19/01/2023
Americanas tem a maior queda de uma empresa na bolsa brasileira desde 2008.
Isso se deu por um rombo com valor estimado em R$ 20 bilhões em uma análise preliminar e é relacionado a uma operação financeira conhecida como "risco sacado".
Essa operação é comum no varejo. Na prática, a companhia pega dinheiro emprestado com um banco para comprar de fornecedores. O banco paga aos fornecedores, e a empresa paga ao banco o dinheiro financiado, com juros. Isso é bom para uma companhia porque o empréstimo tem um prazo de pagamento maior do que o exigido pelos fornecedores, o que deixa mais dinheiro em caixa para a sua operação.
O problema foi que isso não foi informado corretamente no balanço da Americanas. Em vez de registrar os valores como uma dívida bancária, eles foram informados como dívidas aos fornecedores, e os pagamentos dos juros devidos com essa operação foram contabilizados como uma redução do valor devido aos fornecedores, e não uma despesa financeira. Isso distorceu seus resultados, porque fez com que as despesas da empresa e seu endividamento aparecessem no balanço com um valor menor do que eram na realidade, e o lucro e o patrimônio líquido (a diferença entre seus bens e suas obrigações financeiras) fossem maiores.
Entendemos que uma empresa que está listada na B3, um ambiente que é regulamentado e fiscalizado pela CVM e o Banco Central, ou seja, as empresas que estão listadas na bolsa são obrigadas a fazerem auditoria com empresas de renome nacional.
Por esse motivo, não queremos olhar e entender como uma cilada, afinal se formos olhar dessa forma desistimos do mercado, podendo acontecer com qualquer uma.
Acreditamos que seja até mesmo um crime contra o mercado financeiro, porque se for comprovado que a empresa maquiou o balanço para ludibriar os acionistas, não podemos mais confiar em nenhuma. Por isso, não queremos olhar por essa ótica, mas ainda não temos a resposta. Depois das apurações teremos uma análise mais profunda.