30/06/2026
A defesa explícita da restrição do direito ao voto de pessoas em situação de pobreza colocou o influenciador digital Leonardo Marcondes no centro de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital sustenta que o criador de conteúdo utilizou suas redes sociais para disseminar manifestações discriminatórias contra cidadãos em condição de vulnerabilidade econômica e pede à Justiça medidas rigorosas, que incluem a remoção de seu perfil no Instagram e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O caso não se limita a uma provocação isolada ou a uma opinião infeliz publicada na internet. O que está em discussão é a tentativa de transformar a desigualdade econômica em critério de exclusão política — uma ideia que afronta diretamente o princípio da igualdade democrática e mostra o caráter elitista e excludente do discurso adotado pelo influenciador.
A declaração é grave não apenas pelo conteúdo, mas pela lógica que a sustenta. Ao associar valor político à renda, o influenciador reproduz uma visão hierarquizada da cidadania, como se a pobreza fosse sinônimo de incapacidade intelectual ou cívica. Trata-se de um raciocínio que não apenas desconsidera a realidade social brasileira, marcada por desigualdades históricas, como também busca converter privilégio econômico em superioridade política.
E aqui uma contradição relevante: o mesmo influenciador que se apresenta como autoridade para ensinar prosperidade, disciplina e sucesso financeiro não foi capaz de concluir um curso superior em Administração. A Promotoria sustenta que ele não possui qualificação profissional compatível com os serviços que comercializa.
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