16/07/2020
Aulas Virtuais: Preparados?
Crianças em casa, escolas fechadas, aulas online. Três verdades que estamos enfrentando neste momento e que cabe reflexão: Estamos preparados?
Vou tentar abordar quatro pontos de vista desta intrincada rede de relações: Escola, professores, alunos e pais.
É sabido e notório que os alunos (em sua grande maioria) possuem celulares capazes de gravar e enviar vídeos, tirar e enviar fotos, capaz de enviar textos e por vai. Mas com o fechamento das escolas foi desnudado uma realidade. Os mesmos alunos que postam fotos e vídeos em redes sociais, não sabem como participar de uma aula online. Não sabem enviar um e-mail, não sabem ser aluno real no mundo virtual.
Pelo olhar dos professores, que dominam como ninguém o quadro negro e o giz, da noite para o dia, se tornaram reféns de algo que eles talvez tivessem participado por brincadeira, como espectador, de uma reunião virtual. Agora os professores-espectadores se tornaram os “Youtubers”, os geradores de conteúdo com público garantido, mas sem o menor conhecimento para tal. E o pior: sem tempo de se preparar para isso.
A Escola, sem jamais cogitar a possibilidade de tal situação, mal mantém um laboratório de informática, onde noções básicas são passadas aos alunos. Tais conceitos se provaram insuficientes neste vestibular compulsório de toda a sociedade.
Os pais, que sempre cobram governos, governantes e escolas, se viram sem ação, pois ninguém é culpado. No caso de escolas particulares, exigem descontos, soluções, etc.
Pois bem, o título da coluna é: Preparados? A resposta é NÃO!
De modo resumido: A maioria das escolas não têm estrutura para propiciar um ambiente (um estúdio) para o professor gravar seu conteúdo para divulgação na internet.
Os professores não têm os equipamentos mínimos – microfone, luz, câmera, tripé, lousa, etc – para gravarem suas aulas de casa, seus conteúdos.
Os alunos não têm equipamentos para acompanhar as aulas – computadores ou notebooks, uma conexão de internet com boa velocidade – para acompanhar as aulas.
Muitos pais não providenciaram (por falta de recursos ou desconhecimento) um local calmo, não exigiram disciplina aos horários das aulas, não cobraram quanto o estudo das matérias aplicadas. Os responsáveis se dão por satisfeitos de os filhos terem (quando podem) um celular. Pena que a matéria exposta por um professor numa “live” não poderá ser vista com clareza na tela do smartphone do aluno.
Portanto, no ecossistema educacional, muitos fatores contribuem para o sucesso do ensino. Se uma destas partes apresentadas – que são a ponta final do processo – não estiverem alinhadas, compromissadas e comprometidas, o sucesso ficará mais distante.
Tecnologia para tudo isso há e não é recente. Equipamentos também existem e alguns podem ser improvisados, como a iluminação.
O que não podemos improvisar é a escolarização.
A lição que tiramos de tudo isso é: devemos e podemos nos preparar melhor para enfrentarmos com menos dificuldades tal situação. Aulas online já existiam antes da pandemia (EAD e cursos com certificação) e serão intensificados.
Professores serão mais e mais impelidos a entrar no universo de conteúdos extras de matérias, os quais os alunos poderão acessar após o horário regular de aulas. Escolas criarão estruturas para seus professores e alunos criarem e consumirem conteúdos importantes para o ensino. E pais, deverão cobrar mais em relação ao compromisso disciplinar dos jovens quanto a horários e responsabilidades.
Afinal, nas escolas formam-se profissionais e forjam-se cidadãos.
Se cuidem.