27/04/2020
HOME OFFICE - IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL
Nestes tempos de pandemia, o trabalho “de casa”, o “home
office”, tem sido uma alternativa interessante, considerando o isolamento social tão necessário para conter e/ou minimizar a
disseminação do Covid - 19.
Embora esta modalidade de trabalho já faça parte da rotina de muita gente há algum tempo, nunca foi tão adotada como neste momento.
Trabalhar “de casa” pode ter suas vantagens, mas também seus inconvenientes, uma vez que é preciso ter habilidades para colocar limite entre a rotina doméstica e as atividades profissionais, incluindo também a convivência diária com a família num mesmo espaço físico e num tempo bem maior ao que se estava acostumado. Quem tem crianças em casa, sabe do que estou falando.
Na tentativa de se adaptar a esta modalidade de trabalho, o corpo administrativo de empresas e instituições também estão criando rotinas/ formas de acompanhar remotamente o desempenho de seus contratados.
Ocorre que certos mecanismos de controle virtual para controlar o desempenho, registram os movimentos da(o) trabalhadora(o) de maneira tão “eficiente”, que até a ida ao sanitário passa a ser motivo de constrangimento, uma vez que no gráfico/relatório idealizado para esse fim vai constar a “pausa”.
Formas desumanas de aferir desempenho, não são inocentes/inócuas para a saúde física e mental da(o) empregada(o), além de poderem ser, caracterizadas como assédio moral, principalmente nesse momento, onde o medo de perder o emprego vem se sobrepor à instabilidade humana e social já tão forte neste momento. Ansiedade, insônia e depressão, com todas as suas conseqüências para a saúde, são respostas do organismo para o impacto dessa vigilância extrema.
Precisamos construir formas de acompanhar o desempenho de nossos contratados(as) de forma dialogada e compartilhada de maneira menos mecânica e com o cuidado de não ferir a dignidade humana.
Se Frederick W. Taylor (pai da administração científica) ainda fosse vivo, ficaria muito satisfeito de perceber como o método idealizado por ele nos Estados Unidos no início do Século XX ainda faz parte de certos atos administrativos de 2020.
Cleuza Aparecida Beluzo Ferreira
Psicóloga Especialista em Saúde Mental
CRP 08/4524