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Procura por detetives particulares é maior em casos conjugais
26 de março de 2013
Por Franciane Moraes
O detetive, personagem romantizado em obras literárias e ficcionais, pode atuar em diversas áreas investigativas. Embora no Brasil a profissão não seja ainda regulamentada, a demanda por seus serviços é comum na finalidade de auxiliar em denúncias, localizar evidências e atuar em diversas outras áreas da investigação privada.
Detetive Oliveira: 15 anos de experiências. (Foto: Franciane Moraes)
João de Oliveira trabalha como detetive há mais de 15 anos. Para ele, o investigador particular está habilitado atuar em diversos casos: “O detetive pode tudo e não pode nada. A investigação particular é uma investigação como qualquer outra, a única diferença é que é particular: os encargos f**am sob responsabilidade do contratante”.
Ângela Detetive, como é conhecida Ângela Bekeredjian, nascida na Espanha e atuante no Brasil há quase 50 anos, também acredita nas diversas funções que um detetive pode desempenhar: “Costumo dizer que me considero um clínico-geral, porque resolvo qualquer tipo de situação”, afirma.
De acordo com Oliveira, a maior demanda pelo serviço de detetive particular em Juiz de Fora está relacionada a casos conjugais e de sondagem de familiares, mas não se encerra nisso: “O detetive particular atua onde a polícia não vai, porque se trata de algo particular. A polícia respeita a individualidade, não pode avançar em certos casos. Já o detetive, vai além, investiga informações confidenciais, que não podem vir a público”. O detetive esclarece o que é feito com as informações coletadas durante a investigação:
Ângela revela nunca ter tido problemas com a polícia e destaca que habituou-se a agir em conjunto com as forças militares no início de sua carreira, principalmente no caso de investigação de adultério, quando ainda era considerado crime no país; já Oliveira opta por não trabalhar na investigação de processos criminais: “Às vezes somos procurados para auxiliar advogados de defesa ou mesmo na promotoria, mas é uma área que cabe à polícia, ao poder público, então prefiro não interferir nesse processo, deixando às partes competentes”. Veja também: Processos criminais utilizam detetives na apuração.
Para Oliveira, o trabalho do detetive passou por intensas modif**ações com as inovações tecnológicas; se antes, o tête-à-tête era valorizado, hoje as ferramentas de comunicação facilitam as atividades de investigação: “A internet e os equipamentos eletrônicos ajudam muito no nosso trabalho. Temos investigações que podem ser feitas inteiramente pelo computador” Dentre as ferramentas do detetive, Oliveira destaca os gravadores, câmeras ocultas e com alta resolução e os objetos que podem ser disfarçados: “Mas nada disso faz diferença se a pessoa não tem o talento para investigar”.
Além da vocação, Oliveira destaca a discrição, não só na atuação investigativa, mas também no contato com os contratantes: “Eles vêm a nós no momento em que estão mais fragilizados. Temos que ter respeito pelo cliente e considerar a situação em que se encontram”. Ângela, que estudou na Faculdade de Investigação em Barcelona, graduou-se também em psicologia para oferecer atendimento psicológico aos seus clientes: “É importante acompanhar o cliente após a resolução, porque ele pode f**ar emocionalmente abalado quando temos a descoberta de uma traição, por exemplo”.
Quanto aos honorários, Oliveira afirma que o serviço de investigação está ao alcance de todos, variando quanto ao tempo e às ferramentas que precisam ser empregadas: “Não há um padrão, os casos são analisados enquanto vamos realizando”.
A atividade dos detetives particulares segue a legislação de 1961. Em 1977, a função de detetive particular foi definida em portaria do Ministério do Trabalho. Em novembro de 2009, a Comissão de Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2542/07, que regulamenta a profissão de detetive particular e obriga os interessados a exercer a carreira a possuir autorização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A proposta ainda está sendo analisada por outras comissões da Câmara.
Equipamentos: Caneta com microfone e gravador. (Foto: Franciane Moraes)
Equipamentos: câmera escondida em botão de camisa. (Foto: Franciane Moraes)
Equipamentos: scanner compacto para copiar documentos. (Foto: Franciane Moraes)
Equipamentos de investigação: relógio-gravador e celulares. (Foto: Franciane Moraes)
Equipamentos de investigação: mesa do detetive Oliveira. (Foto: Franciane Moraes)
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