25/05/2026
Em 1904, o arqueólogo britânico David George Hogarth sentou-se entre as ruínas do Templo de Apolo em Dídima, na costa do Egeu, onde hoje é a Turquia.
Ao seu lado encontrava-se um monumental Gorgoneion, uma cabeça esculpida de uma Górgona, talhada há mais de 2.300 anos.
O Templo de Apolo em Dídima não era um santuário comum. A construção começou no século IV a.C., após a conquista da região por Alexandre, o Grande, em 334 a.C.
Erguia-se no local de um antigo templo arcaico destruído pelos persas em 494 a.C.
O novo templo foi projetado para ser um dos maiores do mundo grego, medindo 118 por 60 metros, com colunas imponentes que rivalizavam com qualquer outra da Antiguidade.
Dídima abrigava um dos oráculos mais célebres do mundo antigo, segundo apenas ao de Delfos. Peregrinos de todo o Mediterrâneo vinham consultar os sacerdotes de Apolo, que transmitiam profecias a partir de uma fonte sagrada situada sob o templo.
O Gorgoneion, com seus cabelos em desalinho e olhos penetrantes, foi colocado na arquitetura do templo para afastar o mal e proteger o espaço sagrado.
Na crença grega, a imagem de uma Górgona possuía poder apotropaico, ou seja, a capacidade de repelir forças nocivas tal como o olhar mítico de Medusa podia transformar os homens em pedra.
A expedição de Hogarth capturou esse momento notável: um estudioso moderno frente a frente com um antigo guardião, unindo dois mundos separados por milênios.