valores históricos que, no Brasil, ultrapassaram R$ 1.000,00 a arroba.
Foi um sopro de esperança. Muitos agricultores nostálgicos dos tempos em que o cacau era tratado como ouro, acreditaram que a bonança havia voltado para f**ar. Planos foram feitos, dívidas quitadas, sonhos reacendidos. Poder trocar a velha camionete por uma nova virou realidade. Mas a comemoração durou pouco.
A indústria internacional, formada por três grandes grupos que concentram esmagamento, processamento e fornecimento de derivados do cacau para o setor de chocolates, reagiu rapidamente. Não permitiria que o insumo básico de sua cadeia permanecesse em patamares proibitivos.
E o que aconteceu?
Quando o preço atinge níveis em que a produção de chocolate e derivados se torna inviável para o consumidor, as gigantes do setor reduzem uso, alteram fórmulas, encolhem produtos, substituem parte dos ingredientes e até repensam lançamentos. A demanda encolhe. Isso, somado ao alívio parcial da oferta africana e ao avanço de novos produtores, trouxe o cacau de volta ao patamar de R$ 500,00 a arroba no mercado brasileiro — um valor que mal cobre os custos de quem tenta manter sua lavoura adubada, podada e minimamente rentável.
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